Mulher morre em UPA do litoral de SP após esperar transferência hospitalar por mais de uma semana

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Márcia Guirao Seraphim morreu internada em uma UPA de Santos, SP. Arquivo Pessoal Uma mulher de 67 anos morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, no litoral de São Paulo, enquanto aguardava uma transferência hospitalar por meio do sistema de regulação estadual. Márcia Guirao Seraphim deu entrada na unidade em 23 de julho, foi internada no dia seguinte e morreu em 2 de agosto. Ao g1, a neta da paciente, Rochelly Guirao, de 24 anos, relatou que a avó procurou atendimento após apresentar complicações relacionadas a uma trombose e dores. Segundo ela, o estado de saúde de Márcia foi se agravando ao longo dos dias e passou a comprometer outras partes do corpo. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo afirmou que o pedido de transferência foi feito pela Prefeitura de Santos em 29 de julho, quatro dias após a internação de Marcia na UPA. O município, por sua vez, lamentou a morte e afirmou que solicitou da vaga hospitalar junto aos hospitais prestadores do Sistema Único de Saúde (veja os posicionamentos completos a seguir). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Agora no g1 O que diz a família “Na internação, foram apresentados exames médicos, a comprovação da consulta com o vascular e uma cirurgia que ela precisava fazer para retirar o útero”, relatou Rochelly, neta da paciente. Segundo ela, a avó dizia que estava sendo bem assistida pela equipe da UPA, mas a família passou a se preocupar com a demora para a transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A transferência dela para uma UTI regional ou estadual demorou muito. Durante todo o tempo, a UPA informou que não havia vaga em nenhum hospital, sendo que duas vezes ao dia era feita a atualização do estado de saúde da paciente”, afirmou. Rochelly disse que a avó chegou a apresentar uma melhora no dia 2 de agosto, após a equipe médica realizar uma tentativa de estabilização do quadro com coma induzido, mas morreu horas depois. “Foram uma semana e três dias tentando de todas as formas possíveis salvar a vida da minha avó, mas infelizmente ela não aguentou, devido a demora e descaso com a situação”, disse. A neta ressaltou que a indignação da família está relacionada à demora para a transferência hospitalar, e não ao atendimento recebido na UPA. "Tentamos de todas as maneiras possíveis. [...] Se tivessem feito a transferência nos primeiros dias de internação dela, talvez ela estaria viva”, afirmou. O que diz o governo de SP Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a solicitação de transferência da paciente foi realizada pelo município em 29 de julho, quatro dias após a internação na UPA. De acordo com o órgão, a ficha foi encerrada em 2 de agosto pelo município, com a informação do óbito da paciente. Ainda de acordo com a pasta, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Santos informou que as unidades de origem são responsáveis pelo preenchimento e pela atualização das fichas no sistema de regulação, incluindo informações sobre a gravidade e a demanda clínica de cada paciente. O que diz a prefeitura Também por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Santos informou que realizou a solicitação da vaga hospitalar junto aos hospitais prestadores do SUS. Segundo a pasta, a prioridade dos atendimentos é definida conforme a avaliação clínica e os registros feitos na ficha do paciente. A secretaria afirmou que os pedidos são encaminhados aos serviços de referência e que o sistema é atualizado diariamente pela unidade solicitante. A prefeitura explicou ainda que a regulação depende da disponibilidade de vagas cedidas pelos hospitais. Segundo a pasta, quando uma vaga é disponibilizada, a unidade solicitante avalia o aceite do paciente conforme os critérios do serviço. Enquanto aguarda, o paciente permanece na UPA sob os cuidados da equipe médica. Cross A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) atua como um serviço intermediário entre as unidades de origem e as unidades de referência do estado. O objetivo é identificar uma vaga no hospital mais próximo, seja municipal, estadual ou filantrópico, que esteja apto a atender o caso. O serviço funciona por meio de um sistema online, disponível 24 horas por dia, que busca vagas na rede pública conforme a disponibilidade e a capacidade de atendimento de cada local, com prioridade para os casos de maior gravidade e urgência. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/04/mulher-morre-em-upa-do-litoral-de-sp-apos-esperar-transferencia-hospitalar-por-mais-de-uma-semana.ghtml


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