Superlotação faz pacientes serem atendidos em corredores no Hospital Regional de Presidente Prudente
25/07/2026
(Foto: Reprodução) Hospital Regional de Presidente Prudente opera acima da capacidade máxima
Pacientes estão sendo atendidos nos corredores do Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente (SP) devido à superlotação da unidade. A situação foi denunciada à TV TEM e confirmada pelo Departamento Regional de Saúde (DRS), que atribui a alta ocupação ao aumento de casos de doenças respiratórias.
Uma denúncia encaminhada à TV TEM relata que pacientes estão acomodados em macas nos corredores do hospital, sem condições consideradas adequadas de internação.
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Superlotação faz pacientes serem atendidos em corredores no HR de Presidente Prudente
Arq
De acordo com a denúncia, um dos pacientes necessita de cirurgia com urgência. A família afirma que ele procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no dia 16 de julho.
Na data, o paciente levou exames realizados na rede particular e um encaminhamento médico que apontava a gravidade do quadro clínico. Ainda assim, a vaga hospitalar teria sido disponibilizada apenas no dia 21 de julho.
Conforme o relato, a expectativa era de que o paciente fosse internado em um leito. No entanto, ao chegar ao hospital, permaneceu em um corredor, em condições consideradas precárias pelos familiares. "Corredor não é internação", resume a denúncia.
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Os familiares também afirmam que a superlotação tem sobrecarregado as equipes de saúde, o que, segundo eles, acaba refletindo no atendimento, com episódios de grosseria e desrespeito envolvendo pacientes e acompanhantes.
A denúncia ainda questiona a prioridade de atendimento dentro da unidade e afirma que pacientes do sistema prisional estariam sendo atendidos antes de outros casos. A alegação representa a percepção da família e deverá ser esclarecida pela direção do hospital.
Imagens registradas no interior do hospital foram encaminhadas à reportagem para ilustrar a situação. A família afirma que decidiu tornar o caso público para cobrar providências das autoridades competentes e pede a apuração dos fatos pelos órgãos de fiscalização.
Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente (SP)
Arquivo/g1
O que dizem os responsáveis?
O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Presidente Prudente informou à TV TEM que o Hospital Regional de Presidente Prudente é referência em alta e média complexidade para os 45 municípios que compõem a região.
Segundo o órgão, entre os meses de março e julho ocorre aumento na demanda por atendimentos de urgência e emergência em razão da sazonalidade dos vírus respiratórios, o que pode provocar, pontualmente, maior ocupação da unidade.
O DRS orienta que, para os casos leves, a população deve procurar as unidades de atenção básica, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte de Presidente Prudente
Emerson Sanchez/TV TEM
Ainda conforme a nota, o Hospital Regional de Presidente Prudente acolhe todos os pacientes que o procuram atendimento e utiliza o Protocolo de Manchester para classificação de risco, priorizando os casos de maior gravidade.
O órgão confirmou que, neste momento, o hospital opera acima da capacidade e informou que mantém diálogo constante com os serviços de saúde da região para realizar os encaminhamentos necessários.
Sobre a alegação de prioridade no atendimento a pacientes do sistema prisional, o DRS reiterou que o atendimento é definido exclusivamente por critérios assistenciais e pela classificação de risco.
No último ano, a unidade ampliou sua capacidade assistencial com 36 novos leitos de clínica cirúrgica e duas novas salas cirúrgicas. A ampliação representa um aumento de 30% na capacidade mensal de cirurgias eletivas, beneficiando mais de dois mil pacientes por ano.
Síndrome respiratória aguda grave
O tempo seco e a oscilação da temperatura, característicos do inverno na região de Presidente Prudente, pressionam o atendimento nas Santa Casas e prontos-socorros.
Números da Secretaria Estadual da Saúde mostram que cresceu a incidência da síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que reúne os casos mais graves de infecções respiratórias e exige hospitalização.
Inverno faz crescer a incidência da síndrome respiratória aguda grave (SRAG)
Reprodução/RBS TV
Na região, somente neste ano, Presidente Prudente lidera em número absoluto de registros, com 46 casos e quatro mortes.
Rosana chama a atenção pela maior incidência proporcional: são 14 casos, três óbitos e taxa de 82,83 casos para cada 100 mil habitantes.
Confira os números de casos e de mortes por síndrome respiratória na região:
Presidente Prudente
Casos: 46
Mortes: 4
Rosana
Casos: 14
Mortes: 3
Dracena
Casos: 15
Mortes: 2
Pirapozinho
Casos: 4
Mortes: 1
Presidente Venceslau
Casos: 4
Mortes: 1
Quatá
Casos: 3
Mortes: 1
Euclides da Cunha Paulista
Casos: 1
Mortes: 1
Paulicéia
Casos: 1
Morte: 1
Lotação nas unidades de saúde
Em Rancharia, município que costuma registrar algumas das menores temperaturas da região, o movimento no Pronto-Socorro do Hospital e Maternidade segue acima do normal.
O presidente da unidade, Nelson Coletto, ressalta que a situação está sob controle e que, até o momento, nenhum paciente precisou ser transferido por falta de vaga.
Ainda assim, o cenário preocupa: dos 105 leitos disponíveis, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a ala de observação operam com lotação máxima.
Fernando Costa Moraes, médico do pronto-socorro de Rancharia, reforça a atenção para a situação clínica. “No inverno, a gente tem realmente uma sobrecarga, um aumento de demanda importante nos casos de doenças respiratórias”, diz.
Devido a este aumento, há possibilidade de os casos serem atendidos na UTI, como infecções e complicações das doenças pulmonares obstrutivas crônicas, no caso da asma, explica o especialista.
Vacina disponível no SUS é aplicada em gestantes para proteger bebês de doenças respiratórias graves
Reprodução/TV Globo
Aumento de casos na região
O da demanda pelo serviço de saúde não é exclusivo de Rancharia. Na Santa Casa de Martinópolis, a ocupação chega a 80% dos leitos de internação, impulsionada principalmente pelo crescimento de pacientes com doenças respiratórias nesse período.
Em Álvares Machado, os dados consolidados entre março e meados de julho evidenciam o impacto do período de frio na saúde da população.
Os casos de pneumonia passaram de nove registros em março para 27 entre junho e julho, um aumento de 200%.
Já os atendimentos por infecções das vias aéreas superiores, como faringites, laringites e sinusites, cresceram de 27 para 95 casos no mesmo período, alta de 252%.
A equipe de enfermagem da Santa Casa de Álvares Machado destaca que o avanço dos casos acompanha a maior circulação de vírus durante o inverno. Por causa disso, os servidores reforçam a necessidade de manter os cuidados preventivos.
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