Criador de conteúdo acusa seguranças terceirizados da Arena Brasil de racismo e agressão
18/06/2026
(Foto: Reprodução) Influenciador e atleta acusa seguranças da Arena Brasil de racismo e agressão
O criador de conteúdo, atleta e ator Gustavo Haakin Oliveira da Costa, de 25 anos, acusou seguranças terceirizados da Arena Brasil, evento realizado no Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, de agressão e racismo.
O episódio ocorreu no último domingo (14) e foi registrado como lesão corporal no 27º Distrito Policial, do Campo Belo. Na quarta-feira (17), ele publicou um vídeo nas redes sociais relatando o episódio e cobrando esclarecimentos dos organizadores do evento. (Veja acima.)
No Instagram, onde reúne cerca de 148 mil seguidores, ele publica vídeos de desafios esportivos envolvendo modalidades como basquete, vôlei e futebol americano. Ele também é convidado para eventos para participar de apresentações e exibir essas habilidades.
Procurada, a Arena Brasil afirmou que lamenta o episódio e que não compactua com qualquer forma de agressão. A organização também informou que identificou os funcionários terceirizados que foram desligados. (Leia nota completa abaixo.)
A agressão
Segundo Haakin, no dia da agressão, ele estava, inicialmente, em um camarote da Arena Brasil e depois desceu para a pista premium para assistir ao show do rapper Matuê ao lado de amigos.
O jovem conta que um de seus amigos, que é filmmaker, subiu em seus ombros para gravar imagens da apresentação e que um segurança os abordou de forma agressiva para impedir a ação.
"A gente achou estranho, porque tinha outras pessoas ali com pessoas nos ombros. Não vimos ninguém sendo abordado da forma que a gente foi abordado, já que o segurança chegou bem agressivo, empurrando e falando para ele descer", relatou.
Após a abordagem, o segurança permaneceu observando-o durante parte do show. Pouco depois, quando ele tentou deixar o local onde estava, teria sido impedido de circular pela área da pista premium.
Influenciador e atleta Haakin denuncia segurança terceirizado da Arena Brasil de racismo e agressão.
Montagem/g1/Reprodução
"Ele simplesmente entrou na minha frente e falou que eu não poderia passar. Eu pedi para ele dar licença diversas vezes", disse.
O influenciador afirma que, ao questionar a identificação do segurança, a situação se agravou. Segundo ele, um amigo que registrava a cena com o celular também foi empurrado. Na sequência, Haakin relata que foi cercado e agredido por vários profissionais da equipe de segurança.
"Vieram um, dois, três. Quando eu fui ver, tinha entre cinco e sete seguranças em cima de mim. Um pegando um braço, outro pegando o outro, um me enforcou e outro estava na minha frente me dando socos na barriga", declarou.
Segundo ele, uma produtora do evento teria presenciado a cena e tentado interromper as agressões. Mesmo assim, Haakin afirma que voltou a ser contido e foi retirado do local após discutir com um dos seguranças.
O criador de conteúdo disse que procurou a polícia ainda durante o evento e foi encaminhado a pedido da produtora do evento para uma sala de acolhimento, onde teria sido atendido por uma advogada, uma psicóloga e integrantes da produção.
De acordo com o relato, quando os policiais chegaram ao local, o segurança apontado como responsável pela primeira agressão já tinha desaparecido.
Denúncia de racismo
No vídeo, Gustavo também afirmou acreditar que a abordagem teve motivação racial. Segundo ele, outras pessoas que estavam na pista premium e que praticavam condutas consideradas inadequadas pela segurança não foram abordadas da mesma forma.
"Não tem como negar que a pessoa que acendeu o sinalizador do outro lado não foi agredida, as pessoas que estavam bebendo, usando droga não foram agredidas. Todas essas pessoas eram brancas. Eu era um dos poucos retintos que estavam ali naquela roda específica e fui o único a ser agredido", afirmou.
O que diz a Arena Brasil
"Lamentamos profundamente a situação relatada e esclarecemos que a Arena Brasileira não compactua com qualquer forma de agressão, seja física ou verbal.
Nossos eventos contam com protocolos de segurança e atendimento rigorosamente estabelecidos para garantir o bem-estar, o respeito e a integridade física de todos os clientes. Após a apuração inicial dos fatos, identificamos que esses protocolos não foram seguidos como determinamos. Os colaboradores envolvidos no caso, de empresas terceirizadas, foram identificados e imediatamente desligados.
Estamos reforçando nossos processos de treinamento, atendimento e abordagem junto às equipes terceirizadas e prestadores de serviços, para garantir que a situação relatada não ocorra novamente. Inclusive, contamos com tenda de acolhimento em todos os nossos eventos, para dar o suporte necessário ao público em qualquer tipo de situação.
Entramos em contato com o cliente envolvido para colocar-nos inteiramente à sua disposição, oferecer todo o apoio necessário e colaborar com as autoridades competentes.
Reforçamos que esse tipo de conduta é inadmissível e não representa os valores e princípios da Arena Brasileira. Seguiremos trabalhando para que situações como essa jamais se repitam em nenhum de nossos eventos."