Excesso de chuva deixa estradas rurais em lama e prejudica cultivos em Itapetininga: 'O prejuízo é difícil'

  • 28/09/2026
(Foto: Reprodução)
Chuvarada causa prejuízos em Itapetininga Itapetininga (SP) registrou, em setembro, um volume de chuva que, segundo o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), faz deste o mês de setembro mais chuvoso dos últimos dez anos. Como consequência das chuvas, mais de 300 imóveis foram afetados pela cheia do Rio Itapetininga, que chegou a ficar oito metros acima do nível normal. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Para os produtores rurais, os prejuízos vão além dos danos às propriedades e atingem também as plantações. É o caso de Dimaron Manoel Filho, que cultiva alface, couve e repolho e conta que todos os canteiros ficaram cobertos pela lama. "Nós não estamos conseguindo plantar e nem colher. O alface ficou todo melado. O negócio está feio. O prejuízo é difícil, porque nós vivemos de tudo isso. Temos que dar os nossos pulos, mas a parte de hortaliças está complicada", lamenta. Segundo Dimaron, o prejuízo na horta já ultrapassa os R$ 2 mil. Ele possui insumos suficientes para plantar por apenas mais uma semana e, caso a chuva continue, ele terá que refazer todo o trabalho do zero, ou trocar o tipo de cultura. Prejuízo já passou os R$ 2 mil na produção de Dimaron Reprodução/TV TEM "É um gasto para o plantio sem um lucro, porque não conseguimos fazer o giro. Sorte que temos bananas, que ajudam nas feiras e nas vendas. Se a chuva continuar, nós vamos ter que mudar para legumes, que são mais resistentes à chuva. Eu vou arriscar, já que, em outra parte, começamos no pepino, na cenoura e na beterraba, para ver se faremos o faturamento que estamos acostumados", pontua. Os dados do Ciiagro apontam que, em apenas cinco dias, choveu 110 milímetros em Itapetininga, volume esperado para quatro meses. Bruno Galvão, consultor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), afirma que, devido à dificuldade de plantio, o órgão tem oferecido ajuda aos produtores por meio de cursos. "Estamos orientando os produtores, e o Dimaron foi um dos que nos procurou no Sindicato Rural. Estamos ensinando sobre a questão de análise de solo, que é importante para saber qual cultura ele pode entrar de forma mais incisiva. Existem culturas que são mais resistentes ao período chuvoso, como a cenoura, que consegue escoar a produção com mais rapidez", afirma. De acordo com o consultor, outros produtores rurais também estão sofrendo com os estragos da chuva. Entre eles, estão os que produzem milho e trigo. "É um problema constante. Na parte de colheita, como trigo e milho, há muitos que acabaram perdendo bastante, porque o excesso de chuva acabou acontecendo no período da colheita. Nesse período, era para começarem o plantio de soja, e isso acabou dando um prejuízo grande para o pequeno, médio e grande produtor", analisa. "Nós não podemos reclamar sobre o excesso de chuva, mas ele está acontecendo fora de época. Alguns produtores estão segurando neste momento e tentando partir para outra cultura, mas a chuva atrapalha devido ao solo úmido", completa. Segurar o cultivo À TV TEM, Bruno opina que, no momento, a melhor opção é "segurar o cultivo". Segundo o profissional, a medida pode evitar problemas e prejuízos ainda maiores futuramente. "Aguardar é o caminho, e é triste falar isso, porque o produtor é muito resiliente. Itapetininga é forte no agronegócio e é necessário manter, mas, para isso, precisamos que a chuva dê uma trégua para conseguir caminhar da melhor forma", aponta. Estragos e prejuízos milionários O grande volume de chuvas prejudica, também, as estradas da zona rural. Itapetininga possui aproximadamente 5 mil quilômetros de estradas vicinais, com a maioria sem ser asfaltada. Com tanta água, muitas vias viraram lamaçais, dificultando o transporte e escoamento de produtos. Valginer Bertiotti enfrentou problemas para transportar 3,4 mil cabeças de gado, que saíram de Itapetininga com destino ao porto de São Sebastião (SP). Valginer teve um prejuízo milionário causado pela chuva Reprodução/TV TEM Ele conta que, durante o trajeto, parte do comboio de 70 carretas ficou preso no atoleiro de uma estrada vicinal de Itapetininga. Foi necessário o uso de tratores e escavadeiras para seguir viagem, mas, mesmo assim, o prejuízo já havia crescido. "Fiquei com animais embarcados por um longo período por problemas na estrada de transição da propriedade até o asfalto. O prejuízo compõe despesas extras no porto, multas aplicadas pelo comprador do gado, na Turquia, à nossa empresa, pelo atraso na operação e a quantidade de diárias pagas a mais pelos trabalhadores", relata. Ao todo, Valginer estima um prejuízo de R$ 1,5 milhão. O produtor também enfrentou perdas com o gado, que perdeu peso após passar muito tempo sem conseguir ser embarcado, o que provocou estresse nos animais. Gado não conseguiu ser transportado à Turquia Reprodução/TV TEM Segundo ele, um transporte que normalmente levaria cerca de oito horas acabou durando mais de dois dias. "Os animais que ficaram travados chegaram a perder 12% do peso, por ficarem sem comer e sem beber em cima do caminhão. Não conseguíamos sair daqui, sem ir para frente e sem ir para trás. Isso beirou o desespero, porque, quando vemos um animal sendo tratado dessa forma, afeta o emocional de todo mundo", desabafa. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: morador usa drone para alimentar gatos que ficaram ilhados em bairro alagado de Itapetininga VÍDEO: cava de porto de areia fica alagada após rio transbordar em Itapetininga Polícia Civil de Avaré prende quadrilha suspeita de roubos milionários em fazendas no interior de SP Para o fazendeiro, os problemas provocados pelas chuvas acabaram desencadeando uma série de prejuízos. Parte do gado perdeu tanto peso que não pôde mais ser enviada à Turquia. Segundo ele, as exigências sanitárias para a exportação determinam que os animais passem por um período de isolamento. Com os transtornos causados pelas chuvas e a demora no transporte, esse período foi comprometido. "Os animais não podem ter contato com outros da mesma espécie de condição sanitária diferente. A partir do momento que tivemos que romper o lacre e desembarcar os animais, eles voltaram para dentro da propriedade que estamos. Eles vão passar por uma nova quarentena, com todo o tratamento sanitário e exames que foram perdidos", observa. O sindicato que representa os produtores rurais em Itapetininga diz que acompanha a situação junto às autoridades, aguardando uma solução definitiva. Roberto Kenkiti, presidente da instituição, afirma que esteve em contato com o Secretário de Agricultura da cidade para buscar uma resolução. "Agora, no momento, não tem muito o que fazer. É aguardar a enxugar essa terra. As autoridades dizem que estão à disposição. Assim que secar o solo, eles tentarão dar um apoio nas partes mais críticas das estradas. Há muito serviço a ser feito. O sindicato está junto aos produtores associados para poder ajudar", declara. Presidente do sindicato afirma que procura soluções definitvas Reprodução/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/09/28/excesso-de-chuva-deixa-estradas-rurais-em-lama-e-prejudica-cultivos-em-itapetininga-o-prejuizo-e-dificil.ghtml


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