Justiça determina que mulher acusada de matar a própria filha envenenada no interior de SP vá a júri popular
29/09/2026
(Foto: Reprodução) Elizabete Arrabaça diz que filha mais velha mentiu em depoimento que investiga morte de Nathália Garnica, em Pontal (SP)
Reprodução/TJSP
A Justiça de Pontal (SP) determinou nesta terça-feira (29) que Elizabete Arrabaça, acusada de matar por envenenamento a própria filha, Nathália Garnica, seja levada a júri popular. Segundo a acusação, o crime foi cometido em fevereiro de 2025.
Ela responde por feminicídio qualificado por uso de veneno, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, por tentar alterar elementos da cena dos fatos para prejudicar a investigação.
Além disso, os crimes estão em concurso material, ou seja, as penas podem ser somadas em caso de condenação.
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Na fase de instrução do processo, Elizabete jurou ser inocente. "Eu juro por Pai, Filho e Espírito Santo que eu sou inocente. Tudo isso é mentira. Eu sou inocente. Eu sou inocente. Com essa luz, eu quero que me cega se eu tiver mentindo".
A data do julgamento ainda não foi marcada. Ainda cabe recurso para a sentença de pronúncia, que determinou o Tribunal do Júri.
Elizabete está presa na Penitenciária de Tremembé desde 20 de agosto do ano passado, por conta da morte da nora, a professora de pilates Larissa Rodrigues.
Elizabete Arrabaça diz que filha mais velha mentiu em depoimento: 'Eu sou inocente'
Nathália e Larissa foram mortas com um veneno popularmente conhecido como 'chumbinho', mas as substâncias administradas para cada uma das vítimas são diferentes, de acordo com laudos toxicológicos.
Os processos correm separadamente, uma vez que os crimes foram em cidades diferentes. Nathália morreu em Pontal e Larissa, em Ribeirão Preto.
Nathalia Garnica é irmã de médico suspeito de matar Larissa Rodrigues e morreu um mês antes da professora
Arquivo pessoal
Morte por envenenamento
Nathália Garnica morreu aos 42 anos, no dia 9 de fevereiro de 2025, em Pontal, onde morava. Um dia antes, Elizabete Arrabaça esteve com a filha na casa dela. À época, o boletim de ocorrência chegou a ser registrado como morte natural.
Quando as investigações sobre a morte da cunhada, Larissa Rodrigues, começaram, um laudo toxicológico apontou que a professora tinha sido envenenada com chumbinho.
Elizabete e Luiz Antônio Garnica, irmão de Nathália, foram presos no dia 6 de maio, por suspeita de participação na morte de Larissa.
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Como o intervalo de tempo entre os dois casos era curto, a polícia passou a investigar também a morte de Nathália. No dia 23 de maio, o corpo dela foi exumado para ser analisado.
No dia 17 de junho, o laudo toxicológico confirmou que Nathália também tinha morrido envenenada por chumbinho.
Por conta da similaridade dos casos e também por ter sido a última pessoa a estar com as duas vítimas, Elizabete, que já era investigada pela morte da nora, Larissa, passou a ser investigada pela morte da filha, Nathália.
Corpos de Nathalia Garnica e Larissa Rodrigues estão sepultados no mesmo túmulo, em Pontal (SP).
Reprodução/EPTV
A sentença de pronúncia
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 9 de fevereiro de 2025, na casa da vítima em Pontal, e que Elizabete administrou o veneno "Carbofurano" à própria filha.
A acusação apontou que o crime foi cometido por razões da condição do sexo feminino em contexto de violência doméstica e familiar, com emprego de veneno, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além disso, a ré foi pronunciada por fraude processual, sob a acusação de ter mudado a cena dos fatos no dia seguinte, para induzir a erro o juiz e os peritos.
Ao proferir a sentença de pronúncia, a juíza Bruna Araújo Capelin Matioli rejeitou as preliminares da defesa relativas à nulidade de provas e destacou que a materialidade dos fatos ficou comprovada por meio dos laudos.
Em relação à autoria, ela fundamentou haver indícios suficientes e elevado grau de probabilidade durante a instrução probatória para autorizar a pronúncia.
A juíza ressaltou que cabe exclusivamente aos jurados do Conselho de Sentença analisar o mérito das provas e a credibilidade dos depoimentos prestados.
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