Flávio Bolsonaro chama 8 de janeiro de farsa, diz que STF não é Alexandre de Moraes e que 'povo quer mudança' em ato na Paulista
07/09/2026
(Foto: Reprodução) Flavio Bolsonaro e Tarcísio participam de ato na Avenida Paulista
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores e aliados políticos na tarde desta segunda-feira (7) na Avenida Paulista, na região central de São Paulo.
O ato de campanha teve como mote as frases "Fora Lula, Fora Moraes". Durante seu discurso, Flávio ressaltou que o ato de 8 de janeiro foi uma farsa, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e ressaltou propostas para a segurança pública e saúde pública.
🔍O Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 29 réus acusados de participar da organização criminosa que tramou o golpe de Estado em 8 de janeiro de 2022, em quatro ações penais. Sete deles já cumprem as penas – entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio Bolsonaro, a esposa, Fernanda, e o pastor Silas Malafaia em ato na Avenida Paulista
THIAGO MIYASHIRO/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Pela contagem de público feita pelo Monitor do Debate Político -USP/Cebrap e pela More in Common, o pico de presença do evento foi de 28,5 mil pessoas (leia mais abaixo).
Flávio começou seu discurso relembrando que seu pai, Jair, foi esfaqueado em 6 de setembro de 2018 há oito anos. "7 de setembro seguinte eu estava com ele, lutando pela sua vida na Santa Casa de Juiz de Fora enquanto cada um de vocês estava já nas ruas lutando pelo Brasil. Ontem, completaram 8 anos e ele está mais vivo do que nunca."
Para Flávio, Jair Bolsonaro recebeu uma segunda facada, que são os atos golpistas de 8 de janeiro. "Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada", afirmou.
" Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando."
Em relação à crise no Supremo Tribunal Federal, o candidato fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes. "Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes".
O ato ocorreu após a repercussão de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes que apontam uma relação de proximidade entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master à época dos fatos investigados.
A manifestação também retoma uma pauta já presente em atos anteriores da direita. Em 2024, um protesto foi convocado com pedidos de impeachment de Moraes. No ano passado, manifestantes voltaram a defender a saída do ministro no ato da Paulista.
Em seguida, falou sobre suas propostas para segurança pública e saúde. "A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia. Eu vou trabalhar para reduzir a maioridade penal, cortar impostos, ter castração química de abusador de mulher, e ladrão de celular vai ficar preso no mínimo 8 anos."
"A saúde pública vai ser padrão Einstein. O nosso SUS vai ser padrão Einstein, como nosso ministro. Vai ser um Brasil que não depende de político para levar comida para dentro de casa. A minha candidatura é de protesto, para configurar que o Brasil tem jeito, tem futuro. Eu vou cuidar do Brasil", ressaltou.
Apoiadores de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Presenças no palco
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participou do ato de campanha. Mais cedo, ele não foi ao desfile cívico-militar de 7 de Setembro realizado no Sambódromo do Anhembi, onde foi representado pelo vice, Felicio Ramuth (MDB).
Na Paulista, ele pediu voto para Flávio e para senadores da direita e disse que "absolutamente ninguém está acima da Constituição. Senador nenhum está acima da Constituição. Magistrado nenhum está acima da Constituição. Ministro nenhum está acima da Constituição. Governador nenhum está acima da Constituição. O presidente da República não está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei".
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi um dos primeiros que discursou na Paulista, pedindo votos para Flávio, Tarcísio, além de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado.
Derrite também marcou presença, ao lado de André do Prado, Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, e de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
"Quero declarar a independência do Brasil a partir de 2027 contra o crime organizado no Brasil. Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais", disse Derrite.
"Só tem um jeito. O Jair Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos se o Flávio não for eleito. Se o Flávio for eleito, Bolsonaro estará com a gente no dia seguinte. Estamos juntos para a vitória", ressaltou Valdemar.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) também discursou e afirmou: “Fora, Moraes. Escute, Alexandre de Moraes, vamos tirar seu sorriso debochado. Ano que vem não vai ser Lula que vai indicar quatro ministros do STF, vai ser Flávio Bolsonaro. Flávio é o único candidato capaz de tirar o PT”.
Os primeiros grupos de apoiadores começaram a chegar à Paulista por volta das 13h30, com bandeiras do Brasil e vestidos de camisetas amarelas, portando faixas contra o STF, principalmente contra Moraes.
Contagem de público
O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a More in Common estimaram a presença de 28,5 mil pessoas no horário de pico do ato, às 16h32. Como a margem de erro é de 12%, isso quer dizer que havia entre 25,1 mil e 32 mil participantes naquele momento. A contagem é feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.
No ato de 7 de setembro de 2025, eles estimaram 42,2 mil pessoas na Avenida Paulista e 42,7 mil em Copacabana, Rio de Janeiro. Em 2024, estiveram 45,4 mil pessoas na Paulista. Em 2022, foram 32,7 mil pessoas em São Paulo e 64,6 mil pessoas no Rio de Janeiro. Não houve protesto oficial em 2023.
Ato da esquerda
PM usa gás para dispersar grupo contrário a Flávio Bolsonaro
A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo de manifestantes da esquerda na Avenida Paulista. Segundo a SSP, na região da Rua Peixoto Gomide com a Alameda Santos, um grupo tentou invadir o espaço destinado a aos apoiadores de Flávio, e PM e GCM intervieram para conter as partes.
De acordo com o boletim de ocorrência, houve necessidade de intervenção policial para evitar um confronto entre os manifestantes. Para dispersar o grupo e restabelecer a ordem, a PM fez uso de agentes químicos e de força, conforme o procedimento operacional padrão.
A SSP informou que não foram registrados incidentes graves e que o policiamento permanece na avenida para garantir a segurança e o direito à livre manifestação.
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro pedem "contagem pública de votos" em ato na Avenida Paulista
Gustavo Honório/g1
Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista
Reprodução/Canal Bolsonaro
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro chegam para ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Flávio Bolsonaro (PL) e o pastor Silas Malafaia em ato na Avenida Paulista
Abraão Cruz/TV Globo
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
Gustavo Honório/g1
Apoiadores de Flávio Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista nesta segunda-feira (7)
TV Globo