Auxílio-moradia para vítimas de violência em Campinas supera total de 2025 em nove meses
27/10/2026
(Foto: Reprodução) O número de auxílios-moradia concedidos a mulheres vítimas de violência em Campinas (SP) nos primeiros nove meses de 2026 já superou o total de todo o ano passado. Segundo a Prefeitura, foram 111 benefícios concedidos até setembro, contra 108 em 2025.
O crescimento também aparece nos recursos destinados ao programa. Entre janeiro e setembro deste ano, foram empenhados R$ 1,23 milhão, aumento de 56% em relação aos R$ 789,9 mil registrados durante todo o ano anterior. Os valores incluem novas concessões e prorrogações.
Criado em julho de 2023, o auxílio oferece atualmente R$ 994 mensais para custear o aluguel de um imóvel. O objetivo é permitir que mulheres em situação de violência doméstica encontrem um lugar seguro para morar e consigam romper a dependência financeira dos agressores.
Para uma das beneficiárias, que preferiu não se identificar, a ajuda foi decisiva depois que o ex-companheiro destruiu a casa onde viviam, os brinquedos do filho e os materiais que ela usaria para trabalhar.
"Foram muitas idas e vindas, muitas agressões físicas e emocionais. E aí, um dia, eu descobri uma traição e decidi encerrar o relacionamento. Ele não aceitou e quebrou toda a minha casa", conta.
'Sair é difícil, não retornar é mais difícil ainda'
Vítima de violência em Campinas (SP) teve os equipamentos de trabalho destruídos pelo ex-companheiro
Reprodução/EPTV
A mulher conta que havia acabado de comprar os móveis da residência alugada quando decidiu terminar o relacionamento. Além de destruir os objetos da família, o ex-companheiro quebrou tudo o que ela havia comprado para montar um espaço de atendimento profissional.
"Ele quebrou os brinquedos do próprio filho. O pouco que sobrou foi um colchão e um sofá. Eu estava ainda mobiliando um espaço onde seria o meu espaço de atendimento e ele quebrou tudo. Então eu saí sem ter nem como trabalhar."
Sem renda e com crianças para sustentar, ela precisou encontrar uma alternativa para não voltar ao agressor. Foi quando soube da existência do auxílio-moradia.
"Eu não teria conseguido ter onde ficar com as crianças se não tivesse conhecimento desse auxílio, se alguém não tivesse me dito que ele existia."
Segundo ela, a insegurança financeira é uma das principais barreiras enfrentadas por mulheres que tentam deixar relacionamentos violentos.
"A nossa maior dificuldade em sair do relacionamento é justamente essa: pensar o que é que eu vou fazer, onde é que eu vou ficar, o que é que eu vou comer, o que é que eu vou dar para as crianças comerem."
Ela conta que precisou aceitar a ajuda de outras pessoas para resistir à dependência emocional e não voltar ao agressor.
"Não é fácil, é muito difícil, porque entra uma violência psicológica tão grande que você entende que é dependente daquele homem", afirma.
Hoje, depois de reconstruir a vida profissional, ela espera que outras mulheres saibam que não precisam enfrentar a violência sozinhas.
"Quando você tem um norte, consegue entender que não está sozinha. Hoje já consigo viver do meu trabalho e consegui recomeçar e me refazer. [...] Sair é difícil. Não retornar é mais difícil ainda. É difícil recomeçar, mas não é impossível."
Benefícios em alta
Desde que começou a funcionar, no segundo semestre de 2023, o programa registrou aumento anual no número de concessões.
Veja os dados da Prefeitura de Campinas:
Auxílios a vítimas de violências concedidos em Campinas (SP)
Os valores incluem novas concessões e prorrogações de benefícios.
A secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, Vandecleya Moro, atribui o crescimento à maior conscientização das mulheres sobre seus direitos e à organização da rede de proteção.
"Cada mulher que tem acesso ao auxílio-moradia é uma vida salva, é uma família salva. A gente sabe que a maioria dessas mulheres tem crianças pequenas", afirma.
Como conseguir o auxílio
Secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, Vandecleya Moro
Reprodução/EPTV
O auxílio-moradia é destinado exclusivamente ao pagamento de aluguel residencial. Segundo a Prefeitura, o programa busca garantir que as mulheres possam deixar o ambiente de violência sem ficar desamparadas.
Para solicitar o benefício, é necessário:
Morar em Campinas;
Estar em situação de violência;
Registrar um boletim de ocorrência, presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Eletrônica;
Procurar um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) ou, caso esteja acolhida em um abrigo, solicitar o auxílio por meio desse serviço.
A secretária explica que as equipes de assistência social podem ajudar a mulher a registrar a ocorrência e encaminhar o pedido.
O benefício é concedido por seis meses e pode ser prorrogado por mais seis, caso os profissionais responsáveis pelo acompanhamento identifiquem que a mulher ainda precisa do suporte. O valor é reajustado anualmente.
Além da ajuda para pagar o aluguel, as beneficiárias recebem acompanhamento da assistência social, atendimento psicológico e encaminhamento para programas de qualificação profissional e oportunidades de trabalho.
"Não é apenas auxílio financeiro, que é muito importante. Essa mulher passa por um acompanhamento da assistência social, dos psicólogos da assistência social, e é encaminhada para programas de qualificação profissional e também para o mercado de trabalho, se assim desejar", explica Vandecleya.
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