Símbolo de filme nacional vencedor do Globo de Ouro: mais de 700 orelhões que ocupam ruas no noroeste de SP serão removidos pela Anatel
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Os orelhões estão sendo removidos das ruas do Brasil
Durante décadas, eles estiveram em vários espaços públicos e privados. Enquanto ganham destaque no cinema nacional, os orelhões começaram a desaparecer das ruas do país. O tradicional telefone público, que virou um dos símbolos visuais do filme "O Agente Secreto", vencedor do Globo de Ouro 2026, está sendo retirado após o fim das concessões de telefonia fixa.
No longa, ambientado na década de 1970, o orelhão assume papel central na construção da narrativa - é quase um personagem. Em várias cenas, Marcelo, vivido por Wagner Moura, utiliza o telefone público para se comunicar, e a imagem se tornou uma das marcas registradas da produção, usada inclusive na divulgação internacional do filme.
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A presença do orelhão no longa também contribui para reconstruir a identidade urbana brasileira da época retratada, quando o acesso ao telefone era limitado e o uso do equipamento fazia parte do cotidiano da população.
Filme 'O Agente Secreto' é estrelado por Wagner Moura
Victor Jucá/Divulgação
👂 Fora das telas, o cenário é outro. No início deste mês, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos em todo o Brasil. A medida ocorre após o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa, que vinha sendo cada vez menos utilizado pela população.
De acordo com a Anatel, nas principais cidades do noroeste paulista ainda existem 787 orelhões ativos. A maior concentração está em São José do Rio Preto (SP), com 377 aparelhos. Em seguida, aparece Araçatuba (SP), com 114. Veja a arte abaixo.
Segundo a agência, a retirada será feita de forma gradual e segue uma tendência observada em todo o país, impulsionada pela popularização dos celulares e pela queda no uso do serviço público de telefonia.
📞 Com o fim dos contratos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.
Mais de 700 orelhões ocupam as ruas nas maiores cidades do noroeste paulista
Arte/g1
Veja no mapa abaixo quantos orelhões existem na sua cidade:
Orelhão instalado na Rua Eduardo Nielsen, bairro Jardim Aeroporto, em São José do Rio Preto (SP)
André Modesto/TV TEM
☎️ Criação do orelhão
Arquiteta Chu Ming Silveira criou o orelhão
Reprodução/Acervo de Chu Ming Silveira
Criado para democratizar o acesso à comunicação, o orelhão foi mais do que um serviço público: se tornou ponto de encontro e até abrigo improvisado da chuva. Foi ali, ao ouvir o clássico "chamada a cobrar", que muita gente esperava ansiosa até cair a ficha - literalmente - para completar a ligação.
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente, eles tinham outros nomes: à época, foram criados apelidos para o design, como "tulipa", "capacete de astronauta" e, por fim, o definitivo "orelhão".
Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, em formato de ovo, reproduzido no Peru, Angola, Moçambique e China.
Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo.
Segundo o site oficial da criação, o primeiro orelhão foi instalado no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1972, e chegou a São Paulo cinco dias mais tarde.
Projeto de orelhão
Reprodução/Acervo de Chu Ming Silveira
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