Vazões médias dos rios que abastecem a região de Campinas aumentam até 10 vezes em outubro de 2026

  • 02/11/2026
(Foto: Reprodução)
Chuva aumenta vazão dos rios que abastecem a região de Campinas As vazões médias dos rios que abastecem a região de Campinas (SP) aumentaram até 10 vezes em outubro de 2026 se comparadas com o mesmo mês de 2025. Os dados foram levantados pelo g1 com base no sistema de monitoramento do Consórcio das Bacias PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica. O maior crescimento foi constatado no Rio Camanducaia, em Amparo (SP), onde a vazão média foi de 22 mil litros por segundo no mês passado. Em outubro de 2025, a média foi de 2,2 mil litros por segundo. Já o Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas, registrou no período aumento de 11,3 mil litros por segundo para 38,7 mil litros por segundo — confira o levantamento completo da região abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Rio Atibaia, que abastece 95% de Campinas (SP) Reprodução/EPTV Os crescimentos são motivados pelas chuvas que atingem tanto as cabeceiras desses mananciais quanto a própria região. Segundo Aguinaldo Brito Junior, coordenador de projetos do Consórcio PCJ, a tendência é que as cidades não sofram com falta de água em 2026, já que a maior vazão dos rios permite uma maior reservação da água usada no abastecimento. "Tudo indica que vai ser um ano com abastecimento mais tranquilo do que foi o ano passado, por exemplo. Pelos meses subsequentes, né? A se manter a normalidade, pelo menos", comentou. Vazões O g1 consultou a base de dados do sistema de monitoramento de rios do Consórcio das Bacias PCJ e da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica. Foram levantadas as vazões médias em oito pontos de mananciais que abastecem a região: Vazões médias registradas em outubro nos rios da região Confira abaixo o mapa dos pontos de medição na região: Vazões dos rios da região de Campinas aumentam até 10 vezes em outubro Mais chuvas e segurança no abastecimento De acordo com Aguinaldo, os aumentos nas vazões dos rios estão relacionados ao maior volume de chuvas na região. Em alguns dias de outubro, por exemplo, alguns mananciais contabilizaram volumes atípicos, como o Rio Piracicaba, em Americana (SP), que chegou a 481 litros por segundo em 26 de outubro de 2026 — impactado por precipitações volumosas por dias seguidos. "Quando a gente tem chuvas intensas assim, ocorre uma vazão de pico dos rios, porque existe um volume muito alto de água que vai em um período muito curto de tempo para dentro dos rios. E, com isso, há um aumento atípico das vazões", explicou. No caso de Campinas, o mês de outubro terminou com um acumulado de 376 milímetros de chuva, mais do que triplicando a média climatológica de 117 milímetros para outubro. A precipitação no mês foi a maior desde 1991, início da série histórica do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Rio Piracicaba, em ponto próximo à captação de água em Americana (SP) Reprodução/EPTV Além do volume elevado, outubro foi marcado pela frequência das precipitações. Tal cenário foi observado não só em Campinas, mas em outras cidades da região, de acordo com o meteorologista Bruno Bainy. "Parcialmente o El Niño tem essa influência. A gente tem ventos fortes nos níveis mais elevados da troposfera e esses ventos podem ajudar a modular e favorecer a ocorrência de chuvas", disse. Aguinaldo afirmou que o cenário traz segurança para o abastecimento das cidades. "As vazões, embora estejam baixando, estão baixando para um patamar mais estável, principalmente para os municípios que estão sob influência do sistema Cantareira, onde está chovendo bastante para o período e a água tende a ficar armazenada como garantia", ponderou. Da situação de emergência à tranquilidade Há um ano, Americana vivia uma situação de constante falta de água. O município chegou a decretar estado de emergência hídrica devido à crise no abastecimento. Na época, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) explicou que o problema era decorrente da má qualidade da água do Rio Piracicaba, que ocorre quando a vazão do manancial é muito baixa. Quando a qualidade do rio cai, são necessárias mais etapas de tratamento para garantir a potabilidade da água. Além disso, a limpeza de reservatórios se torna mais frequente. Contraste do Rio Piracicaba no ponto de captação em Americana (SP): em outubro de 2025 e em outubro de 2026 Initial plugin text O contraste com a vazão do Rio Piracicaba neste ano, que teve vazão média de 140,2 mil litros por segundo em outubro, trouxe mais tranquilidade para o abastecimento, segundo Fábio Renato Oliveira, superintendente do DAE de Americana. "A gente tinha de diminuir a velocidade da tratabilidade, porque com algas que tinha davam impacto no esgotamento dos filtros, tinha de fazer aquelas retrolavagens. Foi aquele impacto que ficou um bom tempo sem chover. Agora está chovendo bastante, né? Em comparação ao ano passado", comemorou. A mudança foi sentida por moradores que sofreram com a falta d'água em 2025. O empresário Luiz Cláudio Izidoro contou que mora no bairro Praia dos Namorados e, no ano passado, chegou a ficar sem água por 10 dias. "Esse ano, graças a Deus, não faltou água. A qualidade está boa, né? E essa chuvarada encheu os reservatórios todos. É ficar assim, se Deus quiser", relatou. Por sua vez, o advogado Jailton Ribeiro Chagas destacou que, quando havia seca, a falta de água era constante e anteriormente até mesmo o excesso de água era desculpa. Algumas obras do DAE para corrigir o abastecimento resultaram em melhorias na região onde ele mora, o Parque Novo Mundo. "Embora as obras atrapalhem o trânsito constantemente, me parece muito mais que essa administração conseguiu organizar melhor as obras e corrigir a falta de água independentemente de chuvas ou não", comentou. A falta de água do ano passado fez Americana criar um plano emergencial de investimentos. Entre as medidas adotadas estão a construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) modular de 150 litros por segundo e reformas em filtros e válvulas. "A gente conseguiu fazer isso durante esse ano. As ETAs estão passando por uma modernização, porque eram equipamentos da década de 50", contou. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/11/02/vazoes-medias-rios-abastecem-regiao-campinas-aumentam-outubro-2026.ghtml


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