Influencer é condenado a devolver R$ 950 mil por expor crianças em vídeos: ‘Pornografia da pobreza', diz juiz
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Justiça determina que influenciador devolva R$ 950 mil lucrados com vídeos com exposição de crianças em Sorocaba (SP)
Reprodução/Instagram
O influenciador digital de Sorocaba (SP), Elias Nogueira Gimenes, conhecido como Elias Motovlog, foi condenado pela Justiça a devolver mais de R$ 950 mil. O valor foi obtido com a monetização de vídeos que expunham crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A decisão é do dia 2 de março, da 1ª Vara da Infância e Juventude.
O valor corresponde aos ganhos que o influenciador teve com publicidade, presentes virtuais e parcerias. A decisão também determina o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. Essa multa deverá ser paga de forma solidária por Elias e pelas empresas Google, Facebook e TikTok.
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Segundo a sentença, todo o valor será destinado ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Sorocaba. A Justiça também ordenou a suspensão imediata de todas as contas e canais do influenciador, que não poderá criar novos perfis com o mesmo objetivo, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
As plataformas de tecnologia também foram responsabilizadas por falha sistêmica e omissão, uma vez que, conforme o juiz do caso, lucraram diretamente com o conteúdo ilegal e falharam ao não removê-lo de forma eficiente.
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Como agia o influenciador, segundo o processo
Segundo o processo, o influenciador seguia um roteiro sistemático nas ruas de Sorocaba, abordando crianças e adolescentes que vendiam doces e salgados em semáforos da cidade. Para sua audiência, ele justificava as gravações como a realização de um "teste social de honestidade e generosidade".
Durante as gravações, ele pedia que os jovens contassem suas histórias de vida e dificuldades financeiras. O material era publicado na internet sem nenhum cuidado para preservar a identidade dos menores, expondo seus rostos, nomes e idades.
Em uma das publicações, que chegou a atingir 3,4 milhões de visualizações, o influenciador simulou o roubo da mercadoria de adolescentes que trabalhavam no farol apenas para testar suas reações e gravar a cena.
Em outros vídeos, ele filmava as vítimas trabalhando sozinhas à noite. A sentença apontou que a prática era uma clara apologia ao trabalho infantil, pois elogiava os menores por trabalharem para sustentar a família.
Essa exploração era disfarçada como uma exaltação de "atitudes lindas" ou de "humildade". A conduta, classificada no processo como "pornografia da pobreza", violou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por usar a miséria como ferramenta para ganhar seguidores e dinheiro.
Sobre o perfil
No YouTube, o canal Elias Motovlog tem 914 mil seguidores e postagens recentes que ainda mostram crianças. No Facebook, são 2,1 milhões de seguidores, enquanto no Instagram o perfil passa de 300 mil, com vídeos semelhantes aos citados no processo.
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Procurado pelo g1, Elias Nogueira Gimenes disse inicialmente que não grava há algum tempo e que não recorreria da decisão. Em um segundo momento, afirmou que não iria se manifestar.
O Google informou que não irá comentar sobre o caso. Já o TikTok e o Facebook não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
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