De haitianos a moradores de Tonga: região de Campinas bate recorde de CPF para estrangeiros
16/09/2026
(Foto: Reprodução) Guerby Sainte é doutorando na Unicamp e lidera uma associação que atua no acolhimento e na integração de imigrantes haitianos que chegam à região de Campinas, incluindo aulas de português
Fernando Evans/g1
A região de Campinas registrou em 2025 o maior número de emissões de CPF para estrangeiros desde 2005. Nas 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas, foram 3.632 inscrições no ano, recorde da série histórica e alta de 38,7% em relação a 2024, quando houve 2.618 registros.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto a Receita Federal indicam o crescimento da emissão de documentos para estrangeiros na região. Ao todo, há registros de 162 nacionalidades diferentes.
Liderada por haitianos, colombianos, bolivianos e venezuelanos, a relação conta também com imigrantes de lugares mais remotos, como Tonga, Palau, Butão e Comores.
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Ao longo de toda a série histórica, os haitianos formam a maior comunidade estrangeira entre os municípios analisados, com 4.973 emissões de CPF.
Veja as 10 maiores, desde 2005:
Haiti – 4.973 registros
Colômbia – 3.944
Bolívia – 3.309
Venezuela – 3.160
Cuba – 1.722
Estados Unidos – 1.557
Peru – 1.509
Argentina – 1.506
China – 1.452
Japão – 1.108
Segundo o professor de Direito Internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, a presença haitiana tem relação com a atuação brasileira na missão da ONU após o terremoto que atingiu o país e com medidas adotadas posteriormente pelo governo brasileiro para facilitar o acolhimento humanitário.
"Essa migração que a gente pode entender como histórica, recente, é uma ponte importante para outros migrantes do mesmo país virem para cá", afirmou.
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Curiosidades
Campinas concentra o maior número de emissões para uma comunidade específica: 2.789 colombianos.
Americana e Indaiatuba registram forte presença boliviana;
Em Sumaré e Paulínia os haitianos formam o principal grupo;
Artur Nogueira, Valinhos e Vinhedo têm predominância de venezuelanos;
Em Morungaba, os afegãos formam a principal comunidade estrangeira do município, com 697 registros;
Em Holambra, os holandeses continuam sendo a principal comunidade estrangeira.
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Representantes únicos
Considerando os dados das 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas, 25 nacionalidades tiveram apenas uma emissão de CPF desde 2005. Dessas, 18 foram de moradores da metrópole.
Veja a lista:
Antilhas Holandesas — Holambra
Barbados — Campinas
Belize — Indaiatuba
Brunei — Campinas
Burkina Faso — Campinas
Butão — Campinas
Catar — Indaiatuba
Chipre — Campinas
Comores — Campinas
Costa do Marfim — Amparo
Kuwait — Campinas
Gabão — Campinas
Gâmbia — Amparo
Islândia — Campinas
Maláui — Campinas
Mianmar (Birmânia) — Campinas
Mônaco — Campinas
Montenegro — Campinas
Palau — Vinhedo
Polinésia Francesa — Campinas
Quirguistão — Monte Mor
República Centro-Africana — Campinas
São Cristóvão e Neves — Campinas
Tonga — Campinas
Uzbequistão — Campinas
CPF representa regularização
Para o professor de Direito Internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, o crescimento é resultado de diferentes fatores, entre eles a legislação brasileira que facilita a regularização migratória.
"Existe um motivo importante, positivo, que é o fato de que esses migrantes podem regularizar a situação migratória aqui no Brasil, porque a gente tem um arcabouço legal que permite isso", diz.
Apesar do crescimento, Vedovato pondera que o Brasil continua tendo uma população migrante proporcionalmente baixa quando comparada à de outros países.
"O Brasil ainda tem muito pouco. A gente tem algo em torno de 1%, às vezes 1,5% da população formada por migrantes."
Para ele, o principal desafio é a coordenação das políticas públicas entre municípios, estados e União.
"Os migrantes podem ficar concentrados e pressionar políticas públicas municipais ou estaduais. A gente teria que pensar em estruturas de governança entre os entes federativos."
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