Mulher sofre golpe de R$ 250 mil e só percebe crime após 'tratamento espiritual' contra depressão não surtir efeito

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher sofreu golpe de R$ 250 mil - imagem ilustrativa Marcello Casal Jr./Agência Brasil Uma mulher perdeu cerca de R$ 250 mil após ser vítima de golpistas que se apresentaram como curandeiros na cidade de São Paulo. Os criminosos diziam que poderiam ajudar num tratamento contra a depressão da vítima, que estava abalada em razão da morte da mãe. A mulher de 54 anos, que foi induzida a participar de "rituais de purificação" entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, só notou a farsa quando se deu conta que, apesar dos rituais, a apatia e o quadro depressivo não cessaram. Cinco pessoas da mesma família foram condenadas por estelionato em decisão mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em dezembro de 2025. De acordo com os autos, a vítima conheceu Márcia Kwiek, uma das estelionatárias, num shopping da Zona Oeste. A mulher se apresentou com outro nome e, após perceber o estado de fragilidade, passou a se aproximar dela. Segundo os autos, Márcia afirmou que a vítima estava com o "coração preto" e que conhecia práticas de cunho sobrenatural capazes de promover uma "purificação". Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Nove em cada 10 moradores de SP sofreram tentativas de golpes digitais em 2025, diz pesquisa Os 'rituais' A partir dos encontros iniciais, a vítima passou a frequentar a casa de Márcia. Segundo a denúncia, em todas as visitas eram realizados rituais descritos como "incomuns e singulares". Durante o período do golpe, a vítima entregou R$ 135 mil em dinheiro e cerca de R$ 100 mil em joias, além de R$ 15 mil em outros bens pessoais, como celular e ar-condicionado. Os réus afirmavam que esses valores seriam utilizados nos rituais e que, ao final, seriam queimados como parte do processo de purificação espiritual. A vítima, já induzida em erro, acreditava que a destruição dos bens seria necessária para a superação de seus problemas emocionais. Num dos principais episódios do golpe, a vítima levou grande quantia em dinheiro e joias até a residência de Márcia, acreditando que tudo seria destruído em um "tambor incandescente". Além de Márcia, no local estavam o marido dela, Alexander Jovanovich Queiroz, os filhos Larissa Kwiek Jovanovich Queiroz e Wladimir Kwiek Jovanovich Queiroz, e a nora, Kathleen Nicolini Iwanovich. Segundo o Tribunal de Justiça, todos agiam em conjunto. Os valores foram embrulhados em papel, e os acusados anunciaram que seriam queimados; Em seguida, a vítima foi induzida a fechar os olhos e a se deitar sobre um lençol branco no chão da sala; Nesse momento, houve a troca dos embrulhos; Um pacote diferente foi lançado ao fogo, enquanto o dinheiro e as joias permaneceram com os acusados. Após o encerramento dos rituais, o estado emocional de Solange não melhorou. Segundo o Tribunal de Justiça, “após certo tempo, a vítima percebeu que a apatia e a depressão não cessaram”. Foi então que ela concluiu que havia sido enganada. A vítima procurou a Polícia Civil e registrou ocorrência na 94ª Delegacia de Polícia da capital. Na decisão de 1ª instância, o juiz Fernando Augusto Andrade Conceição afirmou que, em crimes patrimoniais, a palavra da vítima tem especial relevância, já que foi ela quem vivenciou diretamente os fatos. O magistrado ressaltou que houve coerência entre o relato da ofendida e o conjunto das provas produzidas. Segundo o juiz, ficou comprovado que os réus agiram com dolo desde o início. “Os acusados, imbuídos de dolo, através de várias reuniões, sempre com a finalidade de dar-lhe conforto espiritual, receberam em troca dinheiro, joias e outros bens materiais, tudo com a justificativa que seriam queimados, o que, na verdade, não aconteceu”, escreveu. A defesa tentou a desclassificação do crime para curandeirismo, mas o argumento foi rejeitado. Para o magistrado, ficou claro que a intenção dos acusados era obter vantagem patrimonial. “Utilizaram-se de uma manobra ardilosa consistente em trabalho espiritual para obterem vantagem patrimonial”, afirmou, destacando ainda que o valor de R$ 250 mil era incompatível com qualquer ritual legítimo. A defesa recorreu da sentença, mas o Tribunal de Justiça manteve a condenação por unanimidade. No acórdão, a 4ª Câmara de Direito Criminal afirmou que houve coautoria inequívoca e que os réus atuaram de forma conjunta para induzir e manter a vítima em erro. Para os desembargadores, o ardil esteve na exploração da credulidade da vítima e na oferta de rituais de purificação “com estribo na debilidade psicológica da ofendida”. O tribunal afastou a tese de prática religiosa legítima e entendeu que eventual curandeirismo foi apenas crime-meio, absorvido pelo estelionato, já que o dolo de obtenção de vantagem patrimonial era antecedente à conduta. A defesa do condenados não foi localizada pela reportagem. Nove em cada 10 moradores de São Paulo sofreram tentativas de golpes digitais em 2025

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/30/mulher-sofre-golpe-de-r-250-mil-e-so-percebe-crime-apos-tratamento-espiritual-contra-depressao-nao-surtir-efeito.ghtml


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