Tem água ou não? Entenda em 5 pontos o abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani

  • 14/09/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda o sistema de abastecimento de de Ribeirão Preto, SP, em 5 pontos Tem água no Aquífero Guarani? Sim. Mas isso não significa que ela chegue com regularidade à torneira de todos os moradores de Ribeirão Preto (SP). Depois de o g1 mostrar que um relatório técnico aponta capacidade de abastecimento da cidade pelo manancial subterrâneo, desde que haja mudanças na captação, a nova pergunta é: por que ainda pode faltar água em bairros? Segundo o engenheiro civil especialista em abastecimento Carlos Eduardo Nascimento Alencastre, que acompanha há anos as discussões sobre o aquífero, as interrupções no abastecimento não significam, necessariamente, falta de água no Guarani. “Não tem relação direta. O aquífero, a água já está lá. [...] É um problema do sistema de abastecimento. Às vezes ele está mal dimensionado para atender aquela população”, afirmou. A explicação passa por perdas na rede, vazamentos, encanamentos antigos, reservatórios, distribuição pouco interligada e concentração de poços em áreas já pressionadas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Entenda a questão da água em Ribeirão Preto, SP, em 5 pontos Reprodução/EPTV 1. Tem água ou não? Tem água no Aquífero Guarani, que é a fonte de abastecimento de Ribeirão Preto. O problema apontado por especialistas e pelo relatório técnico não é de falta imediata do manancial, mas de como a cidade retira, armazena e distribui essa água. O relatório final do projeto GRIP, elaborado pela Tritium Geologia e Meio Ambiente para a Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp), aponta que o sistema precisa mudar para aliviar as áreas mais pressionadas e evitar agravamento do rebaixamento da água subterrânea. Em outras palavras: a água existe no subsolo, mas precisa passar por um sistema eficiente até chegar às casas. 2. Por que falta água em bairros? Segundo Alencastre, a falta d’água em bairros está mais ligada ao sistema de abastecimento do que à disponibilidade de água no aquífero. Ele cita problemas como rede mal dimensionada, perdas no caminho, vazamentos em tubulações antigas, reservatórios que transbordam e consumo elevado. “Foi colocada, inclusive, na reunião, a insistência na educação ambiental, na mudança do comportamento das pessoas de Ribeirão Preto, que desperdiçam muita água, que usam muita água. E também as perdas no próprio sistema, insistir no combate a essas perdas, setorizando a distribuição da água, eliminando encanamentos antigos, velhos, que vazam muita água, reservatórios que também transbordam água”, disse. Na prática, isso significa que uma cidade pode ter água disponível na fonte e, mesmo assim, registrar falhas no fornecimento por causa da operação entre o poço e a torneira. Mapa do abastecimento mostra o que precisa mudar para despressionar o abastecimento em Ribeirão Preto, SP Guilherme Medeiros/EPTV 3. Quanto Ribeirão perde de água? No Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, Ribeirão Preto aparece com 36,82% de perdas na distribuição, com base em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). O mesmo levantamento coloca Ribeirão na 30ª posição entre os 100 municípios mais populosos do país. A cidade tem 99,65% de atendimento total de água, 98,97% de atendimento total de esgoto e 88,01% de tratamento total de esgoto, mas não teve nota máxima nos indicadores de perdas. O histórico mostra que o problema vem de longe. Em 2018, reportagem do g1 mostrou que Ribeirão aparecia com 61,8% de perdas, segundo dados de 2016 usados pelo Instituto Trata Brasil. Reorganização do sistema é importante para garantir abastecimento em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV LEIA MAIS Relatório aponta capacidade de abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050, desde que captação mude Entenda quais bairros passarão por obras por causa da falta d'água em Ribeirão Preto, SP Prefeitura anuncia obras para melhorar distribuição de água em Ribeirão Preto; veja medidas 4. O que os poços têm a ver com isso? Ribeirão Preto depende de poços para captar água subterrânea. O relatório aponta que a concentração desses poços no miolo urbano aumenta a pressão sobre o Aquífero Guarani em áreas específicas, o que pode diminuir a pressão e causar falta d'água. Segundo o estudo, a exploração mais intensa nas zonas centrais provoca rebaixamento da água subterrânea, que é a queda do nível ou da pressão da água no aquífero. Isso pode reduzir a vazão dos poços, aumentar custos e prejudicar a produtividade das captações. Alencastre explica que um poço pode interferir no outro quando há muitos equipamentos próximos e bombeando por longos períodos. “São 24 horas de bombeamento. Então esse bombeamento, um poço interfere no outro e vai formando um cone de rebaixamento”, afirmou. Condomínios ficam sem água por causa de problema no poço CDHU no Nova Aliança em Ribeirão Preto, SP falta d'água torneira seca desabastecimento Aurélio Sal/EPTV Para ele, a saída é descentralizar parte das captações. “É descentralizar essa concentração de poços para fora da área urbana, em que você capta ainda em regiões que estão virgens de captação de água. Então, você promove uma sobrevida ao abastecimento através do aquífero.” O relatório analisou o uso público e privado da água subterrânea. No modelo, foram considerados 114 poços públicos e 292 privados. 5. O que está sendo feito para mudar? As mudanças passam por obras e por uma nova lógica de operação. Em julho de 2025, a Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou mais de R$ 40 milhões em investimentos para melhorar o sistema de abastecimento. O pacote inclui recursos do Novo PAC e do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa). Uma das frentes prevê 9.880 metros de novas redes de distribuição e a construção de um reservatório de 1 mil m³ na Vila Tibério. A estimativa divulgada era beneficiar diretamente mais de 300 mil pessoas. Outra frente prevê licitação para quatro poços tubulares profundos e implantação de 5,5 mil metros de redes de abastecimento no setor Ribeirânia, com foco na redução de perdas. A população estimada beneficiada nessa região é de 35 mil pessoas. Reservatório de água da Saerp em Ribeirão Preto, SP Ronaldo Gomes/EPTV Segundo informação usada nesta apuração, as obras seguem em processo licitatório. O modelo recomendado pelo relatório também prevê que a água deixe de ir diretamente dos poços para a rede e passe antes por reservatórios. A lógica é: poço → reservatório → rede de distribuição Com mais reservação e redes interligadas, o sistema tende a ter mais controle para lidar com vazamentos, manutenção, quebra de bombas ou aumento de consumo em determinados bairros. O relatório também recomenda reduzir a pressão nas áreas centrais, redistribuir parte das captações e implantar gradualmente campos de poços no setor sul. Isso não significa transferir toda a captação para a Zona Sul, mas aliviar regiões mais pressionadas e buscar áreas com menor interferência entre poços. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/09/14/tem-agua-ou-nao-entenda-em-5-pontos-o-abastecimento-de-ribeirao-preto-sp-pelo-aquifero-guarani.ghtml


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