Motivações, provas, versões: o que se sabe sobre morte de tatuador agredido no carnaval de Nuporanga, SP
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Morte de tatuador em Nuporanga: investigação depende de depoimentos e mais imagens
A morte do tatuador Vitor Fonseca de Almeida Silva, de 42 anos, após uma agressão durante o carnaval em Nuporanga (SP), foi além da comoção na cidade de 7,3 mil habitantes da região de Ribeirão Preto (SP).
Após a apresentação do suspeito de ser o responsável pelo soco, que resultou na queda e causou o choque com o chão que causaria mais tarde a morte, a Polícia Civil passou a investigar outras circunstâncias em torno do caso.
Além da responsabilidade de Vitor Manoel, de 25 anos, identificado como o agressor, o delegado Clodoaldo Vieira Delgado investiga uma denúncia feita pelo próprio suspeito de que ele bateu no tatuador porque ele estaria importunando menores de idade.
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As primeiras imagens de câmeras de segurança já chegaram à polícia, mas o trabalho está apenas no início, segundo o chefe das investigações.
"A nossa primeira atividade nessa investigação será a análise criteriosa das imagens para a formalização dos depoimentos", disse, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
Vitor Fonseca de Almeida Silva morreu após ser agredido durante o carnaval em Nuporanga, SP
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A seguir, confira o que se sabe sobre o caso e o andamento das investigações:
Quem era a vítima e o que aconteceu?
Vitor Fonseca era um tatuador de Ribeirão Preto (SP) que visitava familiares e amigos em Nuporanga durante o feriado. Na madrugada de domingo, dia 15 de fevereiro, ele foi atingido por um soco, caiu e bateu a parte de trás da cabeça no meio-fio.
Ele sofreu traumatismo craniano, foi transferido para a Santa Casa de Franca (SP), mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (17).
Quem é o agressor identificado?
O suspeito é Vitor Manoel Gomes de Jesus, de 25 anos. Ele contou que trabalhava como churrasqueiro no carnaval e não possui passagens criminais anteriores.
Ele se apresentou espontaneamente acompanhado por advogados, prestou depoimento e foi liberado por ter residência fixa, família constituída e por estar colaborando com as autoridades.
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O que mostram as imagens das câmeras de segurança?
As imagens mostram o tatuador caminhando próximo a um grupo de menores. A esposa do agressor afasta uma criança de perto da vítima e, na sequência, Vitor Manoel se aproxima, dá um empurrão inicial e desfere um soco no rosto de Vitor Fonseca.
As filmagens mostram que a vítima ficou imóvel após a queda.
Qual é a versão do agressor?
Em depoimento, Vitor Manoel alegou que viu o tatuador importunando uma criança e decidiu confrontá-lo.
Segundo ele, após um empurrão para afastar a vítima, o tatuador teria feito um comentário ofensivo, o que motivou o soco. A defesa classifica o caso como uma "infeliz fatalidade" e afirma que não houve intenção de matar.
Tanto o agressor quanto sua defesa afirmam que familiares dele acionaram a ambulância e que Vitor Manoel permaneceu no local até a chegada do socorro médico e da Guarda Civil Municipal.
"A Defesa confia serenamente no trabalho das autoridades policiais e do Poder Judiciário, certa de que a instrução processual demonstrará que a conduta de Vitor não foi movida por dolo homicida, mas sim fruto de uma circunstância fática excepcional que resultou em uma tragédia não desejada", comunicou o advogado Rafael Ferro, em nota.
Tatuador é agredido em praça de Nuporanga, SP
Reprodução/Câmeras de segurança
Quais os próximos passos da investigação?
A Polícia Civil identificou cerca de dez pessoas que estavam presentes e serão ouvidas formalmente.
Além da análise detalhada de outras imagens, a polícia deve pedir à Justiça um depoimento especial da criança supostamente envolvida, que deve ser acompanhado por psicólogos e especialistas.
"A gente conseguiu uma imagem, mas de uma câmera bem distante. Os demais arquivos a gente está aguardando ainda o envio oficial por parte da Prefeitura e dos demais prédios vizinhos ali, estabelecimentos comerciais colaboradores. Demandam uma análise criteriosa para a gente seguir formalizando os depoimentos de, no mínimo, dez pessoas que a gente identificou envolvidas direta ou indiretamente", afirma o delegado.
Como a questão de importunação pode influenciar no processo?
A confirmação ou não da importunação servirá para avaliar circunstâncias subjetivas do caso, que devem ser analisadas pela Justiça na fase de aplicação da penalidade, segundo o delegado de polícia.
O que diz a família do tatuador?
Em nota, a família do tatuador manifestou indignação com a divulgação do depoimento do agressor e por acusações contra "alguém que foi violentamente agredido, estava desacompanhado e não está mais aqui para se defender."
"A interpretação isolada de imagens sem som não pode servir de prova para acusações contra a honra da vítima. Absolutamente nada atenua ou justifica a violência praticada, sob pena de se normalizar a inaceitável ideia de que alguém pode fazer justiça pelas próprias mãos", comunicou.
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