Dia Nacional da TV: saiba como surgiu a afiliada da Globo referência em multiplataformas no noroeste de SP
18/09/2026
(Foto: Reprodução) Rede Globo Noroeste Paulista/TV TEM relembra as coberturas marcantes dos 40 anos
O Dia Nacional da Televisão é comemorado nesta sexta-feira (18), marcando os 76 anos da primeira transmissão no Brasil de um dos mais importantes veículos de comunicação. O ano era 1950 quando foi inaugurada a TV Tupi em São Paulo (SP).
Em abril de 1986, 36 anos depois, a região de São José do Rio Preto e Araçatuba (SP) recebia a primeira emissora afiliada à Rede Globo, que viria a se chamar TV TEM.
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Sede da emissora afiliada Rede Globo em São José do Rio Preto (SP) em 2026
Reprodução/TV TEM
Neste ano, a emissora celebrou 40 anos de uma promissora história marcada pela era digital e pelo conceito multiplataforma, incorporado recentemente à rotina dos jornalistas.
Em homenagem aos fundadores e aos profissionais que contribuíram com esse meio de comunicação, o g1 relembra detalhes de uma trajetória construída lado a lado com a sociedade. Veja abaixo.
Revolução comunicacional no país
Assis Chateaubriand foi um dos responsáveis pela implementação da televisão no Brasil
Reprodução/Internet
A televisão foi implementada no Brasil quase 20 anos depois de sua inauguração na Europa e nos Estados Unidos. A chegada da mais nova alta tecnologia ao país deve-se muito ao trabalho do empresário Assis Chateaubriand.
Fundador da TV Tupi — a primeira da história no país —, o empresário e jornalista investiu no novo negócio trazendo cerca de 200 aparelhos televisores, que foram distribuídos pela cidade de São Paulo.
Alguns anos mais tarde, a tecnologia chegou ao Rio de Janeiro, onde tomou novos rumos de desenvolvimento e atraiu mais investimentos. Em 1965, fundada pelo jornalista Roberto Marinho, surgiu a TV Globo, que viria a ser uma das maiores redes de televisão do mundo.
O veículo se tornou popular por volta da década de 1970, junto com a chegada da transmissão em cores, quando a maior parte dos brasileiros passou a ter acesso à TV.
Historiador Fernando Marques conta sobre chegada da TV ao Brasil
Arquivo pessoal
“A televisão teve um impacto imediato na vida dos brasileiros mais abastados, das grandes capitais, mas demorou para chegar à classe média. No começo, era praticamente como uma extensão do rádio e do teatro. Então, muitos brasileiros preferiram continuar nas ondas do rádio”, explicou o historiador rio-pretense Fernando Marques, em entrevista ao g1.
Após 76 anos de história no Brasil, a televisão segue levando informação e entretenimento para milhões de pessoas.
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Da capital ao noroeste de SP
Segundo Fernando Marques, a chegada da televisão ao noroeste paulista foi viabilizada, principalmente, pelo interesse econômico e pelo potencial de publicidade que o meio de comunicação apresentava.
“Quem proporcionou a chegada da TV ao interior foram as Associações Comerciais. Elas enxergaram um novo veículo de propaganda para o comércio e a indústria. O comercial de 30 segundos do rádio virou ‘fichinha’ perto dos anúncios televisivos, muitos dos quais eram produzidos por estúdios cinematográficos”, conta Marques.
Fachada da Rede Globo Noroeste Paulista, atual TV TEM, que iniciou as operações em abril de 1986: coberturas marcantes em 40 anos de atividades
TV TEM/Arquivo
Entretanto, apesar do caráter inicialmente comercial, as grandes emissoras e os empresários do ramo viam a necessidade de se fazer telejornalismo de qualidade. O interior carecia de conteúdo local, e a reversão dessa situação foi favorecida com a instalação de emissoras afiliadas.
A primeira transmissão em São José do Rio Preto foi feita no início da década de 1970.
No dia 21 de abril de 1986, um momento histórico colocou a TV Globo Noroeste Paulista no mapa da comunicação brasileira: a estreia da emissora ocorreu ao vivo durante o Bom Dia São Paulo, marcando o início de uma nova fase para o jornalismo regional.
Simulação da sede da emissora afiliada Rede Globo em São José do Rio Preto (SP) em 1986
Reprodução/TV TEM
Depois de 12 anos como TV Globo Noroeste Paulista, a emissora passou a se chamar TV Progresso em 1998. Mais tarde, em 2003, adotou o nome atual e consolidou a rede: TV TEM.
O criador da emissora é o advogado, jornalista e empresário J. Hawilla. Natural de São José do Rio Preto, ele começou na carreira como repórter de campo em uma rádio da cidade, na década de 1960. Depois, trabalhou como repórter da Rádio Bandeirantes e da TV Globo, onde cobriu a Fórmula 1 antes de dedicar-se exclusivamente ao futebol. Fez entrevistas históricas, como a com o craque Pelé.
J. Hawilla morreu aos 74 anos
Reprodução/TV TEM
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À época, ele adquiriu as afiliadas da Rede Globo em Sorocaba, Rio Preto e Bauru, além de criar a emissora em Itapetininga. Também foi proprietário da rede de jornais Bom Dia, com presença em várias regiões do Estado, e do Diário de São Paulo. Fundou também a TV7, empresa responsável pela estrutura de transmissões esportivas e produção de programas.
Hawilla morreu aos 74 anos no dia 25 de maio de 2018 em decorrência de problemas respiratórios. Desde então, a família assumiu a administração da TV TEM.
“No interior, a TV demorou mais de uma década para chegar. Mas, quando chegou, foi arrasador, porque a televisão já tinha se estruturado e já encantava os lares brasileiros”, pontua o historiador Fernando Marques.
Multiplataformas
Logo g1
Arte g1
Completando quatro décadas, a TV TEM segue entre as emissoras pioneiras em jornalismo de qualidade e inovação. No entanto, a forma como o público consome esse conteúdo passou por transformações drásticas.
Com o avanço das redes sociais, dos streamings e da onipresença dos smartphones, o desafio deixou de ser apenas levar o sinal para dentro das casas, mas disputar a atenção do telespectador em multiplataformas.
Para enfrentar esse cenário, reinvenção se tornou uma palavra de ordem. A estratégia para o presente — e para as próximas décadas — é a integração. A televisão não fala mais sozinha: ela dialoga em tempo real com plataformas digitais, como o portal g1 e o Globoplay.
MoJo
Mobile Journalism (MoJo) da TV TEM em Araçatuba (SP)
TV TEM / Kelly Borges
A tecnologia avança, mas a essência do que atrai o público permanece. Pensando nisso, a TV TEM passou a usar e adaptar os smartphones como ferramenta para captar imagens e entrevistas. Os vídos produzidos por meio de um celular são usados para produzir videotapes (VTs).
Com microfone, tripé, iluminação em LED e gaiola universal para celular (small rig), o repórter multimídia faz o trabalho de campo, executando o processo de produção de conteúdo jornalístico. A tecnologia permitiu mobilidade e rapidez na apuração das informações. Esse novo método de trabalho foi implantado pela emissora em meados de 2022 e recebe o nome de Mobile Journalism (MoJo).
"A chave para a longevidade da televisão está em olhar para o próprio quintal", finaliza Fernando Marques.
Os produtores de televisão também auxiliam na busca por profissionais qualificados e por pessoas que possam conceder entrevistas e tornar os fatos reais na tela da TV. Por sua vez, os editores definem as principais imagens e fazem a seleção de informações e trechos de entrevistas essenciais o para entendimento do telespectador.
Mobile Journalism implantado pela TV TEM nas regiões de São José do Rio Preto e Araçatuba (SP)
TV TEM / Kelly Borges
* Colaborou sob supervisão de Henrique Souza
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