Atores do interior de SP participam de minissérie que relata acidente com Césio-137: 'Experiência muito especial'

  • 27/03/2026
(Foto: Reprodução)
De figurantes a elenco de apoio: moradores de Itapetininga (SP) participam de série sobre desastre em Goiânia (GO) Arquivo pessoal Moradores de Itapetininga (SP) estão entre os participantes da minissérie "Emergência Radioativa", lançada recentemente por uma plataforma de streaming e inspirada no maior acidente radiológico da história do país, ocorrido em 1987, em Goiânia (GO). A produção, que já figura entre as mais assistidas no Brasil, teve parte das cenas gravada no interior de São Paulo, em cidades como Sorocaba e Cabreúva. Além de servirem de cenário, municípios da região também contribuíram com figurantes. O ator Paulo Carriel, de Itapetininga, integra o elenco de apoio. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Ao g1, ele conta que, inicialmente, foi convidado a atuar como produtor de casting da série, função por meio da qual levou mais de 100 pessoas a participarem das gravações como figurantes. "Eu tenho uma agência de atores e figuração em Itapetininga e trabalho como produtor de casting. Fecho bastante trabalhos para filmes, comerciais e clipes. Aí me chamaram, a princípio, para ajudar na figuração, porque as gravações seriam aqui na região", afirma. Durante o processo, ele recebeu um texto para teste de elenco de apoio, gravou duas cenas e acabou selecionado para integrar o elenco. De acordo com o ator, foi o diretor de casting, Aguinaldo Balisa, quem o incentivou a fazer o teste. "Ele me mandou uma mensagem dizendo: 'Paulo, estou com um teste de elenco de apoio com fala, você não quer participar?'. Eu gravei a cena, depois o diretor pediu um segundo teste e, então, fui aprovado", contou. A cena em que Carriel aparece se passa dentro de um ônibus e mostra o momento em que Márcio, personagem interpretado por Johnny Massaro, tenta localizar o veículo usado pela mulher que transportou o Césio-137 pelas ruas da cidade. "A mulher que carregava o pó azul sai de casa com o material vazando e segue de ônibus até a Vigilância Sanitária. Esse veículo fica circulando pela cidade por dois dias. Então, o cientista, personagem do Johnny Massaro, usa um medidor para encontrá-lo. Na minha cena, ele entra no ônibus e o aparelho começa a apitar bem alto quando se aproxima de mim. Aí eu olho para ele e digo: 'Ei, que diabo é isso?'", relata o ator. Paulo Carriel, ator de Itapetininga (SP), contracenando com Johnny Massaro na minissério 'Emergência Radioativa' Reprodução/Redes sociais O trabalho de seleção de figurantes começou meses antes das gravações, em março do ano passado. As filmagens duraram cerca de dois meses, mas a participação do ator ocorreu em apenas dois dias. "Eu gravei a cena do ônibus em dois dias. Foi uma experiência muito legal. Eu sou do teatro há mais de 30 anos e, mesmo assim, é diferente estar no set, dividir espaço com atores que a gente admira. Você fica no mesmo camarim, mas tem que manter o profissionalismo", completa. Segundo Carriel, por terem sido realizadas majoritariamente no interior, as gravações exigiram um esforço maior para reunir figurantes e elenco de apoio. "Em São Paulo é mais fácil, porque tem gente que vive disso, mas no interior é diferente, já que as pessoas têm outros trabalhos. E as gravações eram intensas, muitas vezes à noite, com jornadas de até 12 horas", afirmou. "Eram, em média, 300 figurantes por dia. Na cena do ônibus, começamos perto do estádio e seguimos até a região do Éden, em Sorocaba. Tudo foi pensado para recriar o cenário dos anos 1980", completou. Ainda conforme o ator, parte das cenas foi gravada no Estádio Municipal "Walter Ribeiro" (CIC), em Sorocaba, que serviu de cenário para a parte da história que mostra a quarentena dos contaminados. Moradores de Itapetininga participam de série sobre acidente com Césio-137 que lidera audiência no Brasil Arquivo Pessoal 'Teatro melhorou minha vida' Quem também participou da produção foi a aposentada Sueli Maria Lopes, de 72 anos, moradora de Itapetininga. Ela conta que o convite partiu de Carriel, que foi seu professor de teatro. "Eu já tinha feito apresentações em Capela do Alto (SP), onde fiz aulas com o professor Paulo. Ele comentou sobre a oportunidade de figuração, mas eu nem sabia que era para uma série. Fui e participei. Foram dois dias e uma noite de gravação. Foi muito gratificante", relatou. Sueli descobriu o interesse pelo teatro aos 70 anos e afirma que a experiência transformou sua vida. "Me dediquei bastante, aprendi muito e perdi a vergonha de falar em público. Sempre fui comunicativa, mas o teatro melhorou minha autoestima. É uma oportunidade de conhecer pessoas e viver algo completamente diferente do que eu já tinha experimentado. Foi por meio dessas aulas que consegui participar dessa superprodução e conhecer grandes artistas", celebra. Amanda Cristina, também moradora de Itapetininga, participou como figurante da sequência do ônibus em que aparece o personagem interpretado por Johnny Massaro. "Eu estava como uma civil entre os passageiros. As gravações aconteceram em Sorocaba. Foi uma experiência muito especial poder acompanhar de perto toda a produção de uma série. A equipe foi extremamente cuidadosa com cada detalhe, principalmente porque a série se passa nos anos 80. As roupas, os acessórios e todo o cenário precisavam seguir fielmente o estilo da época", relata a jovem. LEIA TAMBÉM: Camarim específico, água de coco e ar-condicionado: como foi a gravação do filhote do interior de SP que interpretou Shurastey em cena de filme Barbeiro bicampeão mundial transforma cabelos em 'obras de arte': 'Me tirou do convencional' De Neymar a Felipe Melo: pintor haitiano que vive no interior de SP presenteia jogadores com retratos realistas Outra moradora de Itapetininga que apareceu na tela foi a atriz de teatro Malu Terra. Ela também participou da cena no ônibus, a convite de Paulo Carriel. Segundo ela, a gravação foi marcada por um clima de tensão, em razão do contexto retratado pela história real. "Cena impactante. Foram quatro dias de gravação muito especiais para mim, porque eu pude estar perto de pessoas que admiro e viver coisas que eu nunca imaginei. Como atriz de teatro, esse contato com o audiovisual amplia meu olhar artístico e fortalece ainda mais a minha construção como artista. Fiquei muito feliz em poder vivenciar os bastidores, chuva cenográfica, diferentes cenas. E, agora, ver tudo isso ganhando vida é muito emocionante", analisa a profissional. Malu Terra com os atores Paulo Gorgulho, Johnny Massaro e Tuca Andrada, durante bastidores das gravações Arquivo pessoal 'A arte salva' Assim como Sueli, Paulo, que está há décadas no teatro, destaca a importância da arte em sua trajetória. Ele, que perdeu os pais ainda na adolescência, encontrou nos palcos um caminho de transformação. "O teatro salvou a minha vida. A arte salva mesmo. A gente vê pessoas que começam o curso tomando medicamentos, enfrentando crises, e terminam muito melhores. Você descobre o seu lugar, aprende a ocupar um espaço. O teatro é muito bom", afirma. Paulo Carriel integrou o elenco de apoio da minissérie e também atuou na seleção de figurantes, a maioria deles moradores de Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Césio-137 A minissérie "Emergência Radioativa", que estreou na Netflix em 18 de março, mostra o caso que aconteceu em 1987, um ano após o desastre de Chernobyl, quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca do chumbo que o revestia e acabaram espalhando material radioativo entre moradores, provocando o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. O acidente resultou em quatro mortes diretas. As vítimas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR). A tragédia gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, que estão armazenados de forma definitiva em depósitos em Abadia de Goiás (GO). Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA) continua monitorando a saúde das vítimas e de seus descendentes. Imagens da tragédia do Césio 137 Reprodução/TV Anhanguera Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/03/27/atores-do-interior-de-sp-participam-de-minisserie-que-relata-acidente-com-cesio-137-experiencia-muito-especial.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes