Descarte de livros em biblioteca de Osasco vira alvo de pedido de apuração no Ministério Público
27/04/2026
(Foto: Reprodução) Livros de biblioteca pública de Osasco foram descartados em caçamba de lixo
Reprodução/TV Globo
O descarte de milhares de livros da Biblioteca Municipal de Osasco, na Grande São Paulo, levou coletivos e vereadores a protocolarem uma petição no Ministério Público nesta segunda-feira (27) pedindo a apuração do caso e esclarecimentos sobre o destino do acervo.
A denúncia exibida pelo SP2 no último sábado (25) provocou forte reação de indignação entre moradores da cidade.
Segundo a atual gestão da prefeitura, o material foi jogado no lixo por estar contaminado com fungos e mofo. Além dos livros, documentos históricos também teriam sido descartados.
O engenheiro Carlos Tagliari, que frequentava o espaço, lamenta a situação. “Era um local de referência, e aquilo que fizeram não deveria ter sido feito, em hipótese nenhuma. Aquilo lá chegou a matar a gente por dentro, porque tem livros lá que não vão ser substituídos em hipótese nenhuma, porque não existe similar dele nacional.”
A reportagem revelou que milhares de exemplares do acervo municipal foram retirados e colocados em caçambas de entulho. Segundo moradores, o material foi levado para uma empresa de sucata.
Prefeitura de Osasco descarta centenas de livros de biblioteca pública e gera indignação
Nesta segunda, o local estava fechado, mas, por telefone, um responsável afirmou: “Nós só fizemos o translado, mas esses livros já foram devolvidos.” Questionado se a devolução ocorreu no mesmo dia, respondeu que sim.
Quem mora na região e conhecia a biblioteca também critica o descarte. “Eu acho um desperdício, que a gente que tem filho na escola sempre precisa pesquisar alguma coisa. Eu vi o que eles alegaram, mas, pelo que eu vi eles jogando lá, os livros estavam todos bons”, disse a auxiliar de limpeza Maria Célia de Jesus.
Descarte de livros em biblioteca de Osasco vira alvo de pedido de apuração no Ministério Público
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O estudante Caio Luca Parrillo afirma que sente falta do espaço. “Eu sinto bastante falta porque, desde que eu vim pra Osasco, ela é muito importante, tanto não só pra estudante como também pra organizações de estudo e aprendizagem. Eu acho uma pena, porque todo livro é um conhecimento e jogar fora é como se jogasse fora o conhecimento.”
Professores e moradores também se mobilizam para tentar reverter a situação. “Nós ainda não tivemos nenhum acesso a algum material, laudo, justificativa plausível pra isso. Só existe uma justificativa que foi dada de forma muito genérica, de que tinha fungo, que tinha mofo, mas nada ainda material sobre o assunto”, afirmou a professora Juliana Gomes Curvelo.
Após a repercussão do caso, justamente na Semana Mundial do Livro, vereadores e coletivos procuraram o Ministério Público e protocolaram a petição pedindo a apuração do descarte e esclarecimentos sobre o destino do acervo.
“Entramos em contato com a Alesp, com o deputado Maurici, e decidimos entrar juntos no Ministério Público. Na nossa petição, a gente pede para que a prefeitura seja investigada, na pessoa do prefeito Gérson Pessoa e do secretário de Cultura, por peculato, por crimes contra o patrimônio público. Afinal de contas, são quase 40 mil livros que foram jogados fora sem obedecer ali a regra de descontinuidade”, disse Heber Rocha Farias, líder do coletivo JuntOz.
O grupo também pede a apuração de outros possíveis crimes, como dano ao patrimônio público, improbidade administrativa, possível violação ao patrimônio cultural e à legislação que regulamenta o descarte de documentos públicos.
Para a especialista em conservação e restauro Luiza Kumagai, o descarte deve ser a última alternativa. “A gente tem tratamentos aqui no Brasil, próprios, adequados para isso e de grande escala. Então você não descarta, você faz uma triagem, uma análise técnica do estado de conservação. A partir disso, adota um tratamento de conservação, de higienização, descontaminação, o que for necessário.”
A preocupação também chega às crianças. “Eu fiquei muito preocupada com os livros, porque os livros são o que traz que a gente aprende alguma coisa. O livro é a maior fonte de educação pras pessoas”, disse a estudante Beatriz Oliveira Ramos, de 8 anos.
A TV Globo pediu entrevista com o prefeito de Osasco, Gérson Pessoa (Podemos), com o secretário municipal de Cultura, Marcelo da Silva, e com o secretário municipal de Educação, José Tostes Borges, mas nenhum deles atendeu.
Em nota, a prefeitura afirmou que os livros foram acondicionados em caçambas e que o manuseio incorreto será investigado. A informação difere da nota enviada no sábado, quando a gestão havia dito que os exemplares tinham sido descartados. A administração municipal acrescentou que uma empresa especializada será contratada para reavaliar os livros.
Já a Câmara Municipal de Osasco informou que acompanha os relatos e que, em sessão ordinária realizada nesta segunda-feira, pediu esclarecimentos oficiais à prefeitura sobre os critérios adotados para o descarte dos exemplares.
Descarte de livros em biblioteca de Osasco vira alvo de pedido de apuração no Ministério Público
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