Bombeiro acusado de matar estudante de medicina em briga de trânsito pode ser preso após restrição eleitoral
06/10/2026
(Foto: Reprodução) Briga de trânsito que terminou em morte em SP: vídeo mostra carros de estudante e bombeiro
O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, acusado de matar o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, após uma briga de trânsito em Taubaté, pode ser preso a partir das 17h desta terça-feira (6), quando termina o período de restrição à prisão de eleitores previsto na legislação eleitoral.
A prisão preventiva de Marcos foi decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na sexta-feira (2), após recurso apresentado pelo Ministério Público. Apesar da decisão, o mandado não foi cumprido durante o período de restrição eleitoral.
O advogado Cláudio Rodrigues Moreira, que representa o bombeiro, informou ao g1 nesta segunda-feira (5) que Marcos vai se entregar voluntariamente à Justiça, a partir das 17h.
Segundo o defensor, ele será apresentado ao Poder Judiciário após o horário previsto na legislação eleitoral. O advogado não informou o horário exato nem o local da apresentação por questões de segurança.
O que diz a lei eleitoral?
O artigo 236 do Código Eleitoral estabelece que, desde cinco dias antes da eleição até 48 horas depois do encerramento da votação, nenhum eleitor pode ser preso ou detido, salvo em situações específicas previstas na própria lei, como prisão em flagrante ou cumprimento de sentença criminal condenatória por crime inafiançável.
No caso do primeiro turno das eleições de 2026, a votação terminou às 17h de domingo (4). Assim, a restrição termina às 17h desta terça-feira (6). A partir desse horário, portanto, o mandado de prisão preventiva contra Marcos pode ser cumprido.
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Reprodução/TV Vanguarda
Investigação
A Polícia Civil concluiu no dia de outubro o inquérito sobre a morte de Bruno e indiciou Marcos por homicídio qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima.
Segundo a investigação, Marcos e Bruno se envolveram em um desentendimento no trânsito. O bombeiro teria descido do carro, quebrado o vidro da porta do motorista do veículo de Bruno e efetuado os disparos.
O estudante foi atingido por quatro tiros: um no pescoço, dois no tórax e um no braço esquerdo. Ele tentou fugir, mas não resistiu.
A Polícia Civil também afastou a versão de legítima defesa apresentada pelo bombeiro. Segundo o relatório, nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno. Um canivete retrátil de cabo azul foi localizado dentro do carro e encaminhado para perícia.
Bruno Hashimura, de 23 anos, aparece em imagens após ser baleado; ao lado, o bombeiro Marcos Fujarra.
Foto 1: Reprodução/Unama Santarém. Foto 2: Reprodução. Foto 3: Reprodução/Rede Vanguarda
Versão do bombeiro
Em depoimento, Marcos afirmou que acreditou estar diante de uma tentativa de assalto. Segundo ele, Bruno estaria com um objeto metálico que parecia uma arma de fogo e também teria tentado atacá-lo com uma faca. A defesa sustenta que o bombeiro agiu em legítima defesa.
A Polícia Civil, porém, concluiu que os elementos reunidos durante a investigação não sustentam essa versão. Segundo o relatório, nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno e testemunhas não relataram ter visto o estudante empunhando uma arma de fogo ou uma faca.
Um canivete retrátil de cabo azul foi encontrado dentro do carro de Bruno e encaminhado para perícia.
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O que dizem as testemunhas
Uma testemunha ouvida durante o inquérito relatou que Marcos se aproximou do carro de Bruno, quebrou o vidro e efetuou os disparos.
A mulher de Marcos também prestou depoimento e afirmou acreditar que a situação poderia se tratar de uma tentativa de assalto. Segundo o relatório policial, no entanto, ela disse não ter certeza sobre qual objeto Bruno teria nas mãos e não presenciou diretamente os disparos.
Ocorrências anteriores
O relatório final da Polícia Civil também cita duas ocorrências anteriores envolvendo Marcos em desentendimentos no trânsito, registradas em 2021.
Uma delas ocorreu em Caçapava e envolveu uma investigação por ameaça e dano. A outra foi registrada em São José dos Campos e, segundo o relatório, envolveu um desentendimento no trânsito durante o qual Marcos teria se identificado como policial militar e sacado uma arma.
Os dois episódios foram arquivados, e o relatório ressalta que o bombeiro não possui condenações criminais transitadas em julgado relacionadas a esses casos.
A defesa afirma que as ocorrências anteriores foram arquivadas e que os episódios devem ser analisados dentro de seu contexto jurídico.
Estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté.
Arte g1
O que diz a defesa
A defesa de Marcos sustenta que ele acreditou estar diante de uma tentativa de assalto e que Bruno teria mostrado um objeto que parecia ser uma arma.
O advogado Cláudio Rodrigues Moreira também afirma que o estudante teria tentado atacá-lo com uma faca e que Marcos agiu em legítima defesa.
Sobre a prisão preventiva, a defesa informou que respeita a decisão judicial e que vai adotar, pelas vias processuais adequadas, todas as medidas e recursos cabíveis.
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Reprodução/TV Vanguarda
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