'Enxergar além dos olhos': os desafios da educação para pessoas cegas na região de Sorocaba

  • 15/03/2026
(Foto: Reprodução)
Braile continua essencial para comunicação de pessoas cegas e com baixa visão A tradução de sentimentos pela imagem é um desafio para quem não vê, mas há quase 25 anos, o jornalista Teco Barbero descobriu que é possível enxergar além dos olhos e transformou essa percepção em profissão. Um quadro com formas em relevo, presente de uma amiga, simboliza o significado de seu trabalho. É através do toque que ele se reconhece na arte, provando que a percepção do mundo pode ir muito além da visão. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Apesar da forte conexão com o tato, Teco revela uma lacuna em sua formação: não ser alfabetizado em Braille quando criança. Na época, o entendimento era de que o aprendizado do sistema de pontos poderia fazê-lo "esquecer a visão". "Meu processo de leitura talvez pudesse ter sido acelerado com o Braille. No entanto, não foi esse o entendimento na época. Pensaram que eu ia achar o Braille muito tranquilo e iria esquecer a visão, o que considero algo sem cabimento", revela o jornalista. Muito antes de chegar a espaços públicos, o Braille nasceu de uma necessidade Reprodução/TV TEM Muito antes de chegar a espaços públicos, o Braille nasceu de uma necessidade. No século XIX, o francês Louis Braille, que perdeu a visão ainda criança, sentiu-se inconformado com a exclusão e desenvolveu um sistema revolucionário baseado em pontos em relevo que transformaram o toque em leitura. O método chegou ao Brasil em 1854, trazido pelo professor José Alves de Azevedo, que convenceu o Imperador Dom Pedro II a criar a primeira escola para pessoas cegas no Rio de Janeiro. Hoje, a legislação brasileira determina a presença do Braille em espaços públicos. Na Biblioteca Municipal de Sorocaba (SP), um exemplo prático mostra como a acessibilidade amplia horizontes. O local oferece ferramentas como uma lupa eletrônica, que permite alterar cores e o tamanho da fonte, e um óculos com tecnologia israelense que transforma qualquer imagem em áudio. O sistema é apresentado de forma gradual, com ferramentas como a "cela Braille", onde cada espaço de seis furos representa uma letra. Reprodução/TV TEM O acervo da biblioteca vai além dos quase 1,3 mil livros em Braille, incluindo também audiolivros e jogos adaptados. O espaço foi pensado não apenas para pessoas cegas, mas também para aquelas com baixa visão, reforçando o compromisso com a inclusão de todos. O acesso ao Braille, no entanto, começa muito antes da biblioteca. Na fase de alfabetização, a pessoa cega primeiro treina o tato com diferentes texturas para se familiarizar com o mundo. Em seguida, o sistema é apresentado de forma gradual, com ferramentas como a "cela Braille", onde cada espaço de seis furos representa uma letra. A professora Melina Veríssimo, com mais de 20 anos na educação, alerta que não basta apenas ensinar: é preciso preparo, estímulo e, principalmente, profissionais capacitados, que estão em falta no mercado. "Faltam profissionais por acharem que é difícil. Não é fácil, mas não é impossível. Já participei de processos seletivos em que concorri com apenas três pessoas, porque não há profissionais", revela. A falta de estrutura é outro problema grave. Dados do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência revelam a dimensão do desafio: em 2024, na região de Sorocaba, havia 560 alunos com cegueira ou baixa visão, mas 716 das mais de 2,2 mil escolas não possuíam qualquer tipo de acessibilidade. Dados do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência revelam a dimensão do desafio Reprodução/TV TEM Além disso, apenas 10% dessas escolas contavam com piso tátil e sinalização adequada, evidenciando uma falha estrutural no sistema de ensino. Quando a oportunidade de aprender chega tarde, o caminho precisa ser reconstruído. A psicopedagoga Cláudia Guerra acompanha pessoas que perderam a visão ao longo da vida e precisam se alfabetizar novamente em Braille. Ela explica que o trabalho envolve estimular o tato, a audição, a lateralidade, a atenção e a cognição. Em suas sessões, até um simples jogo de dominó adaptado se transforma em uma ferramenta poderosa, onde cada ponto reconhecido é uma conquista. "É muito prazeroso ouvir eles dizendo 'eu não vou conseguir' e depois vê-los jogando dominó em Braille", compartilha a psicopedagoga. A inclusão, por fim, vai além da sala de aula e se estende a todas as experiências da vida. A professora Melina relembra com carinho um passeio que fez com um aluno no zoológico, onde utilizou a audiodescrição para detalhar os animais e o ambiente. "Eu fiz toda a audiodescrição do que havia, dos animais, daquele espaço. Para mim, foi enriquecedor", conclui. Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/03/15/enxergar-alem-dos-olhos-os-desafios-da-educacao-para-pessoas-cegas-na-regiao-de-sorocaba.ghtml


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