Justiça decreta prisão preventiva de bombeiro que matou estudante de medicina em Taubaté

  • 03/10/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia pede a prisão do bombeiro que matou estudante a tiros A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, acusado de matar a tiros o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, após uma briga de trânsito em Taubaté (SP). A decisão, desta sexta-feira (2), é da 15ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A relatora, desembargadora Gilda Alves Barbosa Diodatti, concedeu uma liminar ao recurso apresentado pelo Ministério Público e determinou a expedição do mandado de prisão contra o bombeiro. A decisão determina a expedição do mandado de prisão, mas ressalva que o cumprimento deve respeitar o artigo 236 do Código Eleitoral. A regra impede a prisão de eleitores desde cinco dias antes da eleição até 48 horas após o fim da votação, salvo exceções previstas em lei. Como o 1º turno acontece neste domingo (4), a restrição está em vigor desde terça-feira (29) e segue até terça-feira (6). Ou seja, Marcos só poderá ser preso após esse prazo. A defesa de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira informou neste sábado (3), em nota, que respeita os atos e as decisões do Poder Judiciário e que vai adotar, pelas vias processuais adequadas, todas as medidas e recursos cabíveis. Segundo o advogado Claudio Rodrigues Moreira, responsável pela defesa, a atuação seguirá pautada nas garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. A defesa afirmou ainda que os fatos e elementos que constam nos autos devem ser analisados no âmbito judicial. Eventuais manifestações sobre o mérito do caso e as provas, segundo o advogado, serão feitas no processo e no momento considerado adequado. Leia também: Esposa de estudante de medicina morto após ser baleado em briga de trânsito fala sobre perda: ‘Foi covardia’ Mãe de estudante morto em briga de trânsito em Taubaté pede justiça: 'As balas do Bruno estão em mim' Estudante de medicina morto por bombeiro em Taubaté foi baleado quatro vezes; tiros atingiram pescoço, tórax e braço Vídeo mostra carros de estudante de medicina e bombeiro lado a lado antes de briga de trânsito Bombeiro há 10 anos e histórico de denúncias por ameaça e violência: militar é acusado de matar estudante de medicina a tiros em SP Reprodução/TV Vanguarda Marcos havia sido preso em flagrante após a morte de Bruno, mas recebeu liberdade provisória na audiência de custódia, realizada na quinta-feira (1º). Na ocasião, a Justiça determinou medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno, comparecimento periódico em juízo, proibição de contato ou aproximação dos familiares da vítima e suspensão do porte de arma de fogo. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do acusado. Na decisão desta sexta-feira, a relatora considerou que há prova da materialidade e indícios de autoria do homicídio qualificado. Também apontou a gravidade concreta da conduta, o uso de arma de fogo em via pública e a necessidade de garantir a ordem pública e a instrução criminal, incluindo a proteção de uma testemunha mantida sob sigilo. Briga de trânsito que terminou em morte em SP: vídeo mostra carros de estudante e bombeiro Investigação A ordem de prisão preventiva ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Bruno. No relatório final, Marcos foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva do bombeiro e afastou a versão de legítima defesa apresentada por ele. O crime aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. Segundo a conclusão da investigação, Marcos e Bruno se envolveram em um desentendimento no trânsito. O bombeiro teria descido do Jeep Renegade que dirigia, ido até o carro de Bruno e golpeado o vidro da porta do motorista até quebrá-lo. Na sequência, ainda segundo a polícia, ele efetuou disparos contra o estudante. Bruno foi atingido por quatro tiros: um no pescoço, dois no tórax e um no braço esquerdo. Mesmo ferido, ele conseguiu deixar o carro e tentou fugir, mas não resistiu. Bruno Hashimura, de 23 anos, aparece em imagens após ser baleado; ao lado, o bombeiro Marcos Fujarra. Foto 1: Reprodução/Unama Santarém. Foto 2: Reprodução. Foto 3: Reprodução/Rede Vanguarda Versão do bombeiro Em depoimento, Marcos afirmou que acreditou estar diante de uma tentativa de assalto. Segundo ele, Bruno estaria com um objeto metálico que parecia uma arma de fogo e também teria tentado atacá-lo com uma faca. A defesa sustenta que o bombeiro agiu em legítima defesa. A Polícia Civil, porém, concluiu que os elementos reunidos durante a investigação não sustentam essa versão. Segundo o relatório, nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno e testemunhas não relataram ter visto o estudante empunhando uma arma de fogo ou uma faca. Um canivete retrátil de cabo azul foi encontrado dentro do carro de Bruno e encaminhado para perícia. Bombeiro acusado de disparo que matou jovem após briga de trânsito é preso por homicídio O que dizem as testemunhas Uma testemunha ouvida durante o inquérito relatou que Marcos se aproximou do carro de Bruno, quebrou o vidro e efetuou os disparos. A mulher de Marcos também prestou depoimento e afirmou acreditar que a situação poderia se tratar de uma tentativa de assalto. Segundo o relatório policial, no entanto, ela disse não ter certeza sobre qual objeto Bruno teria nas mãos e não presenciou diretamente os disparos. Ocorrências anteriores O relatório final da Polícia Civil também cita duas ocorrências anteriores envolvendo Marcos em desentendimentos no trânsito, registradas em 2021. Uma delas ocorreu em Caçapava e envolveu uma investigação por ameaça e dano. A outra foi registrada em São José dos Campos e, segundo o relatório, envolveu um desentendimento no trânsito durante o qual Marcos teria se identificado como policial militar e sacado uma arma. Os dois episódios foram arquivados, e o relatório ressalta que o bombeiro não possui condenações criminais transitadas em julgado relacionadas a esses casos. A defesa afirma que as ocorrências anteriores foram arquivadas e que os episódios devem ser analisados dentro de seu contexto jurídico. Estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. Arte g1 O que diz a defesa A defesa de Marcos, feita pelo advogado Cláudio Rodrigues Moreira, havia informado ao g1 que vai contestar o relatório final da Polícia Civil. O advogado sustenta que Marcos foi vítima de uma fechada no trânsito e que, depois, Bruno teria mostrado um objeto que o bombeiro acreditou ser uma arma. A defesa também afirma que o bombeiro se identificou como militar e ordenou que Bruno saísse do carro. Segundo essa versão, o estudante teria quebrado o próprio vidro com uma faca e, nesse momento, Marcos efetuou o disparo. Sobre o mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça, a defesa de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira informou, em nota, que respeita os atos e as decisões do Poder Judiciário e que vai adotar, pelas vias processuais adequadas, todas as medidas e recursos cabíveis. Segundo o advogado Claudio Rodrigues Moreira, responsável pela defesa, a atuação seguirá pautada nas garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. A defesa afirmou ainda que os fatos e elementos que constam nos autos devem ser analisados no âmbito judicial. Eventuais manifestações sobre o mérito do caso e as provas, segundo o advogado, serão feitas no processo e no momento considerado adequado. Bombeiro militar é identificado como autor de disparo que matou motorista após briga de trânsito em Taubaté Reprodução/TV Vanguarda Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/10/03/justica-decreta-prisao-preventiva-de-bombeiro-que-matou-estudante-de-medicina-em-taubate.ghtml


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