Cartilha entregue há 40 anos em hospital do interior de SP mostra mudança nos cuidados com recém-nascidos: 'Não acostume no colo'

  • 11/04/2026
(Foto: Reprodução)
Pediatra compartilha cartilha que era entregue há 40 anos na Santa Casa de Tietê (SP) Cintia Angeli de Lima/Arquivo pessoal "Não acostume a criança no colo", "não dê de mamar durante a noite" e "limpe o corpo com óleo para criança": essas eram algumas das orientações presentes em uma cartilha entregue a mães de recém-nascidos na Santa Casa de Tietê (SP), há cerca de 40 anos. O material evidencia como as recomendações sobre cuidados com bebês mudaram ao longo do tempo. O documento foi compartilhado nas redes sociais pela pediatra Cíntia Angeli de Lima, de 51 anos, que atua há 23 anos na rede hospitalar de Tietê. Na publicação, a médica destacou as diferenças nas orientações e contou que encontrou a cartilha durante uma consulta. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "A mãe trouxe o recém-nascido e comentou que o pai da criança guardava a carteirinha de quando ele nasceu, no ano de 1985, na Santa Casa de Tietê. O que chamou minha atenção e a da mãe foram as orientações da época, que eram bem diferentes das que seguimos hoje", aponta a pediatra. Segundo a médica, as orientações eram baseadas nos conhecimentos científicos da época e também elaboradas por profissionais de saúde. "O ponto importante é que a medicina evolui constantemente. Aquilo que era considerado correto décadas atrás hoje pode estar desatualizado." Diferença nas orientações A cartilha da Santa Casa de Misericórdia de Tietê tem como registro o ano de 1985. Entre as orientações estão: manter a criança no berço, acordar a criança em horário para mamar e não oferecer pela noite, oferecer água fervida com complemento nutricional durante o intervalo das mamadas e limpar o corpo do bebê com óleo corporal para crianças. "Algumas orientações realmente chamam atenção e até assustam quando comparamos com o que sabemos hoje. Ao mesmo tempo, reforçam o quanto a medicina evolui. Muitas verdades, na pediatria de hoje, podem tornar-se desaconselhadas nas próximas décadas, mostrando a importância de sempre buscar atualização", reforça. Sobre as orientações, Cíntia aponta algumas diferenças, como não oferecer o colo. "Anteriormente dávamos menos ênfase ao vínculo, não dávamos colo, pois era associado a dependência. Hoje sabemos da importância de o bebê ficar no colo, que gera mais segurança, principalmente por ser parecido com o ambiente uterino." Documento da Santa Casa de Tietê mostra como as orientações com bebês mudou ao longo dos anos Cíntia Angeli de Lima/Arquivo pessoal Sobre outras recomendações, como a oferta de complemento nutricional entre as mamadas, a médica destacou que hoje há maior entendimento sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses, sem necessidade de água. "Anteriormente, a conduta era acordar o bebê a cada três horas para mamar. Hoje, quando o bebê já está ganhando bem o peso, o aleitamento é em livre demanda", esclarece a profissional. Segundo a pediatra, algumas orientações permanecem atuais, especialmente aquelas baseadas em princípios fundamentais do cuidado infantil, como a vacinação e o acompanhamento do desenvolvimento por profissionais de saúde. "Ao mesmo tempo, é importante reforçar que hoje orientamos os pais a confiarem mais em fontes seguras: na ciência, na medicina e nos pediatras, que se mantêm em constante atualização. O instinto materno e paterno também tem seu valor. Os pais conhecem seus filhos como ninguém", reforça Cíntia. LEIA TAMBÉM: Entenda como o aleitamento materno é essencial para o desenvolvimento do bebê: ‘Cada gota vale a pena’, diz mãe VÍDEO: plantação com mais de 500 mil girassóis que surgiu de desafio entre amigos chama atenção no interior de SP Paciente com câncer terminal se casa com companheira em capela de hospital: 'É a pessoa que eu sempre quis', diz noiva A profissional avalia que, atualmente, há um excesso de informações e conselhos, muitas vezes vindos de pessoas bem-intencionadas, mas sem o conhecimento necessário. "Quando se trata da saúde de uma criança, boa intenção não substitui conhecimento científico", aponta. Segundo Cíntia, algumas orientações comuns em 1985 poderiam trazer riscos à saúde dos bebês, devido às limitações do conhecimento da época. Um exemplo são as posições inadequadas para dormir, que aumentavam o risco de complicações. Pediatra de Tietê compartilha cartilha atualizada entregue atualmente às mães de recém-nascidos Cíntia Angeli de Lima/Arquivo pessoal "Não existe um 'tempo fixo' [para as orientações]. As mudanças acontecem conforme surgem evidências científicas consistentes. As recomendações são baseadas em estudos, revisões científicas e diretrizes de entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde", explica. Para a médica, a mudança das orientações representa evolução, cuidado e compromisso com a saúde das crianças, e que a sociedade está avançando, aprendendo e ajustando as práticas. "Prova disso são os dados sobre a mortalidade infantil, que mostram quedas expressivas nas últimas décadas", completou. Coincidência familiar A consulta com a mãe do recém-nascido trouxe outra surpresa à médica: o pediatra que atendeu o pai do bebê que ela atendia naquele momento foi o pai de Cíntia, José Moacir Angeli, que na época também era pediatra. "Esse encontro uniu a minha história pessoal com a evolução da pediatria, e foi isso o que me motivou a compartilhar nas redes sociais", revela. Filha se inspirou na trajetória do pai ao escolher a profissão e especialidade na área da medicina Cíntia Angeli de Lima/Arquivo pessoal Ao g1, a médica compartilhou que a motivação para a escolha da profissão foi acompanhar a trajetória do pai, hoje com 82 anos: "Sempre tive muito orgulho da sua profissão. Queria seguir os passos dele". Há cinco décadas, José atua como pediatra em Tietê e, atualmente, se prepara para a aposentadoria. Para ele, foi motivo de orgulho ver a filha escolher a mesma profissão e especialidade. "Muitas vezes discutimos casos mais complexos e cada um expunha a sua experiência. Eu com a minha vivência. Ela com condutas mais atuais", analisa José. Médico José Moacir Angeli, de 82 anos, ao lado de sua filha, Cíntia Angeli de Lima, de 51 anos Cíntia Angeli de Lima/Arquivo pessoal Ao descobrir a coincidência entre as gerações, José ficou feliz ao saber que a família guardou a cartilha e seguiu as orientações da época. "Foi muito interessante rever as condutas daquele período e perceber como a pediatria evoluiu nesses 40 anos", afirma o pediatra. O médico destacou que, embora o cuidado com as famílias permaneça essencialmente o mesmo, as condutas científicas passaram por mudanças importantes, o que exigiu constante atualização profissional. "As alterações foram muitas, principalmente na orientação alimentar. Antigamente, orientávamos iniciar o aleitamento materno seguido da complementação com fórmulas. Houve grandes mudanças, principalmente no olhar do paciente como um todo." Marcela Camparim, de 39 anos, e Amilton Camparim, de 41, que também são médicos, foram os responsáveis por apresentar a cartilha a Cíntia. O filho do casal, um bebê de quatro meses, é acompanhado pela pediatra desde o nascimento. O documento foi encontrado com a mãe de Amilton. Ao analisá-lo, eles perceberam a coincidência de José ter realizado o parto e ser pai de Cíntia, agora pediatra do bebê. As recomendações, bastante diferentes das atuais, também chamaram a atenção do casal. Para Marcela, algumas orientações, como manter o acompanhamento médico e evitar seguir conselhos sem embasamento, continuam pertinentes. Ela ressalta que, por ambos serem médicos, o casal tem mais facilidade em acessar informações confiáveis e compreender quais recomendações devem ser seguidas. *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/04/11/cartilha-entregue-ha-40-anos-em-hospital-do-interior-de-sp-mostra-mudanca-nos-cuidados-com-recem-nascidos-nao-acostume-no-colo.ghtml


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