Piscina de Iemanjá, bandeirão e comissão de frente: veja destaques da Mocidade Alegre, campeã em SP
18/02/2026
(Foto: Reprodução) Mocidade Alegre é a campeã do carnaval de SP em 2026
A piscina de Iemanjá, o bandeirão no recuo da bateria e uma comissão de frente emocionante marcaram o desfile da Mocidade Alegre no Sambódromo do Anhembi. A Morada do Samba conquistou 269,8 pontos e garantiu o 13º título do carnaval de São Paulo, consolidando-se como a segunda escola mais vitoriosa da cidade, atrás apenas do Vai-Vai.
Com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, a agremiação celebrou o legado da atriz Léa Garcia, exaltando sua trajetória artística e sua ligação com a ancestralidade africana.
Léa foi uma das principais atrizes do país e pioneira na representatividade negra no teatro e no cinema. Integrante do Teatro Experimental do Negro, abriu caminhos para artistas negros na dramaturgia brasileira.
Teatro e representatividade
Logo na abertura, a comissão de frente arrancou aplausos ao recriar o início da carreira de Léa no Teatro Experimental do Negro, companhia criada por Abdias do Nascimento.
A médica e apresentadora Thelma Assis, campeã do Big Brother Brasil 20, representou Léa. Filha de Oxumaré, a personagem surgiu vestida com as cores do arco-íris, referência ao orixá do movimento, da renovação e da dualidade, simbolizado pela serpente e pelo arco-íris. Já Fred Nicácio interpretou Abdias do Nascimento, reforçando o elo entre arte e militância negra.
Solange Bichara, presidente da Mocidade Alegre, posa com troféu de campeã do carnaval de SP em 2026
Reprodução/TV Globo
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Iemanjá e Kikito na avenida
Entre os carros mais comentados estava o “Benção Yabás – Saudação às Deusas Negras nos Estúdios”, inspirado em um filme de 1978 protagonizado por Léa Garcia, no qual viveu a orixá Iemanjá. A alegoria trazia uma imponente imagem da rainha do mar, de onde caía uma cascata de água, formando uma espécie de piscina na avenida — um dos efeitos visuais mais impactantes do desfile.
Outras alegorias exaltaram deusas negras e também fizeram referência ao Kikito, tradicional troféu do Festival de Gramado, reforçando a importância da atriz para o cinema nacional.
O abre-alas também chamou atenção: luxuoso e repleto de indumentárias africanas, simbolizava a ancestralidade de Léa e abriu caminho para uma narrativa visual potente sobre identidade, resistência e arte.
Mocidade traz piscina em carro em homenagem a Iemanjá
Filho e irmão de Léa Garcia, homenageada pela Mocidade Alegre, com Fred Nicácio e Thelminha
Paola Patriarca/ g1
Bandeirão no recuo e final no limite
Outro momento marcante aconteceu no recuo da bateria. A rainha Aline Oliveira atravessou o espaço correndo com um bandeirão que representava cada integrante do Ritmo Puro, arrancando gritos da arquibancada e reforçando a conexão entre comunidade e espetáculo.
O encerramento veio com tensão. A escola precisou acelerar o passo nos minutos finais para não estourar o tempo, mas conseguiu concluir o desfile dentro do limite regulamentar.
Após terminar em quarto lugar em 2025, a Mocidade Alegre voltou ao topo com um desfile grandioso, técnico e emocional — um tributo à altura de Léa Garcia e mais um capítulo vitorioso na história da Morada do Samba.
Rainha de Bateria da Mocidade Alegre, Aline Oliveira, no desfile da agremiação em São Paulo
Leo Franco / AgNews
Emocionada, Solange Bichara, presidente da Mocidade Alegre, agradece título da escola
Desfile da Mocidade Alegre
Letícia Dauer/g1