'Fio', 'Gordão', 'Japonês' e 'Nenê': quem é quem na rede que a polícia diz ter lavado R$ 1 bilhão para o PCC
03/09/2026
(Foto: Reprodução) 'Fio’, ‘Gordão’, 'Japonês’ e ‘Nenê’ são alvos dos mandados de prisão da Operação Helmintos
Polícia Civil
Quatro suspeitos de integrar um núcleo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) são alvos de mandados de prisão da Operação Helmintos, deflagrada nesta quinta-feira (3). Até a última atualização desta reportagem, dois deles haviam sido presos.
Anderson Roberto Braghine (conhecido pelo apelido de 'Fio'), Alexander Miguel da Silva (Gordão), Leonildo Marinho de Andrade (Nenê) e Ronaldo Yuzo Sekiya (Japonês) são investigados por integrar um esquema suspeito de lavar dinheiro do tráfico de drogas e exercer influência sobre atividades econômicas e políticas em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
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Fio e Nenê foram detidos durante a operação nesta quinta-feira (3). Eles moravam no mesmo condomínio, no bairro Guilhermina, em Praia Grande. O g1 não localizou a defesa dos quatro suspeitos até a publicação desta reportagem.
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal e declarou que permanece à disposição das autoridades para prestar informações (veja o posicionamento completo abaixo).
Agora no g1
De acordo com as investigações do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6), eles são os principais responsáveis pelo núcleo que teria movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão.
Confira a atuação de cada um dentro do esquema, segundo a Polícia Civil:
Anderson Roberto Braghine (Fio): chefe da organização criminosa, responsável por comandar a captação de valores do tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro por meio de empresas e imóveis;
Alexander Miguel da Silva (Gordão): um dos principais membros da organização, responsável por captar valores da venda de drogas em larga escala junto a integrantes do PCC, por meio de uma empresa "fantasma" e de imóveis por procuração;
Leonildo Marinho de Andrade (Nenê): principal operador financeiro, responsável por introduzir dinheiro em espécie no sistema financeiro ("capitalização") e redistribuir às chefias;
Ronaldo Yuzo Sekiya (Japonês): "homem de confiança" da organização, atuando como operador financeiro ligado diretamente a Alexander.
Infográfico mostra como funcionava o esquema, segundo a Polícia Civil
Arte/g1
Outros investigados
Além dos quatro alvos de mandados de prisão, a investigação do Deinter 6 apontou a participação de outras seis pessoas (cinco mulheres e um homem), que são investigadas por atuação na quadrilha.
Uma das suspeitas é sócia de um quiosque em Praia Grande e teria declarado renda de R$ 3,3 mil, enquanto movimentou R$ 51,2 milhões. Segundo a investigação, ela é esposa de um dos chefes da organização e estaria fora do Brasil.
Outras duas mulheres também são esposas dos integrantes do esquema, enquanto uma é ex-companheira de um deles. O núcleo ainda envolve pessoas jurídicas (quiosques e empresas) usadas como instrumento de integração.
Operação Helmintos cumpre mandados em Praia Grande
Polícia Civil
Operação Helmintos
As ações ocorrem em imóveis residenciais e comerciais, empresas e um setor da administração municipal, localizados em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.
De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas quatro principais frentes de atuação, que indicam uma possível tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores do Executivo e do Legislativo municipal:
lavagem de dinheiro por meio de negócios imobiliários;
controle de quiosques instalados em áreas públicas de Praia Grande;
suspeitas de favorecimento em procedimento licitatório municipal;
financiamento ou apoio a agentes políticos eleitos.
A Operação Helmintos teve o nome escolhido em referência à atuação considerada parasitária do grupo sobre a economia local, com possível prejuízo à livre concorrência e utilização de atividades comerciais para beneficiar a organização criminosa.
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal.
"Um agente da Polícia Civil esteve na Prefeitura solicitando informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na orla", diz o posicionamento.
Ainda segundo a prefeitura, a administração permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações necessárias.
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