Tarcísio chama proibição das bets de 'oportunismo eleitoral' e diz que governo só agiu 'faltando nove dias para a eleição'
26/09/2026
(Foto: Reprodução) Tarcísio de Freitas chamou proibição de bets de "oportunismo eleitoral"
Reprodução/TV Globo
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou neste sábado (26) como "oportunismo eleitoral" o anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no país. Segundo ele, o governo federal só passou a tratar o tema às vésperas da eleição. Lula tem como principal adversário na disputa presidencial o senador Flávio Bolsonaro (PL), apoiado por Tarcísio.
"É claro que é oportunismo eleitoral. O que deixa chateado é o seguinte: o senso de urgência só foi desenvolvido agora. Agora eles perceberam que isso é um problema, faltando nove dias, uma semana para a eleição", afirmou a jornalistas após atividade de campanha na capital paulista.
O governador atribuiu à política econômica do governo federal o endividamento da população e afirmou que muitos brasileiros recorrem às apostas na tentativa de complementar a renda ou melhorar a situação financeira.
Governo anuncia proibição das bets no país
"Quer dizer, ao longo de quatro anos, eles não perceberam que o brasileiro está massacrrado, está endividado por causa da taxa de juro elevada, e a taxa de juro é elevada porque o governo gasta muito. As pessoas estão se endividando nas bets, buscando lá, de repente, melhorar a sua renda ou conseguir alguma coisa. E isso é ilusão, porque não consegue, só joga dinheiro fora, e agora eles se preocuparam com isso. Ou seja, não é uma semana de medidas que você vai apagar quatro anos de fracasso", afirmou.
Tarcísio também disse que o eleitor que vive dificuldades financeiras "está vacinado" com relação a medidas que, segundo ele, são eleitoreiras. "O brasileiro não quer viver de Desenrola em Desenrola, porque isso resolve o problema das contas do passado. A gente tem que começar a olhar como é que a conta vai fechar no futuro. É por isso que o Brasil precisa de mudança", declarou o governador, fazendo referência ao programa de renegociação de dívidas do governo federal, que teve a terceira edição anunciada nesta semana.
Embora afirme ser "absolutamente contra" bets e jogos de azar, Tarcísio defendeu uma "discussão responsável" sobre a proibição para evitar riscos da "insegurança jurídica". Também disse que não faz sentido o governo apoiar times de futebol que perderão recursos de patrocínios das casas de apostas. Nesta semana, Lula afirmou que clubes terão de aprender a viver sem as bets.
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"Tem muitos pontos aí que precisam ser clarificados para a população. Como é que o governo, por exemplo, está pensando aí em ajudar os clubes de futebol. É isso mesmo? Nós vamos ajudar os clubes de futebol com o dinheiro do trabalhador? Não faz sentido. Então tem muita coisa que tem que ver a as claras à tona, essa discussão que tem que ser responsável e o Brasil tem que ser o país da segurança jurídica, não da insegurança jurídica", declarou o governador.
A declaração ocorre um dia após Lula anunciar a proibição das bets em todo o país, medida que o governo federal apresenta como uma forma de combater o endividamento das famílias os impactos sociais associados às apostas online.
Apesar das críticas à forma e ao momento da decisão, Tarcísio voltou a afirmar que considera as apostas uma ameaça às famílias brasileiras e citou declarações anteriores sobre o tema.
"Há tempos atrás eu falei: ou o Brasil acaba com esse negócio ou isso acaba com o Brasil, acaba com a sociedade, acaba com as pessoas. A gente tem que proteger as famílias", declarou.