Além do carnaval: veja relatos de mulheres que superaram luto e traumas pelo samba

  • 17/02/2026
(Foto: Reprodução)
Carnaval 20226: veja relatos de mulheres que superaram luto e traumas pela música A cada quarta-feira, um grupo diverso se encontra em Campinas (SP) para fazer mais do que tocar instrumentos: nos ensaios de uma bateria de escola de samba, os integrantes ganham fôlego novo. Leila Medeiros chegou à Bateria Campineira depois de enfrentar o luto pela morte do marido na pandemia e anos dedicada quase exclusivamente aos filhos. No primeiro contato com o tamborim, em 2025, ela sentiu que algo mudava. “A quarta-feira virou a minha terapia”, conta. O impacto não foi só para ela. A estudante de psicologia Kátia Regina Cardoso da Silva revê sua trajetória ao lembrar que entrou no grupo depois de chorar ao ver uma apresentação. Carregando traumas antigos e uma história marcada por inseguranças, ela ouviu do mestre que tinha habilidade para o surdo de primeira, e desde então encontra espaço para reconstruir a própria autoestima. A publicitária Renata Gregório também viveu uma virada: depois de um período difícil na carreira, ela, o marido e a filha, Ana Luísa, de 12 anos, transformaram os ensaios semanais em compromisso familiar. Renata fala em “recomeço” e “energia boa”, enquanto a filha — antes tímida — hoje se diz confiante e orgulhosa por tocar agogô ao lado dos adultos. Confira, abaixo, os relatos de como a música e a convivência possibilitaram transformação — e por que, em cada história, tocar virou também um jeito de seguir em frente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Em uma quarta-feira no início de 2025, Leila Medeiros segurou um tamborim pela primeira vez, em um ensaio da Bateria Campineira, em Campinas (SP). Desde então, o encontro virou um compromisso. “A quarta-feira, que é o dia do ensaio, virou a minha terapia… foi um divisor de águas. Tinha a Leila antes da bateria e depois da bateria”, diz a empresária, que entrou para o grupo aos 53 anos. Em 2021, Leila perdeu o marido para a covid-19 após cerca de um mês de internação. Enquanto ele estava no hospital, ela também adoeceu, isolou‑se no quarto e cuidou dos dois filhos — então com 12 e 13 anos — à distância, entre ligações de celular e bilhetes deixados na porta. “Eu me tranquei no quarto e os meus meninos se viravam dentro de casa… quando eles dormiam, eu descia, desinfetava tudo, deixava comida pronta, lavava a louça. No outro dia, fazia tudo de novo”, relata. A morte foi repentina e difícil de elaborar. “Ainda mais uma pessoa cheia de vida, ativa, saudável, sem comorbidade nenhuma… você jamais esperaria esse fim”, lembra. Depois, Leila teve de recomeçar e lidar com o emocional dos filhos. "Eu fiquei naquele meu mundinho durante quatro anos. Fui murchando", afirma. Momento de virada A virada começou com o convite de uma amiga: “Vem conhecer a bateria”. Leila topou fazer uma aula experimental. O mestre apresentou os instrumentos, e ela se encontrou no tamborim. “Cheguei aqui e foi amor à primeira vista. Eu vinha feliz, com vontade de fazer, de encontrar as pessoas” O ensaio semanal virou rotina. “É compromisso: a gente tem que vir, tem que ensaiar. Faz bem pra mente: você precisa memorizar melodias e ritmos. É corpo, alma e coração”, destaca. Sem experiência prévia, ela aprendeu do zero — e descobriu algo sobre si mesma: “A gente aprende, a gente descobre que é capaz”. O grupo, diz, é formado por integrantes de todas as idades, o que desarma medos e convoca quem acha que já não é tempo de começar. “Sim, a gente é capaz.” Leila lembra de sua primeira apresentação em um shopping. As camisetas iguais, gente se ajudando a se pintar, o adereço na cabeça, a porta‑bandeira chegando produzida. “Era um clima de festa tão maravilhoso… eu nunca tinha visto aquilo. Foi um sucesso.” Desde então, não perde um ensaio: “Pode faltar o mestre, mas a gente não falta, não”, brinca. Relação com o carnaval na infância Integrantes da Bateria Campineira contaram como tocar instrumentos virou um jeito de ressignificar histórias e recuperar autoestima. Bárbara Camilotti/g1 Leila conta que o carnaval já morava em sua memória afetiva. Na infância, em Santa Catarina, a mãe costurava fantasias para os bailes de salão: “Noite de gala, azul e branco, Havaí… minhas memórias são bordando fantasia, preparando pra ir”. Se faltou oportunidade para aprender um instrumento na época, hoje a situação é outra. “Entrei com o propósito de tocar e conviver com a música, mas fiz grandes amigos que vou levar pra vida. Todo mundo se ajuda, todo mundo quer o seu bem”, afirma. 'Alguém acreditou em mim' A estudante de psicologia Kátia Regina Cardoso da Silva, de 48 anos, conta que sempre admirou escolas de samba “de longe”. O estalo veio ao ver a bateria tocar num evento: ela chorou de emoção e decidiu tentar. No primeiro ensaio, testou de tudo e ouviu do mestre que tinha identificação com o surdo de primeira. “Parecia uma joia pra mim, porque alguém acreditou em mim”, diz. Ela relata que o caminho até ali passa por experiências duras na infância e juventude, que minaram a autoestima e a fizeram duvidar de si. Kátia afirma que carregou traumas, ouviu por muito tempo que “não seria nada” e, com ajuda da bateria, ressignificou sua história. Na bateria, Kátia encontrou acolhimento em um ambiente com dedicação, professores pacientes, suporte de colegas e compromisso. “Não é só tocar um instrumento: é tocar a alma. Quando eu toco, a minha alma grita, canta, sorri”, afirma. Para ela, bateria é “amor e harmonia” — e a confirmação de que há lugar para todos. Alegria e transformação Integrantes da Bateria Campineira contaram como tocar instrumentos virou um jeito de ressignificar histórias e recuperar autoestima. Bárbara Camilotti/g1 A Renata Gregório, publicitária e executiva comercial, descobriu a bateria em um evento em um shopping de Campinas. “Fiquei encantada com a energia, com a sintonia, com as pessoas”, lembra. Começou a participar do grupo com o marido e a filha — Ana Luísa, de 12 anos — e fez dos ensaios de quarta um compromisso consigo mesma. “Tem um momento da vida que você fala: eu preciso fazer alguma coisa pra mim. A música me transformou”, conta. A bateria apareceu quando ela saía de um período difícil na carreira — “desencontros” e “injustiças”, que foram seguidos por recolocação no mercado. “Foi um ano de recomeços. A bateria me trouxe alegria e energia boa”, diz. Sem experiência prévia com instrumentos (mas com passado em teatro e passarela), Renata reencontrou no palco uma forma de presença: “Na apresentação, o público se entrega e é uma troca de energia.” “Bateria é alegria, desafio e transformação. Transformou minha vida”, afirma. Para a filha, os ensaios se tornaram um momento de união em família e de se desafiar: “Antes cada um ficava no seu quarto. Agora a gente vem pra ensaiar e fica todo mundo junto.” A música também mudou o jeito como ela se vê: “Eu tinha vergonha de tocar na frente dos outros… agora eu perdi a vergonha. Dá confiança. Todo mundo devia tocar um instrumento.” Ela testou caixa, surdo e ganzá, até se encontrar no agogô. A afinidade não veio do nada: além da vivência com atabaque em um terreiro, a menina já tinha em casa um kit com berimbau, pandeiro e agogô, e até foi aprendendo sozinha trechos de piano em um aplicativo. “Eu vou pegando o som e vendo onde se encaixa”, explica. Sobre ser a mais nova do grupo, ela se diverte: “Eu fico muito feliz, fico toda chique”. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região| em G1 / SP / Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/17/carnaval-2026-veja-relatos-de-mulheres-que-superaram-luto-e-traumas-pela-musica.ghtml


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