Pré-campanhas de presidenciáveis se dividem sobre uso de inteligência artificial nas eleições
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Pré-campanhas de presidenciáveis se dividem sobre uso de inteligência artificial nas eleições
Aliados e integrantes das pré-campanhas dos principais pré-candidatos à Presidência se dividem sobre o uso de inteligência artificial em propagandas e vídeos durante as eleições. Enquanto algumas campanhas pretendem apostar mais na tecnologia, outras querem limitar seu uso.
Entre os pontos positivos apontados, o barateamento de custos e facilidade de acesso à tecnologia. Por outro lado, há quem aponte que pode passar artificialidade e distanciar o eleitor, em meio a desconfianças da população em relação à classe política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar a inteligência artificial apenas como ferramenta de apoio durante a campanha, sem substituir sua imagem em gravações nem criar versões fictícias do candidato.
"Nas redes ou na TV, será sempre o Lula de verdade, falando de verdade", afirma Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.
Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Caiado e Zema
Divulgação e reprodução
Lula falou sobre o assunto em um evento na Bahia, em maio.
"Se a gente quiser, pode fazer o Lula artificial, fazer comício, 27 comícios em 27 estados no mesmo horário. Eu to lá, mas não to. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política, porque, se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo”, afirmou.
O PT também publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que o problema não é o uso da tecnologia, mas a forma como ela pode ser ser utilizada para manipular a verdade e promover ataques pessoais. Na publicação, o partido defende o bom senso e o compromisso ético e critica "a turma bolsonarista" por apresentar "um candidato de mentira em situações de mentira", em referência ao principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Com esse posicionamento, o partido busca marcar contraste com a estratégia adotada por Flávio, que já utilizou inteligência artificial em vídeos publicados nas redes sociais. Os conteúdos foram identificados como gerados por IA, conforme determina a legislação eleitoral. Em um deles, o pré-candidato aparece como piloto de um caça combatendo facções criminosas.
Segundo um aliado de Flávio, vão usar na campanha o que a lei permite. Ele diz que os materiais geram engajamento, mas não necessariamente mais do que outros formatos. O pré-candidato também publica em suas redes vídeos em agendas e eventos, sem o uso da tecnologia.
Veja as regras sobre IA e redes sociais nas eleições de 2026
Romeu Zema (Novo) também deve investir na ferramenta, como já tem feito. A leitura é de que é algo simples e barato, acessível para qualquer perfil. Um exemplo é a série que ele fez criticando privilégios de autoridades, que são como filmes de animação, sem pretensão de enganar ninguém.
Já Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) devem focar mais em vídeos nos quais aparecem em carne e osso.
“Quanto menos, melhor”, avalia um estrategista da pré-campanha de Caiado. Para ele, o uso deve ser limitado, no caso da apresentação de projetos, por exemplo.
A vereadora Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Santos, diz que querem usar o mínimo possível, para ilustrar propostas – projeto de reurbanização de comunidades, por exemplo.
Regras do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou novas regras a respeito do tema para o pleito deste ano. O objetivo é garantir que a tecnologia seja uma aliada, e não uma ameaça, à democracia nas eleições.
Uma delas é que os conteúdos de propaganda eleitoral criados ou alterados por IA devem exibir um aviso claro, visível e de fácil compreensão, evitando que o eleitor seja enganado por montagens que simulam situações reais.
Além disso, é proibido publicar conteúdos feitos por inteligência artificial que use a voz ou a imagem de candidatos e figuras públicas 72 horas antes da eleição e 24 horas depois da votação. Caso a regra seja desrespeitada, as plataformas devem apagar o conteúdo imediatamente.