Denúncias de discriminação contra mulheres no trabalho aumentam 100% em 2 anos na região de Presidente Prudente
30/08/2026
(Foto: Reprodução) Dia da Igualdade Feminina reforça combate à desigualdade salarial em Presidente Prudente
O número de denúncias por discriminação de gênero feitas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) subiu 100% em dois anos na região de Presidente Prudente.
De acordo com o órgão, em 2024, duas denúncias foram contabilizadas. Em 2025, esse número foi de três e, por enquanto, 2026 já registrou quatro casos.
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
Ainda segundo o MPT, as denúncias estão relacionadas principalmente a situações de discriminação no ambiente de trabalho, como recusa de contratação de mulheres sob a justificativa de que poderiam engravidar e gerar custos ao empregador, além de casos de assédio sexual contra profissionais.
A procuradora do Trabalho, Vanessa Martini, lembra que a desigualdade salarial também é uma realidade e que os dados de relatórios divulgados pelas próprias empresas empregadoras comprovam que existe uma disparidade salarial entre homens e mulheres, sem falar em um recorte de raça.
“Se compararmos mulheres brancas com homens brancos, elas ganham cerca de R$ 1 mil a menos. Se essa comparação for entre mulheres negras e homens brancos, essa diferença é de R$ 2 mil a menos”, afirma.
A procuradora destaca, ainda, uma discrepância salarial em altos cargos de gerência e gestão. “As mulheres, quando chegam a esses altos cargos, acabam recebendo apenas 60% dos valores recebidos pelos homens nessas mesmas funções”, pontua.
Casos na região em 2026
Santo Anastácio: discriminação estética contra uma funcionária devido a tatuagens nos braços, em uma instituição de ensino;
Presidente Prudente: denúncia de que apenas homens recebem adicional de insalubridade e porcentagem sobre produtos em uma indústria de semijoias;
Presidente Prudente: suposta discriminação por gênero em estabelecimento de saúde;
Platina: denúncia de assédio sexual, desigualdade salarial e desvio de função apenas contra mulheres em uma usina de cana-de-açúcar.
Casos na região em anos anteriores
João Ramalho: denúncia de assédio sexual e trabalho infantil envolvendo uma funcionária adolescente no turno da noite de um depósito de bebidas.
Presidente Prudente: assédio sexual a estagiárias em uma empresa de manutenção de computadores;
Presidente Prudente: denúncia de importunação a funcionária por conta de vestimenta em uma empresa de entrega de mercadorias.
Ações e denúncias
Sancionada em 2023, a lei nº 14.611 determina que empresas com mais de 100 empregados adotem medidas para garantir a igualdade salarial a partir de transparência, fiscalização e incentivos.
Sobre o combate à violência sexual, Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e o MPT criaram o pacto Ninguém se Cala, com ações direcionadas aos estabelecimentos de lazer para que funcionários identifiquem situações de risco e possam acolher as vítimas.
Denúncias de discriminação de gênero podem ser feitas diretamente ao MPT pelo site, telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou presencialmente. Em Presidente Prudente, o órgão está localizado na avenida Coronel José Soares Marcondes, 3372, no Jardim Bongiovani.
Ministério Público do Trabalho (MPT), em Presidente Prudente (SP), recebe denúncias de discriminação contra mulheres no trabalho.
Leonardo Jacomini/g1
Initial plugin text
Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM