Lula diz não querer guerra, mas fala em ampliar investimento em Defesa: 'Forças têm de estar preparadas pra garantir soberania'
13/07/2026
(Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se manifestar nesta segunda-feira (13) a favor de maiores investimentos no setor de Defesa Nacional. O petista disse não querer guerra, mas afirmou que as Forças Armadas precisam estar "preparadas" para "garantir a soberania territorial do país".
A declaração do petista ocorreu durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP). Durante discurso, Lula citou o interesse de potências militares, como Estados Unidos, Rússia e China, em terras raras e minerais críticos – recursos presentes em grande quantidade no território brasileiro.
🔎As terras raras e os minerais críticos são insumos fundamentais para a transição energética global e para a fabricação de tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos de defesa.
"A gente não quer Forças Armadas para pagar aposentadoria. A gente quer Forças Armadas para cuidar da soberania deste país, para cuidar da sociedade brasileira. Nós não queremos guerra, mas nós queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania", afirmou Lula.
Agora no g1
"Se a gente não se cuida, quem vai cuidar de nós? Se a gente não tomar conta de nossa fronteira, quem vai tomar de nós? Nosso petróleo está além das 300 milhas. E quem vai tomar conta disso? Quem vai tomar conta da riqueza, que a gente não sabe ainda o que tem no fundo do mar, quem vai tomar conta da riqueza que representa as terras raras, dos minerais críticos? A gente só vê o mundo falar isso, China, Rússia, EUA. E nós?", indagou o petista.
🔎🔎A discussão sobre soberania mineral tem ganhado força na agenda geopolítica internacional diante da disputa comercial e tecnológica entre potências como Pequim e Washington.
Na fala aos militares, o petista também citou a reunião com ministros do governo e especialistas na última sexta-feira (10) para discutir a política brasileira para os minerais críticos. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e teve como foco a exploração desses recursos. Lula afirmou que o Brasil não vai permitir ser "exportador de matéria prima".
"Esse país não vai parar. Nós fizemos reunião sexta-feira, temos conselho que vai cuidar dos minerais críticos e das terras raras. A gente não vai permitir o que aconteceu conosco, o que aconteceu com nosso ouro, prata, minério de ferro. Agora quem quiser explorar minerais críticos e terras raras vai ter que fazer dentro desse país porque que a gente não vai ser mais exportador de matéria prima. A gente quer fazer o processo de transformação aqui."
A defesa de Lula por maiores investimentos na indústria de Defesa também ocorre dias após o Itamaraty dizer que há "risco" de uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil após autoridades norte-americanas classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Frota da FAB era 'melancólica', diz Lula
Durante discurso, o presidente Lula contou que a primeira reunião que teve após a posse do terceiro mandato foi com os três comandantes das Forças Armadas e com o ministro da Defesa para discutir indústria de defesa.
Lula lembrou que, no passado, os aviões presidenciais chegaram a ser apelidados de "sucatão" e "sucatinha". "Achava uma vergonha. A frota da Aeronáutica era melancólica. Como pode pensar sério se não cuida da sobrevivência enquanto nação soberana?", disse o presidente.
Em São José dos Campos, Lula visitou o projeto da primeira turbina a gás para geração de energia elétrica movida a etanol. Segundo o presidente, o Brasil passa a ser o sexto país do mundo a produzir uma turbina.
Ajuda para Cuba
O presidente Lula durante visita a instalações da Aeronáutica em São José dos Campos (SP)
Reprodução
Também nesta segunda, o Palácio do Planalto informou ter dado início ao envio de 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária a Cuba, diante do agravamento da crise no país caribenho com as restrições e bloqueios por parte dos Estados Unidos.
Os alimentos serão transportados em dois voos da Força Aérea Brasileira (FAB), com destino a Santiago de Cuba. A ações de cooperação humanitária do Brasil é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação.
O primeiro voo decolou às 14h10 desta segunda-feira da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, com 16 toneladas de leite em pó. A chegada ao destino está prevista para quarta-feira (15).
O segundo voo deverá decolar nesta terça-feira (14) do Aeroporto Internacional de Porto Alegre, transportando outras 32 toneladas do produto, com chegada prevista também para quarta.
Essa não é a primeira ajuda enviada pelo governo do Brasil a Cuba desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou medidas restritivas ao país caribenho.
Trump intensificou nos últimos meses as sanções econômicas contra a ilha. Nos últimos meses, os Estados Unidos ampliaram o embargo com medidas mais duras, como restrições ao envio de petróleo e inclusive pressionando outros países a não abastecerem Cuba e novas barreiras comerciais e financeiras.
Essa estratégia, chamada de “pressão máxima”, tem reduzido drasticamente o acesso do país a energia, crédito e comércio internacional, agravando a crise interna.
Como consequência, Cuba enfrenta apagões frequentes, escassez de combustíveis e colapso em serviços essenciais, aprofundando a crise humanitária vivida pela população.