Tarifas dos ônibus metropolitanos da EMTU na Grande SP terão reajuste médio de 4,24% a partir de 6 de janeiro
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Tarifas de ônibus da EMTU terão reajuste a partir de 6 de janeiro
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) - ligada ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) - autorizou no dia 30 de dezembro o reajuste das tarifas dos ônibus metropolitanos operados pela antiga EMTU.
Os novos valores passam a valer a partir de 6 de janeiro, com reajuste médio de 4,24%.
O reajuste afeta os ônibus metropolitanos que ligam a capital a cidades da Região Metropolitana. Em alguns trajetos, o impacto no bolso é imediato.
Na linha 297, que liga São Paulo a Caucaia do Alto, em Cotia, a passagem sobe de R$ 9,20 para R$ 9,65.
Já na linha 422, que vai para Itapevi, a tarifa passa a custar R$ 8,90. Passageiros reclamam do valor cobrado diante das condições do serviço.
Reajuste médio das tarifas da EMTU na Região Metropolitana de São Paulo.
Reprodução/TV Globo
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Novos valores por tipo de linha
A autorização para os reajustes foi publicada no Diário Oficial do Estado, por meio da Resolução nº 21 da Artesp. Os valores variam conforme o tipo de linha e a distância percorrida:
Linhas comuns: de R$ 4,15 a R$ 12
Linhas seletivas: de R$ 9 a R$ 30,65
Linhas especiais (como as que ligam Osasco e Cotia à capital): de R$ 7,70 a R$ 8,75
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Eliel Santos/Divulgação
A fiscalização das empresas é responsabilidade da própria Artesp. Usuários, no entanto, reclamam não apenas do aumento, mas também da demora nos pontos, da superlotação e da qualidade dos ônibus.
“É um absurdo pagar uma passagem no valor que a gente paga pra vir numa situação dessa”, disse a cozinheira Valquíria Leite.
O aumento pegou passageiros de surpresa em terminais da capital e da Grande São Paulo. No terminal do Metrô São Paulo–Morumbi, a coordenadora de RH Eliana Fernandes lamentou a mudança logo no início do ano.
“Vai aumentar terça-feira… Pois é, né? Bem-vindo, ano novo, feliz ano novo. Tem que ser com aumento, se não, não vale, né?”, disse.
“Esse aqui é uma das passagens mais pesadas que tem. É difícil acesso pra gente que mora em Caucaia e são poucas unidades”, afirmou o oficial de manutenção Marco Antônio da Silva.
“O ônibus vem muito cheio e demora pra passar. O intervalo é muito grande e o valor também é muito alto”, afirmou a diarista Jane Guimarães.
Frota envelhecida e poucos ônibus sustentáveis
Situação da frota da EMTU em São Paulo.
Reprodução/TV Globo
Dados obtidos pelo SP2 por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que 3.632 ônibus metropolitanos atendem as cidades da Grande São Paulo. Desse total:
1.399 veículos não têm ar-condicionado;
888 ônibus têm mais de 10 anos de uso;
Apenas 100 veículos — menos de 3% da frota — são movidos a energia limpa.
Contratos emergenciais desde 2016
Especialistas e passageiros apontam que o reajuste não resolve os problemas estruturais do sistema. A última licitação para o transporte metropolitano venceu em 2016, e desde então o serviço opera com contratos emergenciais.
Em julho do ano passado, o SP2 mostrou as dificuldades enfrentadas diariamente pelos usuários. Na época, o presidente da Artesp, André Isper Rodrigues Barnabé, prometeu uma nova licitação.
Segundo ele, o objetivo é mudar o modelo de remuneração das empresas.
“Mais importante é a licitação. Criando uma nova licitação, a gente obriga a nova concessionária a transportar de uma maneira diferente. Uma forma de pagamento desse serviço que hoje é por passageiro. Incentivo do operador é rodar com menos ônibus mais lotados, mas a gente quer mudar esse sentido pra que a remuneração seja por transporte. Pelo ônibus transportando, isso só é possível com uma nova licitação que o governo tá encaminhando...”, disse.
Enquanto isso, quem faz trajetos mais longos, como entre Guarulhos e a capital, já paga quase R$ 10 pela passagem.
“Se for aumentar, tem que melhorar os ônibus. Tem muito ônibus quebrado, precário. Não é só aumentar”, reclamou a encarregada de limpeza Jéssica Camila dos Santos.