'Espiral de violência': como execuções e corpos carbonizados revelaram disputa entre PCC e CV no interior de SP
30/01/2026
(Foto: Reprodução) Operação em cinco cidades do interior de SP mira disputa de facções PCC e Comando Vermelho
Foi monitorando uma sucessão de crimes graves, como execuções com o uso de fuzis, homicídios de chefias, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores, que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público (MP), traçou a disputa territorial entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo.
A investigação que culminou na Operação Keravnos, deflagrada nesta quinta-feira (29), em conjunto com a Polícia Militar (PM), para desarticular células das duas facções envolvidas em conflitos nas regiões de Araras (SP), Piracicaba (SP), Rio Claro (SP) e Limeira (SP).
Segundo o Gaeco, as organizações criminosas estão por trás de uma sucessão de crimes que ocorrem desde 2022 e que promoveram o cenário de ‘espiral da violência’.
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🔎 O consultor sênio do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, explicou que o cenário de ‘espiral da violência’ é quando uma morte desencadeia ciclos sucessivos de vinganças, cada vez mais graves e letais.
“A espiral é no sentido de que essas mortes geralmente iniciam ciclos de vingança, cada vez piores. É algo que vai escalando em progressão”, afirma.
Infográfico - Região onde ocorre disputa territorial entre PCC e CV no estado de São Paulo
Arte/g1
Primeiros sinais
De acordo com Langeane, os primeiros sinais desse processo costumam aparecer nos indicadores de segurança pública, como o aumento repentino de homicídios fora do padrão histórico da cidade e, muitas vezes, com características de execução.
Outro fator é a mudança no perfil do armamento apreendido, com a circulação de armas mais modernas, de maior poder de fogo e com funcionamento automático ou semiautomático.
“São algumas das pistas às quais a polícia precisa estar atenta”, explica Langeani.
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PM e Gaeco realizam operação em Rio Claro (SP) contra crimes ultraviolentos
Polícia Militar/Divulgação
O início da investigação do Gaeco se deu após o monitoramento policial identificar a sucessão de crimes violentos nas regiões.
Estratégias de segurança
Langeani informou que estratégias de segurança pública voltadas ao enfrentamento dos crimes mais violentos e ao combate ao mercado ilegal de armas tendem a ter impacto mais significativo.
“Uma política que prioriza o combate aos crimes mais violentos e ao mercado ilegal de armas tem maior impacto nesses cenários”, afirma.
A operação
Operação da Polícia Militar e Gaeco contra crimes ultraviolentos cumpre de mandados em Piracicaba e Limeira
Polícia Militar de Piracicaba/ Reprodução
Houve o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão em endereços em Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia, nesta quinta-feira.
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Segundo o Gaeco, o objetivo é apreender armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam reforçar as provas sobre a atuação, a hierarquia e os planos de ataque das facções.
Rio Claro na rota
Disputa entre facções eleva número de homicídios em Rio Claro
Uma reportagem do g1, publicada em novembro de 2025, apontou que a combinação entre localização estratégica e ausência de hegemonia no controle do tráfico transformou Rio Claro em palco de uma disputa violenta entre facções criminosas.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, a cidade registrou 24 homicídios dolosos em 2025, oito deles execuções, um aumento de 26,3% em relação a 2024, com taxa de assassinatos quase três vezes superior à média estadual.
A cidade é cercada por rodovias estratégicas para o escoamento do tráfico, não possui histórico de domínio exclusivo de uma facção e apresenta fragilidade no controle do PCC, que enfrenta rivalidades com grupos locais menores.
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