Justiça concede liberdade provisória a Lobo do Batel, influencer suspeito de chefiar golpe bilionário
26/01/2026
(Foto: Reprodução) José Oswaldo Dell'Agnolo é conhecido nas redes como Lobo do Batel
Reprodução/Redes sociais
O influencer José Oswaldo Dell'Agnolo, conhecido como Lobo do Batel e considerado o principal suspeito de chefiar um golpe bilionário por meio de um esquema financeiro clandestino, teve liberdade provisória concedida pela Justiça Federal. A decisão é de quinta-feira (22).
De acordo com o documento, assinado pela juíza Gabriela Hardt, da 23ª Vara Federal de Curitiba (PR), a prisão preventiva foi substituída por uma série de medidas cautelares, incluindo a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica. Veja a lista abaixo:
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Proibido de manter contato com acusados, investigados e vítimas;
Proibido de exercer qualquer função no mercado financeiro;
Proibido de fazer qualquer tipo de operação comercial;
Uso de tornozeleira eletrônica;
Proibido de sair da região metropolitana de Curitiba;
Recolher-se em dias de folga ou no período noturno;
Estar em prisão domiciliar.
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Segundo a juíza, as medidas cautelares foram aprovadas porque os crimes supostamente cometidos por José Oswaldo não possuem caráter violento ou sequer representam grave ameaça à pessoa. Além disso, ela alega que o influencer foi preso em território nacional e próximo à região da operação da Polícia Federal, mesmo tendo propriedades em divisas estrangeiras e sendo procurado pela Difusão Vermelha da Interpol.
Lobo do Batel é natural de Piraju, no interior de São Paulo. A Polícia Militar informou que ele é investigado por integrar um esquema de fraudes envolvendo plataformas digitais de investimento, com vítimas em diversas regiões do país.
No momento da prisão, os agentes encontraram mais de R$ 5 milhões em dinheiro vivo, em reais e dólares, além de relógios e celulares. A captura dele ocorreu após os policiais receberem informações de que o suspeito estaria hospedado em um hotel no bairro Ilhota.
Em nota enviada ao g1, a defesa de José Oswaldo afirma que o investigado nunca tentou fugir do sistema prisional e o pedido de substituição foi feito apenas 40 dias depois da prisão a pedido dele.
Além disso, os representantes informaram que o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou a favor da substituição da prisão preventiva, mas que isso não representa impunidade. José Oswaldo deve atender a todos os chamados da Justiça para esclarecer os fatos.
Golpes em Piraju
A Polícia Civil aponta que José Oswaldo causou um prejuízo de ao menos R$ 250 mil em Piraju. A corporação afirma que há seis boletins de ocorrência por estelionato registrados contra ele no município, que tem pouco mais de 30 mil habitantes.
O suspeito era considerado foragido desde agosto de 2025, quando foi registrado em Piraju um boletim de ocorrência relacionado ao seu desaparecimento.
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PM/Divulgação
De acordo com a polícia, o valor já identificado como prejuízo em Piraju supera o orçamento anual de três departamentos da prefeitura:
Departamento de Governo e Gestão - R$ 225 mil;
Departamento de Planejamento - R$ 131 mil;
Unidade de Controle Interno: R$ 118 mil.
Prisão de policiais por suborno
Após a prisão de José Oswaldo, dois policiais militares de Santa Catarina foram presos suspeitos de cobrar dinheiro para não deter o investidor.
Segundo a investigação, Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior teriam ido ao local indicado por denúncia sobre o paradeiro de José Oswaldo e saído com cerca de R$ 500 mil e dólares.
A defesa dos policiais afirmou, na época, que nenhum valor foi apreendido com eles e questionou a consistência da denúncia.
Apontado como líder de esquema bilionário
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PM/Divulgação
Seis dias antes da prisão em Itapema, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra grupos suspeitos de movimentar mais de R$ 1 bilhão em um esquema de instituições financeiras clandestinas.
Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de ativos que podem chegar a R$ 66 milhões e do sequestro de imóveis e veículos para garantir o ressarcimento das vítimas.
Segundo a PF, os investigados usavam empresas ligadas à área de tecnologia e um banco digital para captar recursos, oferecendo contratos com rentabilidade fixa, baixo risco e ganhos acima do mercado, alguns deles associados ao uso de supostos algoritmos e inteligência artificial.
Atuação irregular
A investigação apontou que as empresas e o banco digital não tinham autorização da CVM nem do Banco Central para atuar. Após o colapso do esquema, os responsáveis teriam interrompido pagamentos, deixado de prestar contas e passado a ocultar patrimônio.
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