Queda de avião em Mogi Mirim: o que são aeronaves experimentais e por que cada uma é única

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Avião de pequeno porte cai em Mogi Mirim O avião que caiu e matou o piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, nesta quarta-feira (29), em Mogi Mirim (SP), era classificado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como experimental e de construção amadora. Segundo a Anac, as aeronaves experimentais não formam uma categoria uniforme. Elas podem ter diferentes características, formas de construção e finalidades. Por isso, cada uma é considerada "única". LEIA TAMBÉM: Amigos se despedem de piloto de 25 anos morto em acidente aéreo em Mogi Mirim: 'Guardar na memória o seu sorriso' A categoria abrange modelos feitos por amadores, aviões para exibições aéreas ou quebra de recordes, além de protótipos de fabricantes que buscam certificação futura. O tipo mais comum é o de construção amadora, mesma classificação do ultraleve modelo que caiu em Mogi Mirim. 📁 As informações sobre classificação, documentos, segurança e restrições de voo apresentadas nesta reportagem constam nos manuais e registros da agência. Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) analisa local do acidente aéreo, na zona rural de Mogi Mirim, na manhã de 30 de julho de 2026 André Luís Rosa/EPTV O que é a construção amadora? Para se enquadrar nessa modalidade, o dono precisa comprovar que fabricou pelo menos 51% do avião para educação ou recreação própria. A restauração de aeronaves certificadas, militares ou o uso de peças de aviões acidentados não contam como construção amadora. O avião envolvido no acidente foi fabricado em 2004. Ele tinha dois assentos e podia carregar até 650 quilos. Conforme o cadastro, a escola de aviação Sport Pilot comprou a aeronave em março de 2026. Pelas regras da categoria, aviões experimentais amadores não precisam cumprir as mesmas exigências técnicas dos modelos com certificação padrão. O construtor usa as próprias habilidades para fabricar a aeronave e assume os riscos do voo. A atuação da Anac se concentra na análise de documentos. A agência verifica se a maior parte do avião foi feita pelo interessado e se há um engenheiro responsável. Essa análise, no entanto, não avalia o nível de segurança da aeronave. O piloto e coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) Enio Beal Jr., que atua há mais de 40 anos na aviação, explica que, de forma geral, uma aeronave experimental não passou pelo processo normal de certificação. Beal afirma que não é possível dizer que uma aeronave experimental oferece o mesmo nível de segurança de um avião certificado. No entanto, ele pondera que isso não significa que ela seja necessariamente perigosa. “Depende muito de quem vai operar. Eu não posso dizer que a segurança é a mesma. Agora, dizer que é perigoso... A aviação experimental é menos segura, mas eu entraria [em um avião experimental] se soubesse quem fabricou, quem montou o kit”, disse. “Por isso, eu vou dizer que ela é perigosa? Não. Ela é menos segura do que uma aviação certificada, em que os requisitos são muito maiores”, completou. Avião de pequeno porte cai, pega fogo e piloto morre em Mogi Mirim Reprodução/EPTV Autorização para voar Para voar, o avião precisa do Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave). O documento permite a operação, mas não equivale a um atestado de segurança padrão. A aeronave também deve estar no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) e ter o Certificado de Matrícula Experimental (CME). O cadastro consultado pelo g1 indicava que o avião acidentado possuía o Cave e podia ser operado pela escola Sport Pilot. Restrições de uso e aulas É proibido usar essas aeronaves para o transporte pago de pessoas ou bens, como voos panorâmicos. A única atividade remunerada permitida é a instrução de pilotos, desde que haja aprovação prévia. Ao g1, a Anac informou que aeronaves com Certificado de Aeronavegabilidade Especial para Aeronave Leve Esportiva (Ceale) podem ser usadas em voos de treinamento. Centros de Instrução de Aviação Civil também podem oferecer esses aviões aos alunos, desde que tenham aprovação da agência. O cadastro da Anac informava que o ultraleve que caiu em Mogi Mirim não poderia ser usado em operações comerciais, serviços aéreos ou voos de instrução. Regras de voo As condições de operação dependem das características de cada aeronave. Em geral, os voos devem ocorrer de dia e sob regras de voo visual (quando o piloto se orienta pela visibilidade e por referências externas). A habilitação exigida varia conforme o tipo e o peso do avião. O piloto deve ter, no mínimo, o Certificado de Piloto Aerodesportivo ou uma licença específica. Para modelos com mais de 750 quilos, exige-se a Licença de Piloto Privado. Conforme o cadastro, o ultraleve acidentado exigia habilitação para aeronave aerodesportiva de asa fixa terrestre. A vítima, Leonardo Pinheiro, era gestor de segurança da escola Sport Pilot. Leonardo Bezerra Pinheiro era gestor de segurança em escola Redes sociais A queda O acidente ocorreu por volta de 16h30, na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural de Mogi Mirim. Na queda, a aeronave pegou fogo e, de acordo com o Corpo de Bombeiros, o piloto morreu carbonizado. Às 17h, a corporação estava no local do acidente combatendo as chamas. A aeronave de dois lugares, modelo Conquest, tinha prefixo PU-DON. O fato de o avião ser experimental não permite concluir o que provocou o acidente. A causa da queda será investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/07/30/queda-de-aviao-em-mogi-mirim-o-que-sao-aeronaves-experimentais-e-por-que-cada-uma-e-unica.ghtml


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