Candidata ao governo de SP, Vera Lúcia diz que combate ao crime organizado deve focar a Faria Lima, não a periferia
19/08/2026
(Foto: Reprodução) Vera Lúcia propõe desmilitarizar polícia e combater crime organizado na Faria Lima
A candidata ao governo de São Paulo Vera Lúcia (PSTU) afirmou nesta quarta-feira (19) que o combate ao crime organizado não está na periferia, mas sim nas empresas e nos empresários que lucram com a atividade.
Para isso, ela fez uma referência à Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais centros financeiros do país. Investigações da Operação Carbono Ocultor apontam que fintechs sediadas no coração financeiro de São Paulo foram usadas para ocultar dinheiro de organizações criminosas e que isso continuou acontecendo mesmo depois da deflagração da força-tarefa.
"Ao mesmo tempo que você precisa desmontar os criminosos e você só pode desmontar esse crime principalmente se você atua onde de fato se lucra com isso. Aqui em São Paulo seria na Faria Lima, não seria nas periferias do estado", disse, em entrevista à Rádio CBN, durante visita a Ribeirão Preto (SP).
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A socióloga de 58 anos foi confirmada no fim de julho como representante do PSTU na disputa ao governo de São Paulo em 2026 e tem Renata França como vice na chapa.
Vera Lúcia (PSTU), candidata ao governo de São Paulo nas eleições 2026.
Leonardo Souza/CBN
Polícia unificada e combate à violência contra a mulher
Ainda dentro do contexto da segurança pública, Vera Lúcia falou sobre a proposta de desmilitarizar as forças de segurança e de criar uma Polícia Civil unificada em resposta ao que ela classifica como uma política de repressão aos pobres existente no estado.
"Contra esse plano de repressão, nós entendemos que um plano de segurança pública só pode ser eficaz se o conjunto da população participar juntamente com essa polícia, que é ela tem que ser unificada e precisa ser desmilitarizada."
Ela também criticou tanto as políticas estadual quanto federal de combate à violência contra a mulher. Em São Paulo, ela apontou a ausência de delegacias da mulher na maior parte das cidades paulistas, bem como machismo e assédio dentro das corporações.
"Não é essa salinha com uma parede pintada de lilás que é um escândalo, uma vergonha, é um escárnio com a vida das mulheres", disse.
Com relação ao governo federal, ela mencionou que as políticas do presidente Lula estão limitadas no discurso.
"O governo Lula na retórica defende de fato as mulheres. Tem até o ministério, mas destinou somente 10, 11 centavos por mulher nesse país para a defesa das mulheres, ou seja, pro combate à violência à mulher. Consequentemente, se você não tem materialidade para resolver o problema, você não resolve problema, porque não basta somente palavras."
Reestatização da Sabesp e fim dos pedágios
Durante a entrevista no interior de São Paulo, a socióloga defendeu a reestatização de uma série de serviços e empresas no estado, entre elas a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), privatizada em 2024 por Tarcísio de Frei.as
“Vamos ao mesmo tempo, ter um plano de restatização tanto da Sabesp quanto da Enel, porque são empresas públicas que foram construídas com recursos públicos para atender as demandas da população que o governo resolveu vender e que tem causados prejuízos enormes à população”, disse.
A candidata também defendeu o fim das contratações por meio de organizações sociais na saúde - com concursos públicos como alternativa - bem como a extinção dos pedágios nas rodovias.
“Nós acabaremos com os pedágios, não tem porquê. Essas estradas são feitas com recursos públicos, com financiamento público."
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