Biotecnologia brasileira usa drones e reduz dragagem no saneamento
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Drone preparando para começar a aplicação. – Crédito: Divulgação.
O uso de drones começa a ganhar espaço em um setor estratégico para a saúde pública e o meio ambiente: o saneamento básico. À frente dessa inovação está a Legun Biotecnologia, empresa brasileira especializada em tratamento biológico de efluentes, que passou a utilizar pulverização aérea por drones para aplicar inóculo biológico em lagoas de estabilização.
A tecnologia vem sendo empregada em sistemas públicos de grande porte no interior paulista, onde as lagoas apresentam extensas áreas superficiais, vegetação aquática consolidada e trechos de difícil acesso. Em todos os casos, a Legun é a responsável técnica pelo tratamento, desde o diagnóstico ambiental até a estratégia de aplicação e o acompanhamento dos resultados.
Por que o drone muda o padrão do tratamento
A aplicação do tratamento biológico em lagoas sempre representou um desafio operacional. Métodos tradicionais dependem de embarcações, acesso pelas margens ou aplicações pontuais, o que pode gerar distribuição desigual, maior tempo de operação e exposição dos trabalhadores a ambientes insalubres.
Drone durante a aplicação do inóculo da Legun Biotecnologia. – Crédito: Divulgação.
Com o uso de drones, esse cenário muda. A pulverização aérea permite:
Cobertura homogênea de grandes áreas em curto intervalo de tempo;
Precisão na dosagem, com controle por metro quadrado;
Acesso a regiões inacessíveis, como áreas com bancos de lodo, brejos ou macrófitas densas;
Maior segurança operacional, eliminando o contato direto das equipes com o efluente;
Rastreabilidade total, com registros de voo, volume aplicado e área tratada.
Em um único ciclo operacional recente, a Legun realizou mais de 100 aplicações aéreas em apenas 11 dias, cobrindo mais de 105 hectares de lagoas, com a dispersão controlada de mais de 1.350 litros de calda biológica.
Tratamento natural, sem química e sem dragagem
Outro diferencial do método da Legun é o caráter 100% biológico do tratamento. O processo utiliza microrganismos selecionados para acelerar a degradação da matéria orgânica e do lodo acumulado, sem uso de produtos químicos.
Isso evita impactos à microbiota local, reduz riscos ambientais e elimina problemas associados à corrosão de estruturas. Além disso, ao promover a degradação do lodo diretamente no local, o tratamento reduz ou elimina a necessidade de dragagens mecânicas, prática comum em lagoas sobrecarregadas.
Menos caminhões, menos CO₂
A dragagem convencional envolve escavação, uso intenso de máquinas pesadas e transporte do lodo por caminhões até aterros, o que gera altos custos operacionais e grandes volumes de emissões de gases de efeito estufa.
Ao substituir essas intervenções por um tratamento biológico aplicado por drones, o modelo adotado pela Legun contribui para uma redução significativa das emissões de CO₂, além de diminuir o tráfego de veículos pesados e o impacto viário nas áreas urbanas próximas às lagoas.
Inóculo adaptado ao ambiente aberto
Segundo a empresa, o inóculo utilizado nas aplicações aéreas possui concentração mais elevada do que a empregada em estações de tratamento convencionais. A escolha é técnica: lagoas operam em ambientes abertos, com baixa hidrodinâmica, grandes áreas superficiais e barreiras físicas à dispersão.
A maior concentração garante colonização microbiológica efetiva, acelera o início da degradação da biomassa e assegura estabilidade ao tratamento, mesmo em sistemas sem controle hidráulico.
Tecnologia também aplicada em Araras
Além das operações em grandes sistemas no interior paulista, a Legun também utiliza drones no tratamento biológico de lagoas operadas pela Saema, no município de Araras. A tecnologia tem sido adotada especialmente em lagoas extensas, onde a aplicação homogênea é decisiva para o desempenho do processo.
Lagoa recebendo a aplicação do inóculo por drone. – Crédito: Divulgação.
Inovação brasileira no saneamento
A integração entre biotecnologia, engenharia sanitária e drones aponta para um novo modelo de saneamento no país. Ao adotar soluções naturais, sem química, sem dragagem e com menor pegada de carbono, a Legun mostra como a inovação nacional pode tornar o tratamento de esgoto mais eficiente, seguro e ambientalmente responsável.