Mulher descreve como encontrou bebê após mãe dizer que deu tarja preta à criança: 'Sonolência fora do normal'

  • 01/07/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia em Taiaçu (SP) investiga mãe suspeita de dopar filhos com remédio tarja preta A segurança de eventos Simone Silva descreve como encontrou uma bebê de seis meses em Taiaçu (SP) após desconfiar de uma medicação que a mãe tinha dado ela. A mulher, que é amiga de Simone, contou a ela que tinha dado clonazepam à criança e aos dois irmãos, de 3 e 15 anos, para fazê-los dormir. “Ela estava bem molinha, espumando a boca e babando muito. Era uma sonolência fora do normal”. O remédio de tarja preta é um calmante de uso controlado e pode causar dependência. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Simone conta que, além da sonolência, a bebê foi encontrada com o olho todo branco e virado para cima. “Na hora me deu raiva, vontade de bater nela. Porque mexe muito na gente como mãe. Mas a minha prioridade foi socorrer a menina. Ao mesmo tempo que dá raiva, dá dó, porque você vê que é uma pessoa que não tem apoio e acho que mentalmente não está bem da cabeça.” Mulher é investigada por suspeita de dopar os filhos com tarja preta em Taiaçu, SP Divulgação A mãe chegou a ser presa em flagrante no sábado (27) por suspeita de maus-tratos contra menores de 14 anos, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça em audiência de custódia. Uma caixa do remédio faltando 11 comprimidos foi apreendida pela polícia. O Conselho Tutelar de Taiaçu disse que, apesar da gravidade do caso, as crianças passam bem e foram encaminhadas aos cuidados de uma tia paterna. A Defensoria Pública de São Paulo informou que acompanhou Natalia na audiência de custódia, mas que só vai se manifestar nos autos do processo. Um laudo atesta que ela tem problemas mentais e precisa de supervisão para cuidar dos filhos. LEIA MAIS Mãe é investigada por suspeita de dar remédio tarja preta aos três filhos para fazê-los dormir no interior de SP Adolescente avisou sobre o remédio Simone desconfiou que algo estava errado após o filho mais velho de Natalia relatar que a mãe havia colocado um comprimido na mamadeira da irmã de seis meses. “Ele me falou, ‘tia, ela [a bebê] está meio gripadinha, a mamãe pôs um comprimido no meio do leite’. Eu não falei nada para ele, mas acendeu o alerta. Eu falei, vou checar, porque comprimido é pesado para a bebê. Chegando lá, eu já me deparei com a menina mole.” Simone Silva levou bebê e irmãos dopados por calmante tarja preta para o hospital em Taiaçu (SP) Reprodução/EPTV Em um primeiro momento, ela pensou em levar a bebê para dormir na sua casa, mas, ao ver a gravidade da situação, decidiu levar imediatamente as três crianças ao pronto-socorro. De acordo com o boletim de ocorrência, a bebê permaneceu na sala de emergência de um hospital em Bebedouro (SP) sob monitoramento contínuo por equipamentos médicos devido ao intenso estado de sonolência. Ainda segundo o documento, o adolescente também apresentava sonolência, mas em menor intensidade, enquanto a menina de três anos tinha quadro clínico aparentemente menos grave em relação aos irmãos. Mãe entrou em contradição Segundo Simone, Natalia apresentou explicações diferentes para o que havia acontecido. Ela disse que, em um primeiro momento, a mãe afirmou que estava muito cansada, sem conseguir dormir porque as crianças choravam muito. Depois, segundo a testemunha, passou a atribuir a situação ao companheiro. À Polícia Civil, Natalia primeiro negou ter administrado medicamentos aos filhos. Delegacia de Taiaçu, SP Reprodução/EPTV Conforme o boletim de ocorrência, inicialmente declarou que o companheiro poderia ter dado remédio à menina de três anos e preparado a mamadeira da bebê. Em seguida, afirmou que a própria filha do meio poderia ter ingerido o medicamento acidentalmente. No auto de prisão em flagrante, o delegado Flávio Martins Villela Tavares registrou que Natalia apresentou, durante o interrogatório, comportamento que revelou “aparente frieza emocional” diante da gravidade dos fatos, sem demonstrar sinais perceptíveis de remorso, arrependimento ou preocupação com o estado de saúde dos filhos. O resultado de exames toxicológicos feitos nas crianças vão ajudar a polícia a entender se elas foram dopadas ou não. Condições precárias e problemas mentais Simone afirmou que, desde que conheceu Natalia, ajuda a família por causa das dificuldades financeiras e das condições da residência. Segundo ela, moradores chegaram a organizar mutirões de limpeza e arrecadaram alimentos, leite, fraldas e outros itens para as crianças, mas a situação de desordem voltava a se repetir pouco tempo depois. “O ambiente era muito precário para as crianças. Ela estava numa situação que eu acho que se a gente não faz amizade ou não intervém, poderia ter acontecido coisas piores com ela e com as crianças." Laudo médico aponta que mãe suspeita de dopar filhos com clonazepam tem problemas de saúde mental em Taiaçu, SP Divulgação Atendimento à família Para Simone, a suspeita de Simone ter administrado o medicamento nas crianças é grave, mas ela também pede ajuda às autoridades para apurar o atendimento dado à mulher. “Eu acho que o caso dela é psiquiátrico porque gera uma atenção. A primeira coisa é afastar as crianças porque elas correm risco, mas o pessoal da rede ver o lado dela, porque parece que ela já passa por situações desde pequena de abuso, de familiares judiando. Eu sei que não justifica, mas é bom dar uma investigada.” Em nota enviada ao g1, a Prefeitura de Taiaçu informou que a família é acompanhada pela rede pública desde que chegou ao município. Segundo a administração municipal, Natalia possui laudo psiquiátrico e é acompanhada por médicos e psicólogos da rede pública. O atendimento dado à família envolve as áreas de saúde, assistência social e educação. O Fundo Social de Solidariedade forneceu leite, fraldas e medicamentos, enquanto o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) realizou acompanhamento social. Ainda segundo a prefeitura, o adolescente é acompanhado pela APAE, e as crianças têm vagas garantidas na rede municipal de ensino. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/07/01/mulher-descreve-como-encontrou-bebe-apos-mae-dizer-que-deu-tarja-preta-a-crianca-sonolencia-fora-do-normal.ghtml


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