Especialistas explicam importância da terapia afirmativa e como a voz impacta a saúde mental de pessoas trans

  • 30/06/2026
(Foto: Reprodução)
Dia do Orgulho: terapia afirmativa e o impacto da voz na saúde mental trans O Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em junho, traz à tona debates que vão além das conquistas jurídicas e do direito ao nome social. Um aspecto sutil, mas considerado vital para a população trans, tem ganhado destaque nos consultórios de saúde: a terapia vocal. Sendo uma das expressões mais fortes da individualidade, fazer a voz dialogar com a identidade de pessoas travestis, mulheres, homens trans e não-binárias é uma questão de dignidade, saúde mental e segurança social. Marcha da Visibilidade Trans de Sorocaba Divulgação 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Em todo o estado de São Paulo, incluindo a região de Sorocaba, a atuação de um fonoaudiólogo é regulamentada e fiscalizada pelo Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região (CREFONO-2), órgão que garante a aplicação de abordagens seguras e baseadas na ciência. 🗣️ Terapia vocal afirmativa Ronielio Ribeiro de Sousa é fonoaudiólogo e conselheiro do CREFONO-2 Arquivo pessoal O fonoaudiólogo e conselheiro do CREFONO-2, Ronielio Ribeiro de Sousa, de 31 anos, explicou que o termo "adequação vocal" vem sendo superado por um conceito mais acolhedor: a terapia vocal afirmativa. "O objetivo central é expandir as possibilidades da voz e da expressividade para que reflitam a identidade da pessoa, promovendo conforto e autonomia, sem imposições normativas. A voz não dita o gênero; ela expressa a singularidade de cada corpo", explicou. Ele ressalta que, enquanto a testosterona expande a massa das pregas vocais e engrossa a voz dos homens trans, o estrogênio não tem o poder de afinar a laringe já desenvolvida das mulheres trans e travestis. É exatamente aí que a fonoaudiologia torna-se indispensável. Tentar forçar o trato vocal sem a coordenação muscular adequada gera uma sobrecarga severa, que pode resultar em: Fadiga crônica; Dor ao falar; Rouquidão persistente; Lesões estruturais graves, como nódulos ou fendas nas pregas vocais. 🏳️‍🌈 O Impacto na mente Thaís Prestes Mazzotti é psicóloga de Sorocaba (SP) Arquivo pessoal O sofrimento gerado quando a voz não corresponde à identidade de gênero pode intensificar quadros de disforia. A psicóloga Thaís Prestes Mazzotti, de 33 anos, explica que esse desalinhamento atinge diretamente o posicionamento social do indivíduo. "Quando a voz não corresponde à maneira como a pessoa se identifica, podem surgir sentimentos de frustração, desconforto e estranhamento em relação ao próprio corpo, afetando a autoestima e a autoconfiança", afirmou a profissional, que é de Sorocaba (SP). Esse sofrimento é ampliado pelo misgendering, ato de tratar a pessoa trans pelo gênero errado com base apenas no som da sua voz. Para a psicóloga de Sorocaba (SP), a necessidade constante de se corrigir e se explicar perante a sociedade gera um cansaço psicológico profundo. "Essa repetição diária no trabalho, nos serviços de saúde ou em espaços públicos aumenta o sentimento de cansaço, invisibilidade e de não pertencimento. Quando essas vivências são persistentes, podem intensificar o sofrimento psíquico e agravar transtornos psicológicos." Quando o alinhamento vocal acontece, o impacto na qualidade de vida é imediato. Thaís destaca que os pacientes ganham maior espontaneidade, segurança e uma melhora significativa na inserção no mercado de trabalho, permitindo que participem de processos seletivos e dinâmicas sociais com menos medo de serem julgados ou invalidados. 🎶 Voz, arte e segurança Victor Rocha, de 29 anos, fala sobre a terapia vocal Arquivo pessoal Para Victor Rocha, de 29 anos, a terapia vocal nunca foi apenas uma questão de adequação social, mas de sobrevivência artística e emocional. Sendo um homem trans e autista, ele usa o canto como a sua principal ferramenta de comunicação. Por anos, o pavor de que a hormonização pudesse silenciar sua música o paralisou. O alívio veio há quatro meses, quando Victor iniciou a terapia vocal afirmativa. A fonoaudiologia mostrou ao paciente que era possível passar pelo processo preservando a saúde das pregas vocais. Hoje, ver a voz se transformando traz um misto de saudade do passado e a certeza do acerto. "É uma sensação assustadora. É muito bom, mas, às vezes, me dá uma saudade daquela voz... Mas eu confio que vou conseguir voltar a cantar um dia. É só... certo. E é muito bom.", afirmou. Se no ambiente profissional o impacto foi leve, já que Victor atua como nutricionista quase exclusivamente com pacientes autistas e LGBTQIAPN+, nas ruas a nova voz revelou um peso social avassalador, escancarando as estruturas do machismo e da transfobia no cotidiano. A mudança no timbre trouxe, acima de tudo, proteção física e psicológica. "É nítida a diferença de como me tratam dependendo da voz que eu falo 'boa noite'. Eu já fiz o teste de mascarar e forçar a voz antiga para ver se era coisa da minha cabeça, mas não é. É muito triste e enfurecedor. Então a principal mudança foi a segurança." 📢 O cenário do acesso no interior Apesar dos benefícios evidentes, o acesso a esse tipo de tratamento ainda enfrenta barreiras estruturais no país. Ronielio aponta problemas graves como a centralização dos serviços especializados do SUS nas capitais, deixando o interior muitas vezes desassistido, além da falta de cobertura simplificada por convênios médicos. Para quem vive na região de Sorocaba (SP), o caminho seguro é buscar profissionais devidamente registrados. O CREFONO-2 reforça que qualquer fonoaudiólogo registrado e devidamente capacitado na área de Voz está legalmente respaldado para realizar a abordagem afirmativa na região. Garantir o direito à própria voz é, fundamentalmente, garantir o direito de existir com segurança. Como resume o conselheiro Ronielio, conquistar uma voz que dialogue com quem se é gera autonomia: "O processo abre portas para a participação cidadã plena, permitindo que a pessoa ocupe espaços públicos e expresse seu potencial máximo no mundo." Dia do Orgulho: especialistas explicam importância da terapia afirmativa e como a voz impacta a saúde mental de pessoas trans Divulgação *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/06/30/especialistas-explicam-importancia-da-terapia-afirmativa-e-como-a-voz-impacta-a-saude-mental-de-pessoas-trans.ghtml


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