Cidade mais feminina do Brasil teve seis vezes menos alistamentos de mulheres no Exército que Rio de Janeiro
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Alistamento militar feminino terá inscrições a partir de 1º de janeiro
Exército Brasileiro/Divulgação
Santos, no litoral de São Paulo, é a cidade mais feminina do país, segundo o Censo de 2022, mas teve seis vezes menos jovens inscritas no primeiro ano do alistamento voluntário ao Exército Brasileiro (EB) do que o Rio de Janeiro, proporcionalmente ao número de possíveis candidatas entre 15 e 19 anos. As inscrições para o segundo ano do alistamento voluntário começaram na quinta-feira (1).
Em 2025, em todo o Brasil, foram 33.721 inscrições. A maioria é do Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas. Ao todo, são 1.465 vagas - uma disputa de 23 candidatas por vaga. O processo foi encerrado em junho de 2025.
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Embora Santos tenha a maior proporção de mulheres no país — 54,6% da população, com 228.881 moradoras entre 418.608 habitantes — o público apto ao alistamento é bem mais restrito: são 11.284 jovens entre 15 e 19 anos. Nesse recorte, apenas 41 se inscreveram, o equivalente a 0,36%.
Já o Rio de Janeiro, com 183.831 mulheres nessa faixa etária, registrou 4.071 inscrições, uma taxa de 2,2%. Ou seja, proporcionalmente, a capital fluminense teve seis vezes mais alistamentos que Santos.
Na comparação com a capital paulista, Santos teve quase 1,6 vezes mais inscrições proporcionais que São Paulo, que registrou 805 alistamentos entre 352.644 jovens mulheres (0,23%).
Mulheres no Exército Brasileiro
A população total de mulheres em São Paulo é cerca de 31 vezes maior que a de Santos, mas proporcionalmente registrou menos alistamentos. Já no Rio de Janeiro (RJ), onde a população de mulheres é 16 vezes mais, o número proporcional de inscrições foi seis vezes superior.
Militares em Santos
De acordo com o Exército Brasileiro (EB), Santos conta com 108 militares mulheres em seu quadro. O número inclui tanto oficiais em atividade quanto aquelas que já deixaram a corporação após cumprir o período como temporárias.
A média de idade é de cerca de 34 anos, e os principais cargos ocupados são de dentista, nutricionista, médica, enfermeira, música e auxiliar de manutenção de aviação, entre outros.
Escola de Preparação de Cadetes do Exército (ESPCEX) oferta vagas para homens e mulheres.
Reprodução/ESPECEX
Nos últimos cinco anos, segundo o Exército, 31 mulheres nascidas em Santos ingressaram na corporação. Destas, 29 seguem na ativa e duas já passaram para a reserva.
A primeira militar santista foi incorporada em novembro de 1992 como 1ª Tenente do Quadro Complementar de Oficiais (QCO), na área de Magistério-Espanhol. Após cumprir o tempo de serviço, ela alcançou a patente de Coronel e passou para a reserva remunerada em fevereiro de 2020.
Alistamento feminino
O decreto que autoriza o alistamento voluntário feminino no Brasil foi publicado em 28 de agosto de 2024, após um período de estudos do Governo Federal em conjunto com Ministério da Defesa.
Até então, o ingresso de mulheres nas Forças Armadas era restrito a partir dos cursos de formação de suboficiais e oficiais, sendo feito por meio de concursos. Tratavam-se de cargos de nível superior, como médicas, engenheiras e coordenadoras de tráfego aéreo.
Segundo o Ministério da Defesa, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) contam com 37 mil mulheres atualmente, o que corresponde a aproximadamente 10% de todo o efetivo. Apenas no Exército, são cerca de 13 mil mulheres, entre um total de aproximadamente 213 mil militares.
Com a adoção do alistamento, o número de oportunidades pode crescer, levando em conta o recrutamento feminino, que terá início em 2025 — destinado às mulheres nascidas em 2007.
A incorporação das militares às Forças Armadas deve ocorrer a partir de 2026. Por lei, o alistamento tem duração de 12 meses, podendo ser prorrogado a cada período de um ano até o prazo máximo de oito anos.
Contingente feminino do Exército marcha em desfile em Porto Velho.
Pedro Bentes/G1
O que prevê o decreto
Conforme divulgado pelo Governo Federal, o serviço militar feminino será para as mulheres que se apresentarem voluntariamente para o recrutamento, que compreende as etapas de alistamento, seleção e incorporação.
O alistamento vai ocorrer no período de janeiro a junho do ano em que a mulher voluntária completar 18 anos.
Governo publica regras para o alistamento militar feminino
A cada ano, caberá ao comando das Forças Armadas definir a lista de "municípios tributários" – ou seja, aqueles em que há alistamento inicial aos 18 anos.
De acordo com o decreto, a seleção das mulheres será realizada dentro do que determina a lei que regulamentou o serviço militar brasileiro. Os critérios para seleção das voluntárias serão físico, cultural, psicológico e moral.
O recrutamento é composto pelas etapas de: alistamento (on-line ou presencial), seleção geral -conduzida por uma Comissão de Seleção das Forças Armadas-, seção complementar nos quartéis onde a alistada poderá incorporar uma organização militar.
Conforme descrito no decreto, a incorporação de mulheres voluntárias às Forças Armadas obedece às leis que estabeleceram o serviço militar, de 1964, o estatuto dos militares, de 1980, e a que dispõe sobre a licença para gestantes e adotantes.
A publicação apontou também que as mulheres alistadas poderão desistir do serviço militar inicial até o ato oficial de incorporação. Depois disso, o serviço se tornará de cumprimento obrigatório, e a militar ficará sujeita ao mesmo regramento do serviço masculino.
Ainda de acordo com o decreto, a alistada será considerada desistente em caráter definitivo caso não compareça a qualquer uma das etapas de seleção.
A publicação ressalta que as mulheres voluntárias não terão estabilidade no serviço militar e passarão a compor a reserva não remunerada das Forças Armadas após serem desligadas do serviço ativo.
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