Pedro Cameron, maestro que revolucionou a música erudita no interior paulista, morre aos 77 anos

  • 29/05/2026
(Foto: Reprodução)
Entre suas principais contribuições está a criação de um material didático pioneiro para o ensino musical no Brasil Welton Nadai Considerado um dos maiores nomes da música erudita no Brasil, o maestro e violonista buriense Pedro Cameron morreu aos 77 anos, nesta quinta-feira (28), em Rio Claro. O corpo do músico e educador foi sepultado nesta sexta-feira, em Cerquilho (SP). As causas da morte não foram divulgadas. Responsável pela formação e estruturação de importantes orquestras no interior do estado — como as sinfônicas de Sorocaba e Rio Claro, Cameron deixa um rastro de saudade e reverência. Artistas formados por ele relembram a trajetória do instrumentista virtuoso e docente generoso que lapidou uma geração de talentos na região. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Pedro Cameron, maestro que revolucionou a música erudita no interior paulista, morre aos 77 anos Welton Nadai Legado artístico e pedagógico Violonista, compositor e regente de vasta produção, Cameron criou peças complexas para violão que lhe renderam prêmios nacionais e internacionais. Seu catálogo inclui sinfonias, concertos, musicais cênicos e trilhas sonoras. A potência produtiva do regente não se limitou à esfera artística; estendeu-se com igual força ao campo pedagógico. Entre suas principais contribuições está a criação de um material didático pioneiro para o ensino musical no Brasil. Essa metodologia serviu de base para a formação de profissionais que hoje atuam em palcos prestigiados dentro e fora do país, como Edson Lopes, Marcus Toscano, Welton Nadai e Amadeu Rosa. "Aprendi muito com ele e, hoje, na posição de docente, replico sua metodologia como legado. Sigo seu método, contido em um livro de iniciação maravilhoso. Uso com meus alunos e funciona muito bem em vários aspectos didáticos. É uma grande perda!", declara o violonista sorocabano Marcus Toscano, que atualmente mora e trabalha na Espanha. Segundo ele, é impossível dissociar a figura do artista genial e completo da imagem do instrutor terno, alegre e incentivador, características que se destacam na lembrança do ex-aluno e amigo de longas conversas telefônicas. Marcus Toscano, à esquerda, foi aluno de Pedro Cameron e hoje atua fora do país Arquivo Pessoal Método coletivo e formação de orquestras Artista de talento imensurável, Cameron unia a genialidade inquieta do criador à calma pedagógica do educador. Lembrado pelo virtuosismo que paralisava alunos e plateias, foi nos bastidores, observando antes de ser observado, que deu início ao seu papel de mentor. Na década de 1970, quando o Conservatório Dramático e Musical "Dr. Carlos de Campos", de Tatuí, dava os primeiros passos para se tornar a instituição de referência que é hoje, Cameron foi peça fundamental. Professor de violão da instituição, desenvolveu ali o projeto "Orquestra-Escola". O método propunha que o início da prática instrumental acontecesse diretamente dentro de um conjunto musical com crianças. Cameron foi peça fundamental para o Conservatório de Tatuí (SP), na década de 70 Welton Nadai LEIA TAMBÉM: Quem foi Antônio Salim Curiati, político que levou projeto de estância turística para Piraju e chegou à prefeitura de SP Analista contábil do interior de SP teve cargo de ‘presidente da República’ registrado na carteira de trabalho durante 10 anos Menino indígena que percorre cerca de 16 km para treinar conquista 3º lugar em torneio regional de judô: 'Me sinto orgulhoso' Ao estimular a prática coletiva, o aprendizado tornava-se menos enrijecido, mais flexível e acessível. A proposta, revolucionária para a época diante dos parâmetros rígidos tradicionais, não apenas reduziu drasticamente a evasão de alunos, mas também impulsionou a criação de novas orquestras em Tatuí e diversas outras localidades, sendo multiplicada por inúmeras instituições brasileiras. Diante do sucesso, o maestro implantou o mesmo sistema em Sorocaba por meio do "Projeto Cordas", embrião que reestruturou a Orquestra Sinfônica da cidade, da qual foi regente durante 16 anos. Outro ponto marcante de sua rota pelo interior paulista foi Rio Claro. Na cidade, onde fixou residência, ele fundou e regeu a Orquestra Sinfônica de Rio Claro, além de projetar instrumentistas de destaque no cenário nacional. Um de seus ilustres discípulos, Welton Nadai, junto de Priscila Giusti, integrou a última formação ao lado do mentor no "Violões Artes Trio". Welton Nadai, junto de Priscila Giusti, integrou a última formação ao lado do mentor no 'Violões Artes Trio' Arquivo Pessoal Ao mestre, com carinho "Estudei com ele por seis ou sete anos, e esse programa de estudos me deu uma base técnica e musical forte para seguir minha carreira. Pedro Cameron teve um papel muito importante para toda a geração de músicos em Sorocaba, não apenas para os violonistas. Ele era realmente amado. Os alunos o buscavam para passar mais tempo ao seu lado. Era uma pessoa de grande coração, muito animado e que nunca reclamava. Foi um compositor premiado na Alemanha e no Brasil, que fazia arranjos impressionantes para qualquer formação musical. Ele merece todo o reconhecimento. Que as pessoas toquem suas obras e descubram tudo o que ele deixou para o mundo", Marcus Toscano, violonista e ex-aluno. "O Cameron é uma das figuras mais importantes para a música erudita no Brasil. Ele formou uma geração, tanto no violão, que era sua especialidade, quanto nas orquestras. Era um compositor muito querido e inovador, com arranjos e transcrições de altíssima qualidade. Sempre dizia que as coisas precisam ser bem-feitas e ter um sentido. Isso norteou seu trabalho na criação de métodos de ensino coletivo utilizados até hoje. Ele também foi o primeiro ganhador do Concurso de Música Contemporânea do Brasil, na década de 1970, e recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade Marcelo Tupinambá. Até a semana passada, mesmo debilitado, atendia os alunos. A aula dele era um encontro prazeroso sobre música. Tive o prazer de ser seu aluno por mais de 20 anos e tocamos juntos por 15. Todos os ensaios e concertos eram uma aula. Devemos nossa carreira a ele. Fica a saudade, o legado e a missão de divulgar seu trabalho", Welton Nadai, músico e ex-aluno. "Pedro Cameron foi um profissional fantástico, um grande violonista e compositor. Tive o privilégio de me formar com ele na década de 1970; na realidade, foi meu único professor. Tinha uma técnica violonística fora do normal. Se hoje dou aulas no Conservatório de Tatuí, é graças a ele. Devo muito de minha carreira aos seus conhecimentos. Sempre foi simpático, preocupado e carinhoso com os alunos. Um colega me contou que, até poucos dias atrás, tinha aulas com ele. Na aparência estava debilitado, mas a mente continuava brilhante: sempre sorrindo e contando histórias, como se nada estivesse acontecendo. Esse era Pedro Cameron: uma referência que permanece para esta e para as próximas gerações", Edson Lopes, professor e ex-aluno. Pedro Cameron foi referência da música erudita e formador de gerações no interior de SP Arquivo Pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/05/29/pedro-cameron-maestro-que-revolucionou-a-musica-erudita-no-interior-paulista-morre-aos-77-anos.ghtml


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