PM que matou mecânico durante briga de trânsito é condenado a 21 anos de prisão em SP
(Foto: Reprodução) O PM Kaio Lopes Raimundo foi condenado pela morte do mecânico Clayton Juliano da Silva. Crime ocorreu em julho do ano passado, em Mauá.
Reprodução/Rede Sociais
A Justiça de São Paulo condenou o policial militar Kaio Lopes Raimundo, acusado de matar um mecânico durante uma discussão de trânsito em Mauá, na Grande São Paulo.
A sentença determinou a prisão do agente por 21 anos, 9 meses e 10 dias, em regime fechado, pelo crime de homicÃdio qualificado por motivo fútil.
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O caso aconteceu em julho do ano passado, quando Kaio Lopes, de 32 anos, pilotava uma moto e estava na frente do veÃculo da famÃlia obstruindo a passagem dos carros na Avenida Barão de Mauá, numa tarde de domingo.
PM é preso ao matar motorista em briga de trânsito em Mauá
O mecânico Clayton Juliano da Silva, de 38 anos, dirigia o carro da famÃlia e conversava com o motorista de outro carro.
A esposa de Clayton, que estava no carro, contou que o mecânico pediu passagem e buzinou. O PM não teria gostado da situação, perseguindo o carro da famÃlia por alguns metros e disparado quatro tiros.
Na briga, uma criança de 9 anos também foi baleada.
O policial militar foi preso em flagrante, acusado de homicÃdio e tentativa de homicÃdio.
Em depoimento, Kaio alegou que se sentiu ameaçado e atirou em legÃtima defesa. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
Crime em Mauá
A esposa Cristiane Maria da Silva, a sogra e o sobrinho, de apenas 9 anos, estavam no carro.
Cristiane contou à TV Globo que o PM Kaio Lopes Raimundo, de 32 anos, pilotava uma moto e estava na frente do veÃculo da famÃlia obstruindo a passagem, pois conversava com o motorista de outro carro.
"Meu esposo pediu passagem e buzinou. O rapaz [Kaio] provavelmente não gostou da situação de ele ter pedido licença", disse Cristiane.
Após dar passagem à famÃlia, a esposa do mecânico relatou que o policial se aproximou da janela do passageiro, onde ela estava sentada, e jogou spray de pimenta em seus olhos.
"O cara ficou para trás, e a gente continuou andando. Eu não sei o que o rapaz queria. A gente foi andando para frente e aconteceram os tiros. Não teve discussão nenhuma entre os dois, nenhuma", desabafou Cristiane.
O mecânico Clayton Juliano, de 38 anos, morto pelo policial militar durante discussão de trânsito em Mauá, na Grande SP.
Reprodução/TV Globo
Kaio disparou quatro tiros contra Clayton com o carro ainda em movimento. Um deles atingiu a criança, que estava no banco de trás.
Outro tiro atingiu a nuca do mecânico, que morreu no local. O veÃculo onde estava a famÃlia ainda seguiu na contramão e colidiu contra um muro.
Versão do PM preso
Ao ser ouvido pelo delegado, Kaio Lopes Raimundo disse que estava pilotando a moto em direção ao trabalho quando, ao se aproximar de uma lombada, o carro dirigido por Clayton começou a buzinar insistentemente.
Ele disse que deu passagem achando que era algum conhecido e foi ultrapassado de forma "extremamente agressiva".
Ao tentar se aproximar do carro, teria sido fechado pelo motorista, e a moto acabou atingida pelo veÃculo. Ao cair, bateu a perna, e a moto ficou presa embaixo do carro, com o pedal preso na porta.
Kaio narrou ainda que, ao tentar se levantar, foi ameaçado de morte pelo motorista. O PM afirmou que atirou em legÃtima defesa, quando o motorista fez um movimento com a mão, dando a impressão que sacaria uma arma.
Me senti gravemente ameaçado, sem saber se estava sendo vÃtima de um assalto ou de alguma outra agressão. Não houve discussão prévia ou algo que justificasse tal comportamento. Aquele movimento da mão, enquanto ele me ameaçava de morte, me aterrorizou. Diante da ameaça à minha vida, reagi em legÃtima defesa. Saquei minha arma e atirei três vezes.
O policial negou ainda ter disparado spray de pimenta, argumentando que nem anda com isso.
A polÃcia não encontrou nenhuma arma com o mecânico Clayton Juliano, que morreu no local.
Mortes por policiais
Enquanto o Brasil registrou queda de 3,1% nas Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP), o estado de São Paulo teve crescimento de 61% nas mortes cometidas por policiais em 2024, segundo a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada na semana passada.
👉 O aumento foi o maior entre todas as 27 unidades da federação.
Em 2023, 504 pessoas foram mortas por policiais militares e civis em serviço ou de folga. Em 2024, foram 813 vÃtimas. O número de policiais mortos passou de 29 para 32.
Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento da letalidade policial em SP é um dos motivos que levaram o estado a registrar aumento no total de mortes violentas intencionais, também na contramão do Brasil, que teve queda de 5,4%. Apenas cinco estados registraram crescimento nas mortes violentas no ano passado.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "os casos de Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP) também estão em queda e já apresentaram uma redução de 3,86% nos primeiros cinco meses do ano ante o mesmo perÃodo de 2024".
Acrescentou ainda que "todos os casos dessa natureza são investigados pelas corregedorias das polÃcias Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário".
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Reprodução/Frente Povo Sem MedoFONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/13/pm-que-matou-mecanico-durante-briga-de-transito-e-condenado-a-21-anos-de-prisao-em-sp.ghtml