Atropelamentos matam 127 pedestres na região de Campinas e especialista defende redução de velocidade nas cidades
05/11/2026
(Foto: Reprodução) Campinas registra 11 mortes de pedestres até o mês de setembro de 2026
A região de Campinas registrou 127 mortes de pedestres por atropelamento entre janeiro e outubro de 2026, segundo dados do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito em São Paulo (Infosiga-SP). Os números reforçam o alerta sobre a vulnerabilidade de quem circula a pé nas ruas, avenidas e rodovias que cortam as cidades.
Nesta quinta-feira (5), uma mulher de 34 anos ficou ferida após ser atingida por um carro no cruzamento da Rodovia Heitor Penteado com a Rua Ernesto Zigiatti, em Campinas. Na noite de quarta-feira (4), um homem sofreu ferimentos graves em um atropelamento na Rodovia Francisco von Zuben, entre Campinas e Valinhos.
Os números mostram que Campinas concentra parte significativa dessas ocorrências. Dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), responsável pelo trânsito na metrópole, indicam que a quantidade de mortes de pedestres na cidade permanece praticamente estável nos últimos anos:
2023: 22 óbitos
2024: 21 óbitos
2025: 22 óbitos
Apesar disso, o cenário mais recente apresenta melhora. Entre janeiro e setembro de 2026, Campinas contabilizou 11 mortes de pedestres, contra 16 no mesmo período de 2025, uma redução de 31,3%.
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Acervo Pessoal/Lucas Henrique de Campos
Velocidade no centro do problema
Para o professor de mobilidade urbana e especialista em trânsito Ayrton Camargo e Silva, a redução dos limites de velocidade é uma das medidas mais eficazes para diminuir o número de atropelamentos e a gravidade das ocorrências.
Segundo ele, muitas administrações municipais ainda evitam enfrentar o debate sobre a necessidade de reduzir velocidades em áreas urbanas.
"Muitas vezes o poder público é omisso porque não enfrenta o desafio de regulamentar velocidades mais baixas e, em paralelo, adotar ações de fiscalização para que essa velocidade seja respeitada."
O especialista afirma que a combinação entre velocidades elevadas e fiscalização insuficiente aumenta o risco para pedestres, especialmente em cruzamentos movimentados e corredores urbanos de grande fluxo.
Infraestrutura e educação
Além da fiscalização, Ayrton defende investimentos em engenharia de tráfego voltados à proteção dos usuários mais vulneráveis das vias.
Entre as medidas apontadas estão a implantação de redutores de velocidade, faixas elevadas para pedestres e adequações em cruzamentos com histórico de acidentes.
Outra frente considerada fundamental é a educação para o trânsito. Segundo o especialista, parte dos recursos arrecadados com multas deveria ser destinada a programas permanentes de conscientização.
"A criança precisa aprender a entender a sinalização, a fazer a sua travessia na faixa e no sinal. Quando ela vier a ser motorista, já terá internalizado as leis de trânsito, como respeitar os limites de velocidade. A questão da educação é fundamental", afirma.
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