Zema estende painel em prédio na Avenida Paulista com boneco de Moraes preso
07/09/2026
(Foto: Reprodução) O candidato à Presidência da República, Romeu Zema (NOVO), realiza um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o ministro Alexandre de Moraes, na manhã desta segunda-feira (07), Dia da Independência do Brasil.
Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), estendeu na fachada de um prédio da Avenida Paulista um painel com a frase “Chega de intocáveis”.
O painel também trazia imagens de ministros do STF rindo e um boneco representando Alexandre de Moraes atrás das grades. Manifestantes do PT que estavam na avenida hostilizaram Zema e foram impedidos por policiais militares de se aproximar dele.
Sem citar Moraes, ele disse que "em qualquer país minimamente civilizado, onde se tem vergonha na cara, um ministro como esse, prestando serviços pra um bandido, teria sido expelido, teria sido expulso e, muito provavelmente, encarcerado. O lugar dele é esse. É um bandido enriquecendo porque exerce um cargo para o qual já é muito bem remunerado".
Questionado sobre a posição de Flávio Dino, Zema afirmou que o ministro integra uma “turminha” que deseja manter a situação como está porque, segundo ele, “tem muita gente poderosa se beneficiando”. O ex-governador também associou Dino aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, afirmando que eles fazem parte do mesmo grupo.
No domingo (6), Dino fez uma crítica velada à decisão do ministro Edson Fachon de encerrar o Inquérito das Fake news. Sem citar diretamente a investigação, ele disse que é a favor da conclusão das investigações. Mas questionou: "antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é “tramitação longa”?".
Toffoli, que era relator das investigações sobre o Master no STF, se afastou do caso após revelações que mostraram que fundos ligados ao banco compraram a participação de irmãos do ministro em um resort Tayayá na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná. Relembre o caso.
Zema tem embate antigo com o Supremo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou em maio o ex-governador por calúnia contra Gilmar Mendes por publicação de vídeo em que ministros são retratados como fantoches.
Zema critica Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes
Reprodução/Redes Sociais
Ato esvaziado
Após a ação simbólica, Zema participou de um ato do Partido Novo em frente ao Masp. O evento reuniu poucos militantes do partido.
Em seu discurso, Zema voltou a defender mudanças nos critérios para a escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as propostas apresentadas por ele está a criação de uma lista tríplice para orientar as indicações feitas pelo presidente da República.
“Eu, como presidente, não tenho nenhum receio de receber uma lista tríplice preparada pela OAB, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Ministério Público Federal”, declarou.
Atualmente, os ministros do Supremo são escolhidos pelo presidente e precisam ter os nomes aprovados pela maioria absoluta do Senado. A Constituição determina que os indicados tenham entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação considerada ilibada.
Zema afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende escolher pessoas com mais de 60 anos e, preferencialmente, com trajetória no meio acadêmico.
“Quero alguém acima de 60 anos, de preferência que venha do mundo acadêmico. Nós precisamos de pessoas que estudaram a vida toda na área jurídica para somar no Supremo”, declarou.
O ex-governador também fez críticas aos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
Durante o pronunciamento, Zema citou ainda as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, e acusou o banqueiro de ter comprado autoridades. O ex-governador não apresentou provas dessa acusação.
“As pessoas com quem esse banqueiro, o senhor Vorcaro, encontrou são as mais altas figuras da República, com quem ele tomou uísque, com quem viajou no jatinho, deu carona, deu festas, convidou, conviveu e comprou”, afirmou.
Faixa de Zema em prédio da Paulista contra ministros do STF
TV Globo
Fim de decisões individuais
Outra proposta apresentada por Zema foi acabar com as decisões monocráticas — aquelas tomadas individualmente por um ministro, sem análise do plenário ou de uma das turmas do Supremo.
“Quero também acabar com as decisões monocráticas. Vamos ter que debater: a assinatura de um ministro do Supremo valer mais do que a de 50 senadores ou de 400 deputados? Será que isso é democracia ou é outra coisa?”, questionou.
Divulgação de agendas e telefonemas
Zema também defendeu tornar públicos compromissos realizados pelo presidente da República dentro e fora do Palácio do Planalto, além de ligações telefônicas.
“Tudo o que o presidente tiver de agenda na casa dele ou no Palácio do Planalto tem de ser público, até ligações telefônicas”, disse.
Segundo ele, parentes do presidente e de ocupantes dos cargos mais altos do governo também deveriam informar atividades que pudessem gerar conflito de interesses.
Ao ser questionado se temia alguma consequência pela colocação da faixa na Avenida Paulista, Zema respondeu que não tinha “medo de prisão” e voltou a criticar autoridades em Brasília.
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