UTI do Mário Gatti, em Campinas, reabre após 48 dias fechada por surto de superbactéria

  • 27/04/2026
(Foto: Reprodução)
Hospital Doutor Mário Gatti em Campinas Reprodução/EPTV A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto do Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP), voltou a receber novos pacientes nesta segunda-feira (27), após ficar 48 dias interditada por conta de um surto da superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida pela sigla KPC. O local, que não recebia novas internações desde 10 de março, passou por uma reforma completa e um processo de higienização profunda para garantir a segurança de pacientes e funcionários, segundo informações da administração (entenda abaixo). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A interdição temporária da UTI foi determinada no dia 9 de março, depois que a bactéria foi detectada durante um monitoramento de rotina. Ela foi identificada em ao menos oito pacientes. Duas pessoas morreram, mas segundo a administração municipal, a KPC não foi a causadora do óbito. A KPC é um tipo de bactéria resistente a vários antibióticos e que pode circular em ambientes hospitalares de alta complexidade. Embora seja considerada relativamente comum, em Campinas a dificuldade de contenção obrigou o hospital a adotar a estratégia. LEIA TAMBÉM: KPC: o que é a superbactéria resistente a antibióticos que levou hospital a esvaziar UTI Reforma e higienização Durante o período em que esteve fechada, a unidade passou por uma grande reforma para aprimorar o controle de infecções. Segundo a prefeitura, as melhorias incluíram a criação de duas antecâmaras com dutos de ar-condicionado para garantir a pressurização correta do ambiente. Além disso, a administração realizou outras intervenções na estrutura: implementação de uma nova infraestrutura elétrica; criação de uma antessala com vedação adequada; melhorias sanitárias; mudanças nos depósitos de materiais e resíduos; ampliação do posto de enfermagem da unidade. Após a conclusão das obras, o local passou por três processos de limpeza terminal, que é uma higienização profunda e minuciosa de todas as superfícies e equipamentos. A prefeitura informou que, desde o início do surto, todas as medidas seguiram as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a reabertura, os pacientes que estavam em uma UTI provisória já começaram a ser transferidos de volta para a unidade. O que é A KPC? A KPC faz parte de um grupo de bactérias que são resistentes a antibióticos, por isso, é chamada de superbactéria; O agente infeccioso produz uma enzima que destrói vários antibióticos, medicamentos mais usados em casos de infecções bacterianas; A superbactéria foi identificada no Brasil no início dos anos 2000; desde então, surtos são registrados de tempos em tempos em unidades de saúde. Como surge? Segundo o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento desse tipo de bactéria é uma consequência da utilização de antibióticos potentes no ambiente hospitalar ao longo dos anos. "Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado", explica. Quais são os sintomas? Ainda de acordo com Trabasso, as infecções mais comuns em diagnósticos de KPC são: infecções de corrente sanguínea (sepse) pneumonia infecções do trato respiratório infecções urinárias, embora menos frequentes infecções de feridas operatórias Como prevenir? A KPC atinge de forma mais frequente pacientes internados que estão com a imunidade debilitada, como em em UTIs, por exemplo. A transmissão ocorre por meio do contato com os fluidos da pessoa infectada ou por aparelhos de ventilação mecânica, cateteres e sondas; Se há alguma falha no processo de higiene e desinfecção do ambiente hospitalar, ela pode aparecer e se alastrar de pessoa para pessoa. É a chamada transmissão cruzada; A infecção fora do ambiente hospitalar também pode ocorrer, mas a incidência é baixa. O médico infectologista ressalta a necessidade de ter atenção e cuidado, em especial: para a população em geral: realizar sempre higiene das mãos, seja com água e sabão comum ou com álcool gel, após ter contato com as pessoas. para os profissionais de saúde: obedecer as regras específicas de higiene e segurança. Vídeos em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/04/27/uti-do-mario-gatti-em-campinas-reabre-apos-48-dias-fechada-por-surto-de-superbacteria.ghtml


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