Roedor 'alpinista' do Nordeste é 100% brasileiro: conheça o mocó
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Roedor 'alpinista' do Nordeste é 100% brasileiro: conheça o mocó
Entre as rochas, serras e lajedos do semiárido brasileiro vive um "alpinista" natural. O mocó (Kerodon rupestris) é um roedor típico da Caatinga e um velho conhecido das paisagens pedregosas do Nordeste. Endêmico do Brasil — ou seja, só existe aqui —, ele ocorre no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Piauí e no norte de Minas Gerais.
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Adaptado a ambientes rochosos, o mocó vive em áreas onde a vegetação consegue se manter verde durante boa parte do ano, mesmo em condições de seca. Nesses locais, alimenta-se principalmente de folhas, flores, sementes e cascas de árvores.
“Essas áreas rochosas acabam funcionando como refúgios, porque mantêm vegetação disponível durante boa parte do ano”, explica o biólogo e especialista em mamíferos Fábio Nascimento.
Mocó (Kerodon rupestris)
gabriel_lobog/iNaturalist
Primo da capivara
Embora seu tamanho lembre mais um preá ou um porquinho-da-índia, a ciência revela um parentesco surpreendente. O mocó pertence ao grupo dos roedores caviomorfos, da família Caviidae.
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“As capivaras são o parente vivo mais próximo do mocó”, destaca Fábio. Ambos fazem parte da subfamília Hydrochoerinae.
Fisicamente, o animal apresenta dorso acinzentado e ventre marrom-claro. Um adulto pode pesar até 1 kg e medir entre 20 e 40 centímetros de comprimento. A cauda é ausente ou reduzida a um pequeno vestígio.
Mocó é escalador e vive em grupos
ninawenoli e thomazcallado
Já as patas possuem um "segredo" evolutivo: são acolchoadas (almofadinhas), uma adaptação fundamental para a vida sobre as pedras quentes e irregulares.
“Mesmo sem garras e praticamente sem cauda, os mocós são escaladores extremamente habilidosos”, ressalta o especialista.
Vida em grupo
Mocó é escalador e vive em grupos
andryalins / iNturalist
A espécie não apresenta dimorfismo sexual visível (machos e fêmeas são parecidos). O comportamento social é marcado pela vida em grupos formados, em geral, por um macho e várias fêmeas, com hábitos poligâmicos e cuidado parental compartilhado.
“Os machos defendem ativamente os afloramentos rochosos onde o grupo vive”, explica Fábio Nascimento.
O mito do 'mocó-cantador'
Nos últimos anos, o termo “mocó-cantador” ganhou as redes e a curiosidade popular, sugerindo a existência de uma espécie diferente ou rara. Mas, segundo o biólogo, trata-se apenas de um comportamento natural do animal.
“O chamado ‘canto’ do mocó é uma vocalização. Provavelmente o nome surgiu como um regionalismo ou a partir da observação de indivíduos vocalizando”, afirma.
Mocó é escalador e vive em grupos
adeilsonmelo / inaturalist
Esses sons (vocalizações) fazem parte de um repertório mais amplo de comunicação da espécie. “Os sons podem estar ligados à comunicação entre indivíduos, alerta, acasalamento ou até situações de forrageamento”, detalha o especialista.
Apesar de parecer incomum para quem observa de longe, "falar" não é exclusividade do mocó.
Esses sons (vocalizaç fazem parte de um repertório mais amplo de comunicação da espécie. “Os sons podem estar ligados à comunicação entre indivíduos, alerta, acasalamento ou até situações de forrageamento”, detalha o especialista.
Discreto e resiliente, o mocó é mais um exemplo da biodiversidade singular da Caatinga, um bioma que segue revelando estratégias de sobrevivência fascinantes.
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