Quase três décadas depois, homem abusado sexualmente por padre quando criança ainda busca justiça: 'Me revoltei com Deus'

  • 23/01/2026
(Foto: Reprodução)
Processo tramita no Superior Tribunal de Justiça Gustavo Lima/STJ Quase três décadas depois, um homem de 34 anos ainda busca por justiça e tenta reconstruir a própria vida após denunciar ter sido vítima de abuso sexual cometido por um padre no ano 2000, em Cerqueira César, no interior de São Paulo. Na época, a vítima tinha nove anos. Maikon Daniel dos Reis ingressou com uma ação judicial contra Antonio Fábio Rodrigues dos Santos Zamberlan, de 65 anos, em 2018. O religioso é acusado do crime, e o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com julgamento previsto para o dia 13 de fevereiro. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao g1, Maikon relatou que o abuso ocorreu quando ele ainda era criança. Segundo ele, a visita à igreja católica aconteceu após um convite de dois amigos, já que, até então, a vítima não seguia nenhuma religião. Maikon contou que o crime ocorreu após o padre convidá-lo junto de dois amigos para irem até um sítio. Segundo o relato, ele aceitou o convite sem desconfiar de nada, mas percebeu comportamentos estranhos e, em determinado momento, foi chamado para um quarto. Assustado, disse que precisava ir embora. Ainda de acordo com Maikon, o abuso foi contado à mãe assim que ele voltou para casa. "Depois que minha mãe abriu o boletim de ocorrência, tivemos que ir embora da cidade. Havia muitos fanáticos religiosos e recebemos muitas ameaças. De Cerqueira César, nos mudamos para Piraju, Sarutaiá e Avaré", conta. Represália Segundo ele, houve represália, incluindo a divulgação da imagem dele e da mãe em um jornal local e episódios de bullying na escola. Maikon relata que as consequências afetaram toda a família. Já morando em Sarutaiá, ele ainda era reconhecido por moradores e chegou a sofrer intimidações, incluindo o arremesso de uma pedra contra a janela do quarto, acompanhada de uma carta com ameaças de morte. "Eu luto para sair do alcoolismo e faço tratamento até hoje. A igreja foi absolvida de qualquer responsabilidade e, hoje, são 26 anos de luta contra um episódio totalmente traumático. Chegaram a procurar minha mãe para suborná-la", alega. O processo O g1 teve acesso ao processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça. Em decisão assinada pela ministra Maria Isabel Gallotti, o acórdão afastou a responsabilidade da Arquidiocese de Botucatu, ao entender que o crime não teria relação com o exercício da função religiosa. No documento, a ministra afirma que a vítima não frequentava a igreja católica, não era fiel da paróquia e sequer sabia que o agressor era sacerdote no momento em que aceitou o convite para ir ao sítio, o que foi considerado um ponto incontroverso nos autos. Segundo Maikon, ele não mantém contato com o padre desde a última decisão judicial. Com o julgamento marcado, ele espera que o desfecho do processo traga alívio após anos de sofrimento e afastamento da família. O que dizem os envolvidos? Em nota, a Arquidiocese de Botucatu diz que, ao tomar conhecimento dos fatos e figurar como parte no processo judicial, apresentou sua defesa e adotou as medidas cabíveis. A organização foi questionada, mas não respondeu se Zamberlan segue como sacerdote. Ainda conforme a nota, a arquidiocese afirma que pretende se manifestar somente após o resultado do julgamento do padre. Via telefone, o Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus, onde Zamberlan atuava em Cerqueira César, informou que ele não atua mais como sacerdote no local há 18 anos e, desde então, nunca mais foi visto na região. Já o STJ e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) disseram que o caso segue sob segredo de Justiça e, por isso, não podem se manifestar. O g1 entrou em contato com a Nunciatura Apostólica, representante do Vaticano no Brasil, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A equipe também tenta contato com a defesa de Antônio. Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/01/23/quase-tres-decadas-depois-homem-abusado-sexualmente-por-padre-quando-crianca-ainda-busca-justica-me-revoltei-com-deus.ghtml


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