Vestibular da Unicamp: veja quais disciplinas tiveram questões mais difíceis e fáceis em 6 anos

  • 17/10/2026
(Foto: Reprodução)
Unicamp 2027: g1 terá resolução comentada ao vivo e gabarito extraoficial neste domingo O g1 analisou relatórios de desempenho da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) para identificar as disciplinas que reuniram mais questões difíceis ou fáceis na primeira fase do exame ao longo dos últimos seis anos. No período, matemática concentrou o maior número de questões difíceis. Na prova de 2026, duas questões da disciplina e uma de língua portuguesa estiveram entre as cinco com menor índice de acertos; naquela edição, a mais fácil foi de sociologia, acertada por 92% dos candidatos. Neste ano, a 1ª fase do Vestibular 2027 da Unicamp está marcada para domingo (18). O g1 fará a cobertura completa do dia do exame, com equipes nos locais de prova, transmissão com a resolução comentada por professores e a construção de um gabarito extraoficial. Saiba mais AQUI. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O levantamento considera a dificuldade de cada questão a partir do Índice de Facilidade (IF), que corresponde à proporção de candidatos que acertaram o item. Quanto menor o percentual de acertos, maior a dificuldade. A escala usada no relatório é a seguinte: Muito fácil: mais de 80% de acertos Fácil: mais de 60% e até 80% Média: mais de 40% e até 60% Difícil: mais de 20% e até 40% Muito difícil: até 20% de acertos 👩‍🏫 Entenda: o relatório analisa as questões classificando-as por dificuldade e avaliando sua capacidade de diferenciar candidatos. O objetivo é avaliar o funcionamento das questões e aprimorar as provas, não o desempenho dos estudantes. Considerando as 430 questões de 2021 a 2026, 113 foram classificadas como difíceis e 10 como muito difíceis, ou seja, tiveram índices de acerto de até 40% e 20%. Em matemática, das 72 perguntas em seis anos, 36 tiveram índice de acerto inferior a 40%. O docente de estatística Rafael Pimentel Maia, coordenador de pesquisa da Comvest, lembra que a classificação considera a proporção de acertos e ajuda a identificar os itens mais exigentes para o conjunto dos candidatos, mas não explica, por si só, o desempenho (entenda abaixo). 📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou, uma iniciativa do g1 Campinas para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes. Nesta matéria você vai ver: Quais as questões mais difíceis e mais fáceis de 2026 Qual o nível de dificuldade por disciplina entre 2021 e 2026 Qual foi o desempenho médio geral Por que o relatório serve para aperfeiçoar provas, não avaliar alunos O que faz uma questão funcionar bem ou mal Por que a dificuldade das questões pode surpreender As questões mais difíceis e mais fáceis de 2026 Para elaborar essa estatística, a Comvest usou como referência a ordem do caderno de provas Q, que pode ser consultado pela internet. Segundo o documento, no ano passado: o menor percentual de acertos foi em matemática, onde os candidatos responderam corretamente a uma média de 4,8 entre 12 perguntas – o equivalente a 40%; na matéria, as questões 49 e 50 foram classificadas como muito difíceis, com índices de acerto de 19,2% e 18,8%, além de outras cinco difíceis; em biologia, que teve o maior percentual de acertos, a média foi de 4,1 em sete questões, ou 58%; quatro itens foram classificados como fáceis: 35, 38, 39 e 40; a mais fácil de todas, porém, era de sociologia; do total, 92% dos candidatos acertaram a pergunta 22; já a questão 64, de língua portuguesa, foi a mais difícil de toda a prova; apenas 12,6% dos candidatos marcaram a alternativa correta. As cinco questões com maior índice de acertos (CLIQUE PARA VER A RESOLUÇÃO COMENTADA): Sociologia - questão 22: 92% Língua Portuguesa - questão 60: 85,8% História - questão 31: 84,6% Geografia - questão 15: 83,6% Matemática - questão 42: 81,9% As cinco questões com menor índice de acertos (CLIQUE PARA VER A RESOLUÇÃO COMENTADA): Língua Portuguesa - questão 64: 12,6% História - questão 29: 18,5% Matemática - questão 50: 18,8% Matemática - questão 49: 19,2% Química - questão 71: 19,7% Desempenho dos candidatos por disciplina na 1ª fase da Unicamp 2026 Nível de dificuldade por disciplina entre 2021 e 2026 A consolidação das provas de 2021 a 2026 reúne 430 questões classificadas por índice de acerto. O resultado mostra que a maior parte dos itens ficou nas faixas de dificuldade média e fácil: as questões de dificuldade média foram as mais frequentes, com 145 itens, ou 33,6% do total; outras 114 foram classificadas como fáceis e 48 como muito fáceis; na outra ponta, 113 questões tiveram menos de 40% de acertos, somando as categorias difícil e muito difícil; isso representa aproximadamente 28,6% do total analisado; a diferença entre as disciplinas, no entanto, é significativa: matemática tem mais questões difíceis, enquanto história e português reúnem mais itens com altos índices de acerto. Questões da 1ª fase do Vestibular da Unicamp por nível de dificuldade (2021 a 2026) * Filosofia e Sociologia: dados referentes a 2024–2026. A tabela desconsidera duas questões que foram anuladas. Desempenho médio geral A reportagem considerou o período de 2021 a 2026 por abranger todas as edições do vestibular desde que a prova da primeira fase passou a ter 72 questões, o que permite comparar o desempenho dos candidatos em exames com o mesmo número de perguntas. O relatório mostra o desempenho médio geral. Em 2026, os candidatos que fizeram a prova acertaram, em média, 36,8 das 72 questões. O resultado representa uma redução de 2,1 pontos em relação a 2025, quando a média foi de 38,9 acertos. Essa média é calculada a partir da soma de acertos dos candidatos dividida pelo total de questões. Média de acertos no Vestibular da Unicamp O coordenador de pesquisa da Comvest, Rafael Pimentel Maia, recomenda cautela ao comparar a média geral de acertos de diferentes edições. Como a cada ano há uma prova inédita e um novo conjunto de candidatos, uma variação na média não permite concluir, isoladamente, que os estudantes estão mais ou menos preparados. Segundo o pesquisador, diferenças pequenas, como a registrada entre 2021 e 2026, não indicam uma tendência clara de queda. Uma mudança expressiva poderia acender um alerta, mas ainda seria necessário investigar se o resultado está relacionado à dificuldade da prova, ao perfil dos candidatos ou a outros fatores. Relatório serve para aperfeiçoar provas, não avaliar alunos O estudo pós-prova da Comvest tem como objetivo avaliar o funcionamento das questões e ajudar a aperfeiçoar as provas dos anos seguintes. Rafael explica que a análise busca identificar quais itens contribuíram para diferenciar os candidatos e quais não funcionaram como esperado. “Esse relatório tem mais esse caráter de avaliar a prova e não o desempenho dos alunos”, explica. A partir dos resultados, as bancas responsáveis pelas disciplinas podem identificar características de questões que funcionaram bem e rever estratégias que não contribuíram para distinguir os candidatos. E além do índice de facilidade, que corresponde à proporção de candidatos que acertaram uma questão, o relatório apresenta o índice discriminatório (ID). O indicador compara o percentual de acertos entre os 27% de candidatos com as maiores notas gerais e os 27% com as menores notas. Quanto maior a diferença entre os dois grupos, maior a capacidade da questão de discriminar os candidatos. Isso significa que aqueles com melhor desempenho geral acertaram o item com mais frequência do que aqueles que tiveram as menores notas. ⚠️ Por isso, a questão 64, que foi a mais difícil da prova, fechou o relatório com ID negativo (-0,06). O que faz uma questão funcionar bem ou mal Rafael lembra que uma questão com muitos acertos não necessariamente contribui para diferenciar os candidatos. Se tanto os estudantes com as maiores notas quanto aqueles com as menores notas acertam o item na mesma proporção, sua capacidade de discriminação é baixa. Maia cita como exemplo uma questão acertada por 90% dos candidatos com melhor desempenho e também por 90% daqueles com pior desempenho. Nesse caso, o item contribuiu pouco para separar os dois grupos. O relatório permite que a banca investigue por que uma questão não teve o comportamento esperado e use essa análise na elaboração de provas futuras. Como explica o coordenador, uma questão que parecia interessante pode não ter discriminado os candidatos de forma significativa. Por que a dificuldade das questões pode surpreender As questões do vestibular da Unicamp são inéditas e não passam por uma calibração prévia para estimar seus índices de facilidade e discriminação. Por isso, um item que a banca considera fácil pode acabar tendo poucos acertos, e o contrário também pode acontecer. “Então, pode acontecer, por exemplo, de uma questão em que a banca elabora a questão e fala: ‘Poxa, essa questão acho que é uma questão fácil’. Aí, quando o candidato faz, muita gente erra aquela questão. Ela se realiza como uma questão difícil”, explica Maia. Os relatórios ajudam a identificar esse comportamento depois da aplicação da prova e, assim como o índice discriminatório, fornecem informações para que as bancas avaliem o que funcionou e o que pode ser aprimorado na edição seguinte. Estudantes realizam a segunda fase do vestibular da Unicamp Pedro Amatuzzi/g1 VÍDEOS: dicas, revisão e estratégias para mandar bem nas provas Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2026/10/17/vestibular-da-unicamp-veja-quais-disciplinas-tiveram-questoes-mais-dificeis-e-faceis-em-6-anos.ghtml


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