Amazônia: cientistas encontram duas novas espécies de escorpiões em área remota

  • 24/06/2026
(Foto: Reprodução)
Amazônia revela duas novas espécies de escorpiões desconhecidas pela ciência Em meio aos desafios impostos pelo avanço da degradação ambiental na Amazônia, cientistas identificaram duas espécies de escorpiões até então desconhecidas pela ciência. A descoberta ocorreu em uma área de floresta associada a uma formação rochosa do tipo inselberg, na região da Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí (RO). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram As novas espécies receberam os nomes científicos de Cayooca puchus e Brotheas cernii. A descrição formal dos animais foi publicada por uma equipe de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, ampliando o conhecimento sobre a diversidade de escorpiões da Amazônia. Cientistas descobrem duas espécies inéditas de escorpiões em área remota da Amazônia Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP Segundo uma das cientistas responsáveis pela pesquisa, a professora Manuela Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara, a confirmação de uma nova espécie exige um processo rigoroso de investigação. “A identificação de uma nova espécie exige um trabalho minucioso de comparação com todas as espécies já descritas”, explica. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: CURIOSIDADE: Aves sentem gosto dos alimentos? Entenda por que araras comem pimenta sem sentir ardência PREOCUPAÇÃO: Microplásticos são encontrados em girinos da Amazônia pela 1ª vez nas Américas CICATRIZES: Jaguatirica com canino exposto revela as marcas da sobrevivência no Pantanal Descorberta de novos escorpiões Descoberta na Amazônia mostra que a floresta ainda guarda espécies desconhecidas Reprodução/ estudo Durante o estudo, os pesquisadores observaram características morfológicas que não correspondiam a nenhuma espécie conhecida. A equipe realizou análises detalhadas, consultou coleções científicas e revisou a literatura especializada antes de concluir que os exemplares representavam duas espécies inéditas para a ciência. A descoberta reforça algo que os cientistas vêm observando há décadas: a Amazônia ainda abriga uma enorme quantidade de organismos que permanecem desconhecidos. “Mesmo grupos relativamente bem estudados, como os escorpiões, continuam revelando novas espécies”, afirma Manuela. A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP Para a pesquisadora, cada nova espécie descrita ajuda a ampliar o entendimento sobre a evolução, a ecologia e a biodiversidade da maior floresta tropical do planeta. O próprio estudo destaca que regiões da Amazônia brasileira ainda são pouco amostradas cientificamente, o que indica que a diversidade real de escorpiões da floresta pode ser ainda maior do que a atualmente conhecida. Além de ampliar o conhecimento científico, a descrição de novas espécies desempenha papel fundamental para a conservação ambiental. “Não podemos proteger aquilo que ainda não conhecemos”, ressalta Manuela. Segundo ela, a formalização de uma espécie permite compreender sua distribuição geográfica, seu papel ecológico e suas necessidades de conservação. Em um cenário de crescente pressão ambiental, muitas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem registradas pela ciência. Interesse médico Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus Reprodução / estudo Os escorpiões também despertam interesse por outro motivo: as moléculas presentes em seus venenos. De acordo com a pesquisadora, os venenos desses animais funcionam como verdadeiras “bibliotecas naturais de moléculas bioativas”. Estudos anteriores já demonstraram que compostos presentes nesses venenos podem atuar sobre canais iônicos, receptores celulares e diferentes processos fisiológicos com elevada especificidade. Algumas dessas moléculas já demonstraram atividades antimicrobianas, antitumorais, imunomoduladoras e analgésicas. Além do potencial terapêutico, elas também ajudam os cientistas a compreender mecanismos biológicos fundamentais. Como as duas espécies foram descritas recentemente, seus venenos ainda estão começando a ser investigados. Mesmo assim, os pesquisadores enxergam possibilidades promissoras. “Cada espécie possui um repertório molecular próprio, resultado de milhões de anos de evolução”, afirma Manuela. Segundo ela, existe a possibilidade de que os venenos dessas espécies contenham compostos inéditos com propriedades biológicas de interesse. Estudos pioneiros já apontam, inclusive, potencial imunomodulador associado a essas novas espécies. As novas espécies foram encontradas aos pés do morro da Cachoeira do Evandro, local de ecoturismo em Roraima Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP A próxima etapa da pesquisa será caracterizar detalhadamente a composição dos venenos. Para isso, os cientistas pretendem utilizar abordagens modernas, como proteômica, transcriptômica e análises funcionais, com o objetivo de identificar moléculas bioativas, compreender seus mecanismos de ação e avaliar suas atividades biológicas em diferentes modelos experimentais. “Poderemos selecionar compostos promissores para aplicações futuras em áreas como doenças infecciosas, câncer, inflamação e outras condições de relevância médica”, conclui a pesquisadora. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/06/24/amazonia-cientistas-encontram-duas-novas-especies-de-escorpioes-em-area-remota.ghtml


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