Quase dois meses após o plantio, sementes com cinzas dos Mamonas Assassinas germinam em cemitério de Guarulhos
27/04/2026
(Foto: Reprodução) Sementes com cinzas dos Mamonas Assassinas germinam em memorial
BioParque Guarulhos/Everton Rodrigueiro
Quase dois meses após a inauguração do memorial em homenagem aos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP), sementes de jacarandá plantadas em urnas com parte das cinzas dos músicos germinaram. As mudas podem ser visitadas gratuitamente pelos fãs.
Todo o processo começou com o plantio das sementes feito pelos familiares dos integrantes no dia 2 março, data em que a tragédia completou 30 anos.
O g1 acompanhou o momento em que as cinzas resultantes da cremação juntamente com outros compostos e a semente de um jacarandá, escolhida pela família, foram depositadas na biourna do centro de incubação do BioParque Memorial Mamonas Assassinas (veja vídeo abaixo).
As urnas ficarão nesse centro de 12 a 24 meses, período em que as sementes germinam e se tornam mudas de jacarandá.
“Após a germinação, a muda permanecerá em nosso centro de incubação por um período aproximado de 12 a 24 meses. Durante esse tempo, seu desenvolvimento é assistido e monitorado continuamente por nossa equipe de especialistas. Os familiares também poderão seguir a evolução por meio da Plataforma BioParque, um canal exclusivo para a criação do livro de memórias e o acompanhamento da muda. Além disso, os visitantes do Memorial poderão presenciar todas estas etapas do processo”, afirma Selma Capanema, gestora executiva da BiosBrasil.
Memorial em homenagem aos Mamonas Assassinas tem centro de incubação para mudas com cinzas
Para o memorial do Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli, a espécie escolhida foi o jacarandá por ser símbolo de sabedoria e renascimento.
“O jacarandá é uma árvore ornamental que pode crescer cerca de 1,5 metro por ano e atingir até 15 metros de altura. Durante a floração, apresenta abundância de flores em tons de lilás e azul, que chegam a cobrir toda a copa. Seus troncos, de cor castanho-escura e formato tortuoso, conferem uma silhueta marcante”, completa Selma Capanema, Gestora Executiva BiosBrasil.
Grace Alves, irmã do vocalista Dinho, manifestou sua emoção ao saber da germinação da muda.
“Você nunca partiu, continuou aqui sendo alegria, amor e inspiração. Você nos mostrou que não existe impossível, que o sorriso cura, que a vida pode ser curta, mas jamais pequena. E você continuará aqui para sempre, sendo luz, sendo paz, sendo abrigo. Continuaremos te amando. Você vive em cada um de nós”, escreveu em uma publicação nas redes sociais.
Memorial dos Mamonas Assassinas
Sementes com as cinzas dos integrantes dos Mamonas Assassinas serão colocadas em uma incubadora até germinarem.
Paola Patriarca/g1
O centro onde as urnas estão fica a poucos metros do memorial criado para a banda. Nele, há placas identificando onde cada músico terá suas cinzas plantadas com as sementes. Na frente do espaço está a famosa Brasília amarela. Já atrás estão os túmulos dos integrantes dos Mamonas.
“Para mim foi muito emocionante. Eu achava que era uma coisa tão diferente, mas foi mais lindo do que eu pensava. Os nossos meninos merecem, o Dinho, Bento, Sérgio, Samuel, Júlio. Vai ficar na nossa lembrança para sempre. E agora, com esse memorial, vai ser muito bom para os fãs, tenho que certeza que eles vão ficar muito felizes. A gente está muito feliz também com essa linda homenagem. Aqui é algo maravilhoso para ficar na lembrança de todos para sempre.", afirmou Célia Alves, mãe do vocalista Dinho, no dia da inauguração.
E ressaltou: "Hoje foi bem emocionante, né? 30 anos depois a a gente se emociona. A saudade não passa, não vai passar nunca, principalmente para mim que sou a mãe do Dinho dos Mamonas. Então, para mim, não vai passar nunca e para os pais, para os parentes, é um momento muito lindo da história deles".
Familiares dos integrantes do Mamonas Assassinas na inauguração do memorial
Paola Patriarca/ g1
A irmã de Dinho, Gracie Kellen também falou sobre o memorial. "É um mix de sentimentos. É uma alegria ter um memorial desses. A gente tendo essa oportunidade é maravilhoso e a gente fica muito emocionado. Ao mesmo tempo é a saudade, 30 anos, passa um filme na cabeça, emocial fica assim. Mas é gratificante saber que terá um espaço que os fãs vão ficar mais pertos deles".
"Foi uma cerimônia muito bonita. Algo que na nossa famalia teve a intenção de fazer algo, de cremar. Foi uma cerimônia singela, emocionante, e extremamente delicada e muito bonita", afirmou irmã do Júlio, Paula Rassec.
O pai de Sérgio e Samuel também falou ao g1 sobre a inauguração do memorial. "Muito bonito mesmo. Vou acompanhar a árvore até quando eu viver".
Família do cantor Dinho, do Mamonas Assassinas
Paola Patriarca/g1
Integrantes dos Mamonas Assassinas foram sepultados no Cemitério Primaveras, em Guarulhos.
Paola Patriarca/g1
Memorial em homenagem aos Mamonas Assassinas no Cemitério Primaveras, em Guarulhos.
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Brasília amarela em memorial dos Mamonas Assassinas
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Urnas com as cinzas dos músicos antes de entrar no centro de incubação no Cemitério Primaveras, em Guarulhos
Paola Patriarca/g1
Jaqueta e bicho de pelúcia encontrados durante exumação de Dinho e Bento
Paola Patriarca/g1
Jaqueta intacta
Em 23 de fevereiro, durante a exumação dos corpos dos músicos, foi encontrada uma jaqueta intacta sobre o caixão de Dinho, o vocalista do grupo. Também foi localizado um bicho de pelúcia, em bom estado de conservação, sobre o caixão de Bento.
O g1 e a TV Globo obtiveram com exclusividade acesso às fotos da jaqueta. O CEO da marca Mamonas, Jorge Santana, explicou que a peça havia sido colocada sobre o caixão do vocalista no dia do enterro. Ela é do mesmo modelo da que foi flagrada no local do acidente pela equipe de reportagem da TV Globo, mas em vermelho.
Jaqueta encontrada sobre caixão tinha símbolo da banda e bandeira do Brasil
"O que sabemos é que essa jaqueta foi jogada por uma pessoa da equipe dos Mamonas e não pela então namorada, a Valéria. Estava sobre o caixão, na parte de cima, e encontramos ela intacta mesmo".
O achado da roupa intacta levou a várias especulações nas redes sociais, mas a explicação está no material. A roupa era feita de nylon, um tipo de plástico que pode levar até 200 anos para se decompor.
“É um material de duração praticamente eterna. Esse tipo de roupa, em condições naturais no meio ambiente, pode chegar a 200 anos intacta. Considerando que ela estava enterrada, esse tempo pode ser ainda maior”, explicou Fabrício Stocker, professor da FGV.
Memorial Mamonas Assassinas
Paola Patriarca/ g1
Mamonas Assassinas: veja imagens exclusivas da jaqueta encontrada intacta sobre caixão de Dinho durante exumação em SP
Arquivo Pessoal
Segundo o pai de Dinho, Hildebrando Alves Leite, a família pretende encaminhar a jaqueta para o museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos. A proposta é que a peça passe a integrar o acervo em exposição permanente, permitindo que visitantes e fãs tenham acesso ao item.
“A exumação é uma evolução e você tem que acompanhar. Antes não tinha essa tecnologia. E a evolução te faz aprender a viver os dias de hoje”, afirmou.
Ao g1, a cunhada de Bento afirmou que não sabe quem colocou a pelúcia no caixão do guitarrista, mas acredita que o objeto tenha sido entregue por algum fã à mãe de Bento, como forma de homenagem, e depois colocado sobre o caixão.
A peça será exposta no memorial dedicado à banda no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
"Durante a exumação vimos que o ursinho de pelúcia estava bem em cima da urna, praticamente intacto. Assim, estava sujo de terra, lógico, mas praticamente intacto. Agora, pretendemos deixar no memorial que será feito para eles", afirmou Claudia Hinoto, casada com o irmão de Bento, Maurício Hinoto.
Bicho de pelúcia é encontrado sobre caixão do guitarrista Bento, do Mamonas Assassinas
Arquivo Pessoal
Como é o memorial
Os corpos dos integrantes dos Mamonas Assassinas foram exumados para que as cinzas sejam depositadas em árvores nativas em um memorial ecológico que será aberto à visitação na quarta-feira (4).
A ideia das famílias foi de plantar cinco jacarandás, um para cada integrante, no espaço que será chamado de Jardim BioParque Memorial Mamonas. A escolha da árvore tem valor simbólico e ambiental, e o objetivo é de que o local se torne um "memorial vivo", unindo natureza, tecnologia e memória.
“A ideia foi tirar da lógica de túmulo estático e transformar em um espaço de vida, encontro e homenagem permanente”, afirmou Jorge Santana.
De acordo com ele, a proposta foi apresentada pelo grupo gestor do cemitério às famílias, que aprovaram de forma unânime pouco antes do anúncio público.
Segundo Jorge Santana, a visitação será gratuita e cada família terá controle sobre o conteúdo disponibilizado no memorial, tanto no ambiente físico quanto nas plataformas digitais. A intenção é permitir atualizações e interações permanentes.
A família também estuda a criação de um museu dedicado ao grupo, com acervo de roupas e objetos pessoais, além de ampliar as ações do Instituto Mamonas Assassinas, que já desenvolve projetos sociais, como o Mamonas Futebol para Amputados e iniciativas voltadas ao autismo.
Guarulhos, cidade natal da banda e segundo município mais populoso do estado de São Paulo, deve integrar o memorial à sua rota cultural. A expectativa da família é que o espaço se torne um ponto permanente de visitação e ajude a manter viva a história do grupo.
Banda Mamonas Assassinas, em foto tirada na década de 1990
Divulgação
Veja vídeo gravado pelo vocalista dos Mamonas Assassinas, Dinho, pouco tempo antes do acidente relatando sobre pane no avião:
Mamonas Assassinas - Morte (1996)
Memorial dos Mamonas Assassinas no Cemitério Primaveras, em Guarulhos
Paola Patriarca/g1