VÍDEO: veado que perdeu pata e ouriço 'domesticada' se recuperam em ONG no interior de SP

  • 18/10/2026
(Foto: Reprodução)
Sobreviventes de incêndio e acidente, ouriço domesticada e veado amputado são reabilitados Uma fêmea de ouriço-cacheiro que sobreviveu a um incêndio e não pode voltar à natureza por ser domesticada e um veado catingueiro que passou por uma amputação após um acidente. Esses são a Gigi e o Elliot, dois dos 80 animais cuidados por profissionais do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (IBIMM), na Fazenda Palmares, em Santa Cruz das Palmeiras (SP). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram A entidade sem fins lucrativos foi criada na fazenda com mais de 1.200 hectares e desenvolve ações de conservação da fauna e da flora há oito anos. O foco dos profissionais é resgatar e reabilitar animais silvestres vítimas de acidentes, incêndios e tráfico. Alguns deles ficam com limitações e passam a viver no local, enquanto outros, 100% recuperados, voltam à natureza. "Nós implantamos aqui dentro da Fazenda Palmares um mantenedor de fauna de animais silvestres, onde nós recebemos animais que não podem voltar para a natureza e aí esses animais acabam ficando aqui", explicou o coordenador do IBIMM, Edris Queiroz Lopes. Elliot e Gigi se recuperaram em ONG de Santa Cruz das Palmeiras (SP) EPTV/Reprodução 🦔 Gigi, uma fêmea de ouriço domesticada Fêmea de ouriço-cacheiro, a Gigi foi resgatada há aproximadamente três anos durante um incêndio ocorrido nas proximidades da Fazenda Palmares. Na ocasião, uma pessoa a encontrou ainda filhote e a levou até a entidade, onde passou a receber os cuidados necessários. O médico veterinário Armando Cruz Neto explicou ao g1 que, como Gigi era muito pequena e ainda estava na fase de amamentação, precisou ser alimentada com mamadeira a cada duas ou três horas pela equipe na fazenda. Gigi, a ouriço domesticada, que foi resgatada em um incêndio e está sob cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução "Esse contato intenso com os seres humanos durante uma fase importante do desenvolvimento provocou um processo conhecido como imprinting, no qual o animal passa a associar os humanos ao cuidado e à alimentação", disse. A Gigi permanece sob cuidados do IBIMM. "Apesar de o imprinting não significar, necessariamente, que um animal esteja impossibilitado de retornar à natureza, no caso dela, esse vínculo com os seres humanos torna a reintrodução bastante difícil." Ele explicou que, para que uma eventual soltura seja considerada, seria necessário avaliar cuidadosamente a capacidade da Gigi sobreviver, de forma independente, além de encontrar uma área de mata adequada, com condições ambientais favoráveis e menor interferência humana. "A prioridade é sempre garantir o bem-estar e a segurança do animal", acrescentou Armando. A líder de equipe Fernanda Luz falou sobre o comportamento dócil da Gigi. "Ela é muito dada com as pessoas. Você vê que a todo momento ela tenta ir com você. Não [solta espinho], só se ela se sentir ameaçada. Se ela se sentir ameaçada, aí é o jeito dela se defender." Gigi, a ouriço domesticada, que foi resgatada em um incêndio e está sob cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução 🦌 Elliot, o veado amputado O veado catingueiro Elliot é outro animal cuidado pela entidade. Segundo Armando, ele chegou por intermédio da Defesa Civil de Casa Branca, que o resgatou após um acidente em uma propriedade rural do município. O veterinário disse que, na ocasião, Elliot foi atingido por uma máquina colhedora de cana-de-açúcar, o que provocou uma lesão grave e levou à necessidade de amputação de um dos membros. "Atualmente, estamos aguardando que ele complete seu desenvolvimento físico, pois ainda é um filhote. A ideia é avaliar e iniciar a adaptação de uma prótese quando atingir a fase adequada para esse procedimento", disse. O veado Elliot foi resgatado após um acidente, teve que amputar um membro e está sob cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução De acordo com o veterinário, a prótese tem o objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida, melhorar a mobilidade e favorecer seu bem-estar. "Ela não significa, necessariamente, que ele poderá retornar à natureza." Armando ressaltou que, no ambiente natural, um animal precisa correr, fugir de predadores, se deslocar por terrenos irregulares e competir por recursos. "Mesmo com uma prótese, o Elliot poderia apresentar limitações nessas situações, ficando em desvantagem em relação a animais sem esse tipo de comprometimento. Além disso, existe o risco de a prótese dificultar sua sobrevivência diante de um ataque de predadores", acrescentou. Por esses motivos, o veterinário acredita que a perspectiva é que Elliot não retorne à natureza. "Nosso objetivo é proporcionar a ele a melhor qualidade de vida possível, com acompanhamento e cuidados adequados às suas necessidades." O veado Elliot foi resgatado após um acidente, teve que amputar um membro e está sob cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução Mais notícias da região: INDENIZAÇÃO: Mulher trans será indenizada após cadastro apontar sexo masculino em hospital do interior de SP TRANSTORNOS: Prejuízo de R$ 200 mil: Santa Casa tem 3 furtos de fios em 10 dias no interior de SP DICAS: Vai prestar vestibular? veja como a alimentação e outros hábitos podem te ajudar nos estudos 🐍 Soltura da sucuri Durante a reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, o IBIMM, acompanhado da Polícia Militar Ambiental, realizou a soltura de uma sucuri que chegou até eles após ser apreendida em uma ocorrência envolvendo um traficante de animais silvestres. "Segundo as informações do caso, ele foi preso três vezes no mesmo dia. O animal permaneceu sob nossos cuidados por aproximadamente dois anos. Como o caso envolvia uma apreensão e procedimentos judiciais, sua destinação não poderia ser decidida apenas pela equipe responsável pelo atendimento", contou. Armando disse que foi necessário aguardar as manifestações e autorizações das autoridades competentes, incluindo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Após a devida autorização judicial, foi possível realizar a soltura da serpente em ambiente adequado. Sucuri vítima de tráfico de animais foi solta na natureza após cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução Ele ressaltou que o caso da cobra demonstra que o trabalho com animais silvestres resgatados ou apreendidos envolve não apenas os cuidados veterinários, mas uma série de procedimentos legais e ambientais. "A soltura precisa ser realizada com responsabilidade, documentação e autorização dos órgãos competentes, sempre considerando as condições do animal e a segurança do ambiente em que será reintroduzido", disse o veterinário Armando. O também veterinário Diego Cortez explicou que as solturas precisam do acompanhamento de um órgão responsável, seja o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou a Polícia Ambiental. Sucuri vítima de tráfico de animais foi solta na natureza após cuidados do IBIMM em Santa Cruz das Palmeiras, SP EPTV/Reprodução Reabilitação de animais Edris explicou que o IBIMM conta com uma equipe de veterinários e parceiros. "Muitas vezes nós, por conta própria, fazemos a reabilitação desses animais. Nós fazemos cirurgias, fazemos implantes, tudo o que precisa se fazer para ele ter um bem-estar melhor, nós conseguimos fazer." O coordenador do instituto afirmou que quando o animal está reabilitado, ele é encaminhado para os Centros de Reabilitação. "Ou se é um animal que vai ficar pouco tempo, a gente faz a soltura aqui na nossa área mesmo." Coordenador do IBIMM, Edris Queiroz Lopes EPTV/Reprodução Quando os animais não sobrevivem, eles passam por taxidermia - técnica de preservar a pele, a forma e o tamanho de animais vertebrados mortos para fins de exibição, pesquisa científica ou educação ambiental. Em seguida, são doados à Polícia Ambiental de Pirassununga. "Eles trazem os animais, inclusive com as próteses, e a gente consegue mostrar para as crianças e para os adultos também, nas atividades de educação ambiental que a gente executa, para conseguir mostrar a realidade desses animais. É promover a educação da criança e a conscientização para que ela preserve a natureza quando se tornar um adulto", disse o tenente da Polícia Ambiental, Henri Domingues. Um dos veterinários da equipe do IBIMM é o Dr. Armando Cruz Neto EPTV/Reprodução A parceria do IBIMM com a Polícia Ambiental também funciona para a soltura dos animais que se recuperam e têm condição de retornar para a natureza. "A gente sente muito quando eles são levados para um zoológico maior ou quando vai ser solto na natureza, mas assim, é a vida, né? Então, a gente também tem que saber que um dia eles podem voltar para a natureza, que é o lugar deles, né? E o que fica é saudade", contou a líder de equipe, Fernanda Luz. Edris afirmou que a preservação do meio ambiente é o que vai salvar o planeta. "Eu só tenho que agradecer a todos e lutar muito. A gente tem que lutar porque se a gente quer ter um lugar melhor para a gente viver, a gente precisa cuidar do meio ambiente, da nossa fauna e da nossa flora." ASSISTA À REPORTAGEM COMPLETA: Fazenda em Santa Cruz das Palmeiras, SP, acolhe e recupera espécies da fauna brasileira REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/10/18/video-veado-que-perdeu-pata-e-ourico-domesticada-se-recuperam-em-ong-no-interior-de-sp.ghtml


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