Com contas no vermelho há 3 anos, cidade do interior de SP sofre com buracos e salários atrasados

  • 08/11/2026
(Foto: Reprodução)
Com contas no vermelho há 3 anos, Mococa sofre com buracos e salários atrasados Onze municípios da região de cobertura do g1 São Carlos e Araraquara enfrentam déficit orçamentário há três anos consecutivos (2023, 2024 e 2025). O problema ocorre quando a arrecadação municipal é menor do que as despesas, fazendo com que a prefeitura gaste mais do que arrecada. Entre as cidades com saldos negativos no período estão Araraquara, com mais de R$ 171 milhões de déficit no último ano (correspondendo a mais de 10% da receita); Rio Claro (R$ 74 milhões); São Carlos; Mococa (R$ 12,3 milhões); Gavião Peixoto; Divinolândia; Nova Europa (R$ 3,6 milhões); Itirapina (R$ 1,27 milhão); Analândia; Santa Lúcia; e São José do Rio Pardo. Problemas na infraestrutura urbana Em Mococa, uma das cidades afetadas pela escassez de recursos, moradores relatam asfalto esfarelado, buracos e falta de manutenção nas vias públicas. No Jardim São Francisco, intervenções na rede de tubulação deixaram estragos na rua Maestro Pascoal Galhardo. "Está muito feio e está difícil ficar aqui desse jeito. E eles vêm aqui, ficam 10 minutos e vão embora.", afirmou a dona de casa, Eliane Gomes da Silva. Com contas no vermelho há 3 anos, Mococa sofre com buracos e salários atrasados EPTV/Reprodução Além das vias, as calçadas também foram danificadas, complicando a circulação e o acesso às residências. "Olha a porta da minha casa, o jeito que está. Está feia a porta, não dá nem para entrar e ninguém toma providência de nada.", afirmou o segurança, João Batista. Os moradores contam que o asfalto que não era dos melhores ficou ainda pior depois da troca da tubulação na Rua Maestro Paschoal Galhardo. Com contas no vermelho há 3 anos, Mococa sofre com buracos e salários atrasados EPTV/Reprodução "Tiraram o esgoto de lá e jogaram para cá, que era para jogar água da chuva para cá. Só que eles quebraram, eles quebraram tudo e não arrumaram mais. A gente já vai atrás, eles vêm aqui, dão uma olhadinha e vão embora.", complementou o segurança. Solução que dura pouco Na Vila Santa Rosa, buracos abertos no asfalto foram cobertos apenas com terra, gerando poeira e erosão durante os períodos de chuva. "Aqui caiu de repente, fez um buraco e começou a aumentar. Vieram jogar a terra, a chuva veio, lavou a terra e começou a fazer um buraco subterrâneo por baixo.", contou a dona de casa Ariane Antonio Cocca. A preocupação de quem mora no local é de que como está a situação debaixo do asfalto após o surgimento de trincos no interior das residências. "Se começar a trincar por baixo, aí minha casa vai ser interditada. E onde eu vou morar com meus filhos?", disse Ariane. Com contas no vermelho há 3 anos, Mococa sofre com buracos e salários atrasados EPTV/Reprodução Outra reclamação recorrente na rua Rio Grande do Sul envolve o refluxo da rede de esgoto para o interior dos imóveis durante as tempestades. "Na maioria das casas volta o esgoto, as pessoas não suportam que está mau cheiro dentro de casa, porque não deveria voltar, tem que ir.", disse o autônomo Genésio Vieira. O que explica o déficit orçamentário A recorrência do saldo negativo nas contas públicas reflete a diferença entre a previsão de gastos e a arrecadação real do município ao longo do exercício fiscal. Segundo o professor de administração pública da Unesp, Álvaro Martim Guedes, o déficit orçamentário não é necessariamente um problema financeiro. "Para explicar isso, só fazer a seguinte analogia. Eu chego no mês, eu estou assim com uma conta bancária de 600, mas a fatura do cartão de crédito foi 1.200. Quando eu comparo um com o outro, está faltando 600 para eu fechar. Então, o déficit orçamentário é mais ou menos isso. Eu tenho as despesas que ainda serão pagas, mas eu comparo com o dinheiro efetivamente arrecadado no período", explicou. Com contas no vermelho há 3 anos, Mococa sofre com buracos e salários atrasados EPTV/Reprodução Nos últimos três anos, os dados orçamentários de Mococa registraram saldo negativo contínuo: R$ 32,84 milhões em 2023 (11,7% da receita), R$ 10,12 milhões em 2024 (3% da receita) e R$ 12,33 milhões em 2025 (3,4% da receita). O professor explicou o déficit orçamentário trata-se de uma situação que precisa de algum tipo de ação de controle para revertê-lo e em um curto prazo de tempo. "Ocorre, porém, que os municípios têm uma capacidade de ajuste fiscal muito limitada. Eles são muito dependentes de repasses externos, eles não têm uma capacidade própria de arrecadação. Então é mais difícil ainda promover ajuste fiscal quando se trata de município, em qualquer canto do Brasil", afirmou. Impactos nos servidores públicos Prefeitura de Mococa Reprodução/EPTV O desequilíbrio das contas afeta também o funcionalismo municipal. Em Mococa, cerca de 1.942 servidores têm enfrentado atrasos e parcelamentos no pagamento dos salários. "Desde outubro do ano passado a gente vem com esse problema de atraso de pagamento, parcelado em três vezes, entendeu? E o funcionário já não aguenta mais, porque entra mês, sai mês, o funcionário não sabe quanto vai receber, qual a porcentagem que vai receber.", contou Rodrigo Peretto, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Mococa. O sindicato da categoria formalizou representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e ingressou com ações na Justiça do Trabalho cobrando a regularização das folhas de pagamento e dos depósitos pendentes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "O problema é que até agora a Prefeitura não tomou uma atitude para minimizar o problema, entendeu? A gente não vê nenhuma ação da Prefeitura, entendeu? [...] É, porque os atrasos não podem acontecer, do jeito que está correndo, está virando rotina, entendeu? E fica complicado para o servidor.", finalizou Rodrigo. O que dizem os citados Em nota, a Prefeitura de Mococa informou que trabalha para reduzir o déficit orçamentário. Sobre a folha de pagamento, declarou que não há salários pendentes no momento. Em relação ao FGTS, confirmou atrasos nos depósitos e afirmou que a situação será regularizada, sem indicar prazos. Sobre as ruas do Jardim São Francisco, a administração municipal informou que o asfaltamento será incluído no cronograma de serviços. Procurada, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que os sistemas de água de chuva e de esgoto na Rua Rio Grande do Sul são independentes, e que eventuais extravasamentos foram causados por chuvas intensas, e não por falhas na rede. O MP-SP confirmou o recebimento das denúncias referentes aos pagamentos dos servidores e informou que a Promotoria de Justiça de Mococa analisa o caso, além do acompanhamento das ações em trâmite na Justiça do Trabalho. ASSISTA À REPORTAGEM COMPLETA: Onze cidades da região fecham contas no vermelho há três anos seguidos REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/11/08/com-contas-no-vermelho-ha-3-anos-cidade-do-interior-de-sp-sofre-com-buracos-e-salarios-atrasados.ghtml


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