Projeto em Sorocaba oferece apoio emocional a desempregados e destaca impacto psicológico: 'Influencia todas as áreas da vida'

  • 25/01/2026
(Foto: Reprodução)
Em encontros semanais na Casa do Trabalhador, em Sorocaba (SP), psicóloga discute os impactos do desemprego na saúde mental Prefeitura de Sorocaba/Divulgação O desemprego atinge ao menos 6 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao terceiro trimestre do ano passado. Em Sorocaba (SP), uma iniciativa da prefeitura busca oferecer acolhimento emocional a quem enfrenta dificuldades na busca por uma vaga no mercado de trabalho. O projeto "Desperte sua força" realiza encontros semanais na Casa do Trabalhador, mediados pela psicóloga Larissa Gonçalves, que destaca que o desemprego não é apenas um problema econômico, mas também tem forte impacto emocional. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 "O desemprego influencia todas as áreas da vida. Quando uma pessoa está desempregada, a vida social dela também fica fragilizada. O convívio dela com a família, as atividades de lazer. É um sofrimento que perpassa o cotidiano em diversas áreas", explica a psicóloga. Ansiedade e frustração estão entre os sintomas mais frequentes observados nos encontros. De acordo com a especialista, a repetição de processos seletivos sem retorno positivo pode gerar angústia e perda de esperança. "Essa ansiedade começa a acontecer diariamente e, junto dela, vem essa frustração. São os sentimentos que mais aparecem para a gente. E pode acontecer da pessoa conseguir a tão sonhada vaga de emprego e, ainda assim, precisar passar por um acompanhamento psicológico para tratar os sintomas que apareceram nesse período." 'Passa um milhão de coisas na cabeça' Esses sintomas foram vivenciados por Suzana Oliveira, de 41 anos, que, após três anos atuando como prestadora de serviços, precisou pedir demissão para cuidar da mãe, que enfrentava problemas de saúde. "Saí em outubro do meu último emprego e já estava com a saúde mental abalada. Fiquei um tempo em casa, tentando estabilizar minha saúde, cuidar da minha mãe, e, em dezembro, comecei a procurar emprego. Saí sem nenhum objetivo, pensando: 'O que eu vou fazer agora?'. Mexeu bastante comigo, mexeu bastante com o psicológico mesmo", relata. Apesar de ter ficado desempregada por poucos meses e de já ter sido aprovada em um processo seletivo com início previsto ainda em janeiro, Suzana afirma que a incerteza sobre o futuro trouxe sofrimento que afetou, inclusive, o sono. "Passa um milhão de coisas na cabeça. Você não sabe como vai ser o amanhã, porque você está entregando um monte de currículo, mas não tem retorno. Foi um período bem complicado. Acordar todos os dias, depois de trabalhar a vida toda, de repente você acorda e não tem para onde ir, não tem rotina, e saber que as contas vão chegar. O sono é afetado. Eu estava dormindo duas, três horas por noite, pensando: 'Como que eu vou pagar as contas?'", desabafa. "Não me preparei financeiramente, porque foi bem repentino mesmo. A minha mãe teve um quadro de saúde complicado e, daí, eu precisei tirar esses dias para ficar com ela e, daí, prejudicou tudo, minha cabeça e tudo mais. Então, eu não estava preparada nem financeiramente nem psicologicamente quando eu saí da empresa", continua. Suzana Oliveira, de Sorocaba (SP), apresentou sintomas de ansiedade e insônia durante a busca por emprego Arquivo Pessoal Organização emocional Enfrentar as incertezas, que podem se transformar em ansiedade e causar sintomas físicos como a insônia, também exige organização, assim como o processo de se candidatar a vagas de emprego. "A organização pode ser feita em pequenos passos. Porque, às vezes, a pessoa coloca um objetivo muito grande ou entende que, se ela não tiver um emprego, nenhuma das outras áreas da vida importa, porque realmente traz essa fragilidade. Então, precisa se manter ativa, cuidar da autoestima, acordar e fazer algo que vá potencializar o dia, seja uma coisa pequena, assistir a algo que ela gosta, mas ter esse momento de bem estar. Sempre fazer essa manutenção da própria vida, porque é isso que vai fazer ela conseguir caminhar e se organizar nessa busca por trabalho", orienta a psicóloga. Tentando driblar a ansiedade, Suzana aproveitou o tempo livre para fazer cursos de qualificação profissional gratuitos encontrados na internet. "Isso ocupa a cabeça da gente, traz conhecimento básicos de algumas áreas. Você se coloca em movimento naquele período em que está tudo muito parado. Eu estava em uma situação que acordava, levantava da cama e ficava na varanda. Aí eu falei: 'Preciso colocar alguma coisa para funcionar aqui'. E, daí, eu fui atrás para fazer uns cursinhos", comenta. O abalo emocional também pode comprometer o desempenho em entrevistas de emprego, tema que é abordado nos encontros do projeto. "A pessoa precisa conseguir separar que existe uma estrutura muito maior que ela. Então, os valores, a identidade individual dela deve ser preservada com bastante valorização e essa pessoa deve sempre se apresentar com autoestima e presença, demonstrando que ela tem orgulho de quem ela é, não importa se estamos empregados ou não. Isso potencializa a pessoa se sentir mais confiante, em se apresentar mostrando quem ela é." A importância de compartilhar Para a psicóloga, espaços de diálogo entre pessoas que vivenciam situações semelhantes são fundamentais para o cuidado com a saúde mental. "Elas têm a necessidade de falar sobre essa jornada que estão enfrentando, porque, de fato, é uma jornada que envolve muitas violências, violências psicológicas, opressões na hora da entrevista, discriminações, principalmente raciais. Então, quando a pessoa compartilha, ela consegue falar sobre e entender que não é a única vivendo aquilo. A sociedade ainda não faz essa ligação do tanto de sofrimento psíquico que envolve o desemprego", afirma. Os encontros do programa "Desperte sua força" acontecem às quartas-feiras, das 10h às 11h, na Casa do Trabalhador, localizada na Rua Coronel Cavalheiros, 353, no Centro de Sorocaba. Não é necessário fazer inscrição prévia. Iniciativa 'Desperte sua força' acontece às quartas-feiras, das 10h às 11h, na Casa do Trabalhador, na Rua Coronel Cavalheiros, 353, no Centro de Sorocaba Prefeitura de Sorocaba/Divulgação O que é o desemprego Segundo o IBGE, são consideradas desempregadas as pessoas em idade de trabalhar (a partir dos 14 anos) que não exercem atividade remunerada, estão disponíveis para assumir um emprego e buscam ativamente uma vaga. Ou seja, não basta estar sem trabalho para ser classificado como desempregado. Conforme a metodologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), estudantes e donas de casa que não procuram emprego são classificados como fora da força de trabalho. Já quem atua por conta própria ou empreende é considerado ocupado. Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/01/25/projeto-em-sorocaba-oferece-apoio-emocional-a-desempregados-e-destaca-impacto-psicologico-influencia-todas-as-areas-da-vida.ghtml


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